Minicursos - 65º Seminário do GEL


Prezados Associados do GEL

 

As inscrições para os minicursos do 65º Seminário do GEL estão abertas. Serão oferecidos 20 minicursos, todos no dia 04 de julho, sendo dez no período da manhã (8h - 12h15) e dez no período da tarde (13h30 - 17h30). Portanto, é possível participar de até dois minicursos (um em cada período).


Os minicursos possuem carga horária de quatro horas e número limitado de 30 vagas cada.


As inscrições serão realizadas exclusivamente pelo sistema, na área do usuário.


Atenção aos prazos e valores do 1º lote (pagamentos até 03/06):

1 minicurso - R$ 80,00
2 minicursos - R$ 120,00

 

Os pagamentos serão realizados via sistema, pelo PagSeguro.

Maiores informações, acessem a página do GEL (www.gel.org.br).

 

Atenciosamente,

 

A Diretoria.

 

Segue a lista de minicursos para conhecimento:

 

 Minicursos – 65º Seminário do GEL

 

Manhã – 8h às 9h45 e 10h15 às 12h15

 

 

1. A Mobilidade dos Textos. Autoria, Materialidade, Variantes, Gêneros e Leituras dos Discursos.


Roger Chartier (Collège de France)

 


Este minicurso enfatizará as variações que transformam, tanto as práticas textuais, consideradas além da “literatura” como uma ordem dos discursos (segundo a expressão de Foucault), quanto as experiências literárias, definidas como uma relação específica com alguns textos investidos pelo poder da fábula ou da ficção. A partir das perspectivas da história cultural e da crítica textual, o curso considerará a tensão sempre presente (mas com modalidades históricas variáveis) entre, por um lado, a identidade perpetuada, identificável, desmaterializada das obras e, por outro lado, a mobilidade dos seus textos. O curso discutirá as cinco razões desta mobilidade: a modalidade de atribuição dos discursos entre "função-autor" e anonimato; as transformações das suas formas de publicação e circulação e de sua materialidade, as variações do texto mesmo duma “mesma” obra, as migrações da "mesma" obra entre gêneros e línguas, e, finalmente, a multiplicidade das leituras, interpretações e apropriações que se apoderam dos textos.

 

2. O distante horizonte do sublime, as vastas paragens do kitsch e veredas oblíquas do camp: considerações sobre arte autêntica e mau-gosto na modernidade.


Fabiano Rodrigo da Silva Santos (UNESP Assis)

 


Amparado pelas categorias do sublime, do kitsch e do camp, o presente minicurso se propõe a promover reflexões acerca das relações entre o que se considera arte autêntica e o mercado do entretenimento, no contexto da indústria cultural. Enquanto o valor estético que recobre as obras de arte modernas, grosso modo, elege as expressões que promovem “fruição estética complexa e responsável” (ECO, 1968, p. 85), as expectativas mais imediatas da sociedade de consumo encontram na fruição utilitária do kitsch; portanto, no polo oposto da chamada “arte autêntica”. Assim, o kitsch emerge, por um lado, como o depositório moderno do feio e do mau-gosto; por outro, como categoria onipresente e difícil de ser superada, já que confere coerência à dinâmica própria da indústria cultural. Com efeito, a investigação do gosto moderno perpassa inevitavelmente as vastas paragens do kitsch, demandando a compreensão de sua estrutura e da história de sua constituição, como esforço de sondagem de possíveis alternativas a seus imperativos. Nessas instâncias, é possível deparar-se com uma modalidade crítica que atualiza os dispositivos do antigo sublime (WEISKE, 1994) e a voragem anárquica daquele fenômeno de exuberância e exploração consciente do mau-gosto, enfeixado por Susan Sontag sob a categoria do camp (SONTAG, 1964). O sublime, o kitsch e camp, estabelecem-se como três correntes conflitantes que em constante colisão no ambiente em que se estabelece o gosto moderno; se entre essas três categorias houver um ponto de intersecção, é possível que lá residam respostas úteis às inquietações que envolvem o destino da beleza nas culturas contemporâneas.

 

3. Barthes e o Prazer do Texto


Carla Cavalcanti e Silva (UNESP Assis)

 


Em seu texto para a revista Cult “Barthes e o prazer da palavra”, Leyla Perrone-Moisés afirma que o prazer do texto para Barthes “nunca é mero diletantismo, mas a experiência cognitiva dos mais diversos objetos culturais, corporificada numa linguagem sensível, marcada pelo humor e pelo afeto”. A proposta deste minicurso é ler e analisar algumas passagens do pequeno livro de Roland Barthes, O prazer do texto, publicado em 1970, detectando essa experiência cognitiva e igualmente afetiva dos dois sujeitos implicados no texto – o escritor e o leitor. O objetivo é introduzir os alunos a um dos maiores críticos franceses do século XX e, por meio desta obra, refletir sobre a importância recíproca que literatura e leitor estabelecem entre si.

 

4. Linguística, discurso e ética: notas de leitura


Roberto Leiser Baronas (UFSCar)

 


Ao longo de sua história, embora os estudos linguísticos e os discursivos tenham se preocupado bastante com a descrição, a explicação e a interpretação do funcionamento da linguagem, o conjunto das indagações sobre as constitutivas relações entre linguagem e moral/ética pouco fez parte de seu escopo teórico-metodológico. Tal temática apesar de pertinente para o campo da linguagem, sempre foi relegada a um segundo plano. Este minicurso objetiva com base em Marie-Anne Paveau; Sylvain Auroux e Diana Barros iniciar uma reflexão sobre as constitutivas relações entre linguagem e moral de um mirante linguístico-discursivo. Em seu último livro “Linguagem e moral: uma ética das virtudes discursivas”, publicado na França em 2013 e no Brasil em 2015, Marie-Anne Paveau n os chama a atenção para a necessidade de realizarmos, com base nos estudos linguísticos/discursivos, uma indagação epistemológica acerca dos diferentes discursos que circulam em distintos mídiuns na nossa sociedade. O presente minicurso assumindo as proposições de Marie-Anne Paveau e articulando-as com as postulações de Sylvain Auroux acerca da ética linguística (1996) e as reflexões de Diana Barros acerca dos discursos intolerantes (2014) objetiva discutir as constitutivas relações entre linguagem e moral de um mirante linguístico-discursivo.

 

5. Vozes sobre sentidos e sujeitos: implicações do conceito bakhtiniano de enunciado para uma semântica discursiva


Marco Antonio Villarta Neder (UFLa)

 


A proposta desse minicurso é discutir como o conceito bakhtiniano de enunciado desloca os fundamentos das principais teorias semânticas. Tal deslocamento assenta-se no pressuposto de que, uma vez alterada a relação entre a materialidade da língua e a materialidade das relações dialógicas – constitutivas – dos sujeitos e dos sentidos, não somente os conceitos, mas igualmente as fronteiras entre os processos envolvidos, movem-se também. Serão discutidas três implicações desse deslocamento. A primeira delas consiste em um redimensionamento do conceito de referência. Toma-se como ponto de partida uma semântica que não exclua os sujeitos, ao mesmo tempo inscritos na historicidade de suas interações e na singularidade de seu único lugar no mundo possível de ser ocupado, sempre em relação a outros sujeitos, constitutivos e constituintes. A segunda implicação é a realocação dos limites entre o que é interno e externo. Rompe-se com uma concepção meramente proposicional e problematiza-se o estatuto da própria proposição. Sob um viés bakhtiniano, o sentido não é imanência: é sempre, inevitavelmente, diálogo, réplica. Não pode haver sentido “em si” – ele só existe para outro sentido, isto é, só existe com ele. (Bakhtin, 2011). É na distância da sua própria posição, partindo de uma exterioridade, que o lugar do sujeito e dos sentidos se constrói. Finalmente, a última implicação a ser explorada será a de como os sujeitos se marcam no processo/produto do enunciado por meio de suas entonações, de suas vozes inscritas no/escritas do mundo. Assentada em uma concepção interacional e de linguagem como representação, o cardápio formativo, não só dos alunos da Educação Básica, quanto dos Cursos de Letras, passa a exibir outra visão dos conceitos e outras análises. Pretende-se, como objetivo específico, discutir essas implicações em materiais didáticos (livros e portais) e explorar uma alteridade de leituras de textos midiáticos atuais.

 

6. A escrita como instância de ações sobre a linguagem: bases constitutivas de uma funcionalidade reflexiva


Odilon Helou Fleury Curado (UNESP Assis)

 


Para Vygotsky, uma de suas características a linguagem é apresentar, em seu processo de aquisição, um funcionamento comunicativo (interação social) e um funcionamento individual (a sua internalização, na qual o sujeito passa a orientá-la para si, servindo à auto-organização e auto-regulação). Implica, pois, o pensar sobre o dizer. Este como um refinamento daquele, nasce e é derivado dele. São instâncias distintas da relação do sujeito com a linguagem, mas nem sempre, por deficiências de aprendizagem, a primeira função se diferencia convenientemente na segunda. Consideramos, como Góes, que ambos os processos funcionais manifestam-se também na aprendizagem da linguagem escrita. Neste caso, em dois, a escrita, pela sua natureza, se transforma em meio de ação reflexiva, permitindo ao sujeito formular enunciados deliberadamente, conscientemente e torná-los como objeto de análise (em termos de adequação, consistência, lógica etc.), isto é, o funcionamento individual da escrita implica o pensar sobre o enunciado, uma atividade reflexiva de modo pleno e constante (pressupõe as ações de planejar, analisar, revisar, elaborar estratégias, reescrever). Definem-se novas formas de relação do sujeito com a linguagem, de modo que ele a representa diferentemente, uma vez que a escrita requer, porquanto o interlocutor, fisicamente ausente, é mentalmente representado, um processo de “descentração” mais complexa do eu. Assim, a escrita revela-se uma instância favorável ao surgimento e elevação dos níveis de reflexibilidade na esfera da linguagem (planejamento, estratégias, revisão) e, em decorrência, na esfera mental. Impõe ações de ordem reflexiva, evidenciando-se duas importantes implicações do caráter dialógico do ato de escrever: (1) o dizer como objeto de atenção (ação reflexiva); e (2) o leitor como sujeito que constrói sentidos a partir de pistas do texto.

 

7. A expressão ordenada setecentista no Brasil: da história à literatura


Carlos Eduardo Mendes de Moraes (UNESP Assis)

 


Este minicurso tem como objetivo principal apresentar um conjunto de escritos produzidos no século XVIII brasileiro, documentando um processo de intelectualidade que se iniciou com uma série de decisões políticas da administração portuguesa, as quais serviram de argumento e de ponte para uma relação mais estreita (e não menos conflituosa) entre a América portuguesa e Lisboa. Por um lado, as vozes dos escritos da administração, da política, da religião estiveram lado a lado e concomitantemente em combate com as vozes de uma “literatura”, praticadas por vezes pelos mesmos nomes. No entanto, as posições, as circunstâncias e as normas de escrituras foram fundamentais para que surgissem diferentes resultados desse processo tão conflituoso. Serão focados dois aspectos fundamentais na relação: a presença e a importância da tipografia, promovendo uma linha oficial de escritura a existência de uma linha marginal de escritos “subversores” da ordem e a importância dos fundamentos retórico-poéticos, promovendo parâmetros para o julgamento, circulação e destino a se dado aos textos, segundo suas matérias. Serão discutidos documentos de teor administrativo, didático-pedagógicos, de academias histórico-literárias, literários e religiosos. A tipologia será dada pelas matérias tratadas e/ou pelas didascálias, enquanto o processo de difusão se pautará pela publicação oficial (processo de apreciação / censura, que culmina na aprovação ou não-aprovação de textos para a impressão) e pela circulação marginal (resultante da impossibilidade de circulação pelos canais oficiais, em virtude do conteúdo ou da forma dos escritos).

 

8. As tecnologias e a comunicação intercultural no Ensino/Aprendizagem de Línguas Estrangeiras e Formação de Professores


Daniela Nogueira de Moraes Garcia (UESP Assis)
Micheli Gomes de Souza (UNESP Assis)

 


O constante desenvolvimento de ferramentas tecnológicas digitais e de comunicação audiovisual tem viabilizado possibilidades de contatos entre pessoas de diferentes partes do mundo. Consequentemente, novos contextos e perspectivas se agigantam também no cenário educacional. O acesso aos povos, às línguas e suas culturas constitui-se uma vertente de grande importância na reconfiguração de práticas pedagógicas em sala de aula, de currículos de cursos de línguas e nos contextos de formação de professores. Dentro desse cenário, o projeto Teletandem Brasil (2006 – atual), desenvolvido na UNESP (Assis, São José do Rio Preto e Araraquara), tem aberto portas com vistas à comunicação intercultural e proporcionado experiências singulares para aprendizes de português de universidades estrangeiras, em parceria com aprendizes de diversas línguas estrangeiras vinculados à UNESP. Tendo em vista o papel de contextos de telecolaboração para a promoção de transformações nas relações de ensino e aprendizagem de línguas, o objetivo deste minicurso é delinear (a) um panorama histórico dos processos de implementação do projeto Teletandem na UNESP e nas universidades parceiras em diferentes países (Estados Unidos, México, França, por exemplo), (b) apresentar o embasamento teórico e princípios que caracterizam o contexto teletandem, (c) apresentar perspectivas de pesquisa no campo da telecolaboração e (d) analisar dados gerados em interações de teletandem.

 

9. Semiótica discursiva: bases teóricas e desdobramentos contemporâneos


Matheus Nogueira Schwartzmann (UNESP Assis)

 


O objetivo deste minicurso é apresentar (I) o desenvolvimento histórico da semiótica a partir de sua matriz saussuriana; (II) o modelo semiótico que pressupõe a análise dos mecanismos linguístico-discursivos de construção do sentido; e (III) os conceitos da semiótica aplicados à análise de diversos tipos de texto (verbais, não-verbais e sincréticos). A teoria semiótica de orientação francesa, chamada também de semiótica discursiva, podendo ser compreendia, em certa medida, como uma teoria da leitura, interessa a todo profissional que tem na Linguagem o seu objeto de estudo: tanto para aquele oriundo das áreas de Letras e Linguística, quanto para os que estão em áreas afins, como a Comunicação, a Educação, a Psicologia, entre outras. A teoria semiótica interessa a todos que se preocupam com a significação do texto, independentemente de sua área de formação ou atuação, justamente porque, a partir de suas hipóteses e pressupostos teóricos, ela organiza e segmenta a leitura, aumentando autonomia e o senso crítico do leitor. Ao longo deste minicurso, a partir da análise de textos diversos, será apresentado um panorama geral da semiótica discursiva que parte (1) da noção de língua para se pensar o desenvolvimento de uma teoria da significação, (2) da definição da noção de texto, da (3) descrição de um percurso gerativo do sentido, chegando às noções de (4) sincretismo de linguagens e (5) de semiótica visual.

 

10. Verbivocovisualidade da linguagem: uma Análise Dialógica de Discursos sobre Mulheres

 

Luciane de Paula (UNESP Assis e PPGLLP Araraquara)

Bárbara Melissa Santana (Doutoranda PPGLLP UNESP Araraquara)

 

 

Este minicurso objetiva discutir sobre a verbivocovisualidade da linguagem tendo como foco as mulheres na história e o confronto de ideologias imbricado nos enunciados produzidos sobre imagens de feminino. A fundamentação teórica é bakhtiniana. Os enunciados a serem discutidos servirão como exemplos sobre como se consolidou a construção de imagens de mulheres ao longo da história, tendo em pauta o modo como estereótipos de gênero e a cristalização de paradigmas patriarcais e paternalistas foram instituídos pelo sistema e naturalizados sócio culturalmente. O objetivo é analisar a semiose do gênero feminino nesses enunciados e refletir sobre a constituição socioideológica da imagem de mulher na sociedade atual, partindo dos subsídios teóricos do Círculo de Bakhtin e da noção de verbivocovisualidade (PAULA et al, 2011) como proposta teórico-metodológica, calcada na dialogia. As análises serão mobilizadas a partir dos conceitos de enunciado, ideologia e vozes sociais. Também servirão de subsídio teórico estudiosos da História da Mulher e dos Estudos de Gênero como Georges Duby, Michelle Perrot, Simone de Beauvoir e Judith Butler.

 

 

Tarde – 13h30 às 15h15 e 15h45 às 17h30

 

 

11. Por que estudar uma gramática brasileira?


Marcos Araújo Bagno (UNB)

 


As pesquisas sociolinguísticas realizadas no Brasil nos últimos 40 anos permitiram a formação de um grande conhecimento empírico sobre a realidade da língua majoritária dos brasileiros. Esse volume de conhecimento tem permitido, na última década, a produção de obras gramaticais que, pela primeira vez, descrevem a realidade do português brasileiro, sobretudo em suas variedades urbanas de prestígio, e demonstram as grandes diferenças que existem entre essas variedades, inclusive em suas formas escritas mais monitoradas, e a norma-padrão prescrita pela tradição gramatical. O minicurso visa mostrar essas diferenças e propor novas estratégias pedagógicas para uma educação em língua materna mais realista, baseada no que é de fato o português brasileiro urbano culto contemporâneo.

 

12. A Semiótica aplicada ao estudo da Poesia Brasileira Contemporânea


Antonio Vicente Seraphim Pietroforte (USP)

 


 O profissional de Letras que, por ventura, dedica-se a estudar a poesia da Literatura Brasileira Contemporânea, inevitavelmente, deparando-se com numerosos poetas, quase chega à conclusão de que há tantos modos de fazer literatura quanto aqueles que a fazem. A insistência nesse objeto de estudos, porém, leva ao levantamento de algumas regularidades, de ordem linguística, que permitem propor uma tipologia dessa literatura. Tal tipologia, além de seguir por parâmetros prosódicos, fonológicos, semânticos e morfossintáticos, quer dizer, seguir pelos níveis de análise da língua, é sistematizada em função das relações textuais entre os planos de expressão e de conteúdo das semióticas verbais, no caso, a semiótica da língua portuguesa. Os objetivos do minicurso, portanto, são três: (1) uma vez que o modelo tem inspiração semiótica, valendo-se das propostas de Jean-Marie Floch, são nossos objetivos apresentar a tipologia proposta, seguindo todos os passos de sua demonstração; (2) discutir os alcances de suas possíveis aplicações na análise literária, pois, embora deduzida por meio da Literatura Brasileira, acredita-se que ela tenha alcances maiores, podendo ser aplica à análise de outras literaturas; (3) discutir alguns paradigmas que fazem parte da formação da Literatura Brasileira Contemporânea, considerando que, historicamente, a poesia de hoje é o resultado de influências da poesia Brasileira Moderna e Pós-moderna. 


13. Descolecionando gêneros em práticas leitoras para além do cânone


Maria da Penha Casado Alves (UFRN)

 


Nesta intervenção, consideramos que as práticas de leitura se dão em espaços, tempos e escolhas em confronto com aquelas monitoradas ou incentivadas pela escola, família ou outra instituição que, historicamente, têm apresentado suas coleções de livros/textos adequados, canônicos, socialmente valorizados. Os leitores em diferentes épocas e espaços, respondem de forma singular, subversiva e se projetam para outros ensaios em suas trajetórias de leitura. Fora do cânone e à revelia do “bom conselho” que somente nos move para o que é considerado a boa leitura, a literatura a ser lida por todos em todos os tempos, os leitores constroem práticas leitoras que desafiam perspectivas reducionistas do que seja ler ou do que seja leitura. Assim, outras coleções são acessadas por esses jovens: sagas, livros em série, séries para a televisão, games passam a alimentar o desejo por ler, mesmo que, muitas vezes, sejam desvalorizados no processo de formação do leitor. Interessam-nos os movimentos centrífugos (BAKHTIN, 2015) de leitores de sagas, de livros em série que se colocam fora do canônico e do discurso movido por forças centrípetas (BAKHTIN, 2015) que tentam conter a “dispersão”, a subversão, a rebeldia daqueles que se orientam para uma leitura considerada de “entretenimento”, “best seller”, de “massa”, “andaime” para leitura mais complexas e de maior investimento qualitativo/literário. Voltamo-nos para as comunidades de leitores de sagas, de séries, que se organizam amorosamente em torno de uma obra. Tais leitores constroem espaços de sociabilidade onde a obra se torna o motor de leituras, de interpretações, de gestos de leitura que rebatem as afirmações ingênuas ou preconceituosas de que “o jovem de hoje não lê”, “a juventude não tem hábito de leitura”, “o jovem não tem gosto pela leitura”: tais dizeres enunciam uma história de “nãos” em relação ao jovem que não se sustenta em um primeiro diálogo com os participantes dessas comunidades. Portanto, objetivamos discutir a constituição dessas comunidades e suas práticas leitoras.

 

14. Sobre a crítica de arte e sua importância para a literatura moderna: o caso dos Salões


Flávia Nascimento Falleiros (UNESP – IBILCE São José do Rio Preto)

 


Muitos são os modos pelos quais a literatura e as artes visuais se relacionam. O diálogo pode se dar, por exemplo, no nível das colocações estéticas próprias a cada uma destas artes ou pelo intercâmbio de recursos entre elas. Já do ponto de vista das questões temáticas, há que distinguir, por exemplo, entre um quadro que trata de um tema literário e a descrição literária de uma obra de arte; também podem ser lembrados os casos em que um escritor tenta imitar técnicas pictóricas, ou vice-versa. Dentre todas as possibilidades, destaca-se, do ponto de vista dos estudos literários, o caso da ekphrasis (aqui definida, sucintamente, como a representação verbal de uma representação visual). Trata-se de uma modalidade discursiva própria à literatura, que se baseia na invocação ou na evocação da visualidade. Por isso ela é uma espécie de laboratório de experimentação ideal para comparar esses dois sistemas de representação e tentar compreender até que ponto é possível o intercâmbio entre eles. Com base nessas considerações, propomos, nesta comunicação, o exame de um trecho do fragmento de Diderot conhecido como Passeio Vernet, no qual a descrição se revela muito mais como uma leitura e uma interpretação, feita de acordo com convenções literárias, mas fundamentalmente guiada por uma faculdade humana em que o literário e o visual se fundem: a imaginação artística.

 

15. Introdução aos aspectos práticos e teóricos da tradução com auxílio de programas computacionais


Celso Fernando Rocha (UNESP – IBILCE São José do Rio Preto)
Paula Tavares Pinto (UNESP – IBILCE São José do Rio Preto)

 


A tradução apresenta-se como fenômeno complexo e sua caracterização enquanto objeto científico recorre, frequentemente, às contribuições advindas da filosofia, da linguística e da teoria da literatura. Nas últimas décadas, houve ampliação considerável dos estudos relacionados à tentativa de teorização desse fenômeno, seja pela observação do produto (ou texto gerado) ou pelo viés da identificação de características do processo. Tomando como objeto a Tradução enquanto processo e produto, os objetivos deste minicurso são: a) discutir a natureza e a relevância da teoria da tradução na contemporaneidade e, b) oferecer subsídios teórico-metodológicos com vistas à prática da tradução técnico-científica e literária. Nesse sentido, os paradigmas principais da tradução serão apresentados, sendo oferecida, também, uma visão descritiva a respeito do texto traduzido. Dada a importância dos Estudos Descritivos da Tradução e dos Estudos da Tradução Baseados em corpus o minicurso tem como foco oferecer uma introdução ao uso de ferramentas eletrônicas como auxílio à prática tradutória de textos especializados que contenham terminologia (termos simples, complexos e fraseologismos) de diferentes áreas científicas, assim como a observação e tradução de textos literários (léxico simbólico, termos culturalmente marcados, expressões fixas e semifixas). Os participantes serão convidados a construir corpora e utilizar programas para extração de dados linguísticos, conscientizando-se da relevância e inúmeras possibilidades de emprego dos corpora eletrônicos como ferramenta pedagógica efetiva para desenvolvimento profissional e para pesquisas acadêmicas.

 

16. Ferramentas metodológicas para análises (sócio)linguísticas


Rosane de Andrade Berlinck (UNESP Araraquara)
Caroline Carnielli Biazolli (UNESP Araraquara)

 


Uma das etapas mais relevantes em toda pesquisa pertencente ao campo da linguagem, ou a quaisquer outras áreas da esfera científica, é a escolha, por parte do pesquisador, do aporte metodológico que viabilizará a sua realização. Essa escolha depende, naturalmente, do objeto de estudo e da abordagem teórica adotada. Muitos modelos teóricos vigentes nos estudos linguísticos investem em análises empíricas, enfrentando os desafios gerados pela manipulação de grandes volumes de dados. Em relação aos estudos (sócio)linguísticos, a metodologia da Teoria da Variação e Mudança Linguísticas se destaca pela sua produtividade na obtenção, análise e interpretação de dados, possibilitando o entendimento mais fidedigno possível da heterogeneidade inerente às línguas humanas. Neste minicurso, diante de vários caminhos viáveis para o desenvolvimento de investigações, o objetivo principal é a apresentação de determinadas ferramentas metodológicas computacionais que auxiliarão na extração, organização e análise estatística de dados linguísticos. Por meio de atividades práticas envolvendo as ferramentas AntConc, Excel e Goldvarb X – sendo esta última abordada de modo introdutório –, os participantes terão a oportunidade de conhecer, bem como discutir, questões referentes a certos estágios fundamentais para a concretização de estudos (sócio)linguísticos. As etapas percorridas, pertinentes ao uso de cada uma das ferramentas evidenciadas, serão ilustradas com base em fenômeno variável e amostra definidos. Espera-se, como resultado final deste minicurso, que os inscritos, além de se interessarem ainda mais pela temática proposta, possam praticar cada passo retratado, a fim de que, verdadeiramente, possam aplicar as ferramentas em questão ao se voltarem aos seus próprios objetos de estudo.

 

17. Gêneros Textuais em atividades telecolaborativas: o caso do teletandem institucional integrado


Solange Aranha (UNESP – IBILCE São José do Rio Preto)

 


O ambiente de ensino/aprendizagem em teletandem, contexto virtual e colaborativo de aprendizagem de línguas entre falantes proficientes de línguas diferentes, na qual um quer aprender a língua do outro, é caracterizado por duas macro-tarefas (FOUCHER, 2010): a sessão oral de teletandem e a sessão de mediação, sendo a primeira necessariamente mediada por ferramentas tecnológicas. No caso específico da modalidade institucional integrada, gêneros orais e escritos emergem e alimentam ambas macro-tarefas, e o compartilhamento de seus propósitos entre os participantes do projeto garante o sucesso da proposta. Os objetivos deste minicurso são: i) apresentar este contexto como uma atividade multidimensional; ii) caracterizar as duas macro-tarefas como gêneros; iii) discutir traços retóricos típicos de alguns desses gêneros; iv) defender o ambiente como um sistema de gêneros, onde vários são (devem ser) acionados para que as atividades se realizem e outros são criados para que a atividade se sedimente. Proponho o minicurso dividido em duas partes: na primeira, apresentarei o ambiente e as características das macro-tarefas como ocorrem no laboratório de São José do Rio Preto; a segunda trará dados para que os participantes possam validar a proposta de análise por meio de gêneros textuais. Os dados são de natureza oral e escrita e fazem parte do banco de dados em teletandem (ARANHA, LUVIZARI-MURAD e MORENO, 2015) e do DOTI (Data of Oral Teletandem Interaction (ARANHA e LEONE, 2016)

 

18. Teorias funcionalistas e a descrição de construções complexas em português


Flávia Hirata Vale (UFSCar)

 


Definir o Funcionalismo não e tarefa das simples, já que há várias correntes teóricas consideradas como funcionalistas e que têm suas respectivas características e peculiaridades. De um ponto de vista histórico, o Funcionalismo em Linguística remonta às proposições elaboradas no âmbito dos estudos da Escola Linguística de Praga que viam na linguagem articulada um sistema de comunicação, levando em conta seus usos e funções. A ELP admitia uma divisão estrita entre sincronia e diacronia e valorizava a relação entre sistema e uso. Na contemporaneidade, é possível dizer, de um modo geral, que as diferentes vertentes funcionalistas notam a arbitrariedade inerente ao sistema linguístico sem deixar de avaliá-lo em relação a fatores de natureza externa, tais como a cognição e o contexto social de uso. Os funcionalistas concebem a linguagem como um instrumento de interação social, alinhando-se, assim, às tendências que analisam a relação entre linguagem e sociedade. Nesse sentido, o objetivo deste minicurso é o de apresentar questões relacionadas aos procedimentos teórico-metodológicos que orientam a investigação funcionalista da linguagem. Serão evidenciados ainda três dos principais modelos funcionalistas (Linguística Sistêmico-Funcional (Halliday, 1994), Funcionalismo da Costa Oeste Norte Americana (Matthiessen e Thompson, 1988), Gramática Discursivo-Funcional (Hengeveld e Mackenzie, 2008), por meio da consideração do aspecto funcional na análise gramatical de fenômenos linguísticos sintáticos do português do Brasil.

 

19. Práticas de escrita: diálogos entre ciências da linguagem e ensino/aprendizagem de língua


Marina Célia Mendonça (UNESP Araraquara)

 


O minicurso pretende colocar em discussão formas pelas quais conceitos desenvolvidos no interir da Linguística e Linguística Aplicada, no Brasil, são apropriados por discursos que circulam na esfera didático-pedagógica e que têm por tema as práticas de escrita. Os conceitos nos quais se centrará o minicurso são “gêneros do discurso” e “autoria”, tendo por foco a relação do sujeito-autor com o texto que é produzido. A discussão partirá do pressuposto teórico, com base em estudos bakhtinianos do discurso, de que, ao migrar de uma esfera de atividade para outra, o discurso sofre modificações decorrentes de novas relações discursivas estabelecidas na nova esfera e de novos valores ideológicos que são predominantes nos processos de produção de sentido. Dessa forma, há um componente de estabilidade no sentido (que Bakhtin/Volochínov chama de significação) e um de novidade, relacionado ao acontecimento da atualização do enunciado. Esse acontecimento é que será colocado em discussão no presente minicurso. Assim, o objetivo é refletir sobre o acontecimento da entrada da noção de “gêneros do discurso” e “autoria” em materiais didáticos, aulas no Youtube e em materiais institucionais que tomam por tema a produção textual. A reflexão partirá de propostas, produzidas a partir da década de 1980 no Brasil, de que atividades de ensino/aprendizagem de produção textual tomem por centralidade o texto em sua relação com os sujeitos.

 

20. Política Linguística

 

Kanavillil Rajagopalan (UNICAMP)

 

 

De caráter introdutório, o minicurso tem como objetivo traçar as linhas principais da área de estudo e intervenção denominada “Política Linguística”. Pretendo discutir a especificidade do tema e distinguindo-o, de um lado, da “Política DA Linguística” e, de outro, da "Linguística da Política”. Interessa-me delinear o caráter singular da “política linguística” (no sentido abstrato) que não é, de forma alguma, um simples adendo à ciência linguística. A política linguística é muito mais um ramo da política do que da linguística. O que está em jogo, portanto, a questão de cidadania e os direitos e os deveres do cidadão perante as questões da conduta das políticas que diretamente impactam seu dia-a-dia. Esta visão do que vem a ser a política linguística tem desdobramentos importantes e consequências diretas a forma como o linguista deve se posicionar diante das questões relativas ao ensino e à manutenção da língua nacional, da(s) língua(s) estrangeira(s) etc.  Farei, ao longo do curso, algumas referências à controvérsia em torno do projeto Aldo Rebelo e as lições que o episódio nos deixa como herança.



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