56º SEMINáRIO DO GEL - 2008
 
 Referência 
FIORELLI, Jaqueline de Moraes. A REDE COMO UM ESPAÇO DE PRODUÇÃO DE TEXTOS. In: SEMINÁRIO DO GEL, 56., 2008, Programação... São José do Rio Preto (SP): GEL, 2008. Disponível em: <http://www.gel.org.br/?resumo=4569-08>. Acesso em: dd.mmm.aaaa.
 
 Dados do trabalho 
Simpósio: GêNEROS TEXTUAIS APLICADOS AO ENSINO DE LíNGUA MATERNA
Título:
A REDE COMO UM ESPAÇO DE PRODUÇÃO DE TEXTOS
Autor(es): JAQUELINE DE MORAES FIORELLI - USP
Resumo:
O meio virtual vem sendo considerado como um espaço profícuo para a emergência de novos gêneros. Ao mesmo tempo, constatamos que, dada a sua configuração, pode contribuir para que se instalem outras possibilidades para o trabalho com a produção de texto num ambiente hipertextual. Tendo em vista uma perspectiva dialógica, a partir da visão bakhtiniana, propomos a analisar como esse espaço pode contribuir para o aprimoramento da escrita. Nossa pesquisa faz uso de um corpus coletado a partir de uma experiência didática desenvolvida com alunos do nono ano do Ensino Fundamental que possibilita que se criem outros momentos de interlocução professor/aluno e aluno/aluno. Assim, selecionamos alguns gêneros midiáticos, em especial aqueles presentes nos jornais impressos, e, por meio de seqüências didáticas, desenvolvemos atividades de produção textual na rede, propiciando que os alunos publiquem seus textos e, ao mesmo tempo, colaborem, por meio de comentários, para a reescrita de textos de colegas. Ao mesmo tempo, essa reescrita torna visível o processo de reconstrução do texto, já que todos os movimentos de retextualização permanecem registrados e podem ser acessados por todos a qualquer momento. As diferentes vozes que se confluem nesse ambiente evocam a importância de se dar peso ao que o aluno quer dizer, a ser paciente com o processo complexo da escrita (...), a ajudar a descobrir as motivações pessoais para aprender a escrever (Cf. Bazerman, 2006:36). A sala de aula, nesse sentido, amplia-se, tornando-se, como afirma Bazerman (p.57), um microcosmo sociocomunicativo. Da mesma forma, a interlocução que se estabelece entre professores e alunos, devido à interatividade possibilitada pelo virtual, dá novo sentido às práticas de escrita na escola, como ato social. Configurando-se como uma comunidade virtual de aprendizagem, esse locus suscita também um trabalho com valores, como o sentido de alteridade, cooperação e solidariedade, tendo em vista a já apontada possibilidade intervenção via comentários que um aluno faz no texto de seu colega. Essas instâncias comunicativas que se instalam levam os alunos a, a partir da leitura do texto do outro, tomar consciência do seu processo de escrita e aprimorá-lo, ao mesmo tempo que desenvolvem a percepção em relação àquilo que se diz por meio dos textos enunciados, provocando uma aproximação construtiva entre os sujeitos dessa interlocução. Como referencial para a análise, buscamos, nas contribuições de Dolz & Schneuwly (2004), uma abordagem teórico-metodológica que nos permite construir um eixo norteador para as práticas de letramento que se dão nesse espaço. Ao mesmo tempo, recorremos a Bazerman (2006;2007) que, numa abordagem social, traz-nos elementos que nos auxiliam a identificar e avaliar como o virtual pode contribuir para que o estudo a partir dos gêneros vá além de seu constructo formal e contemple uma aprendizagem que envolva o aprender a agir com outras pessoas, artefatos e ambientes (Bazerman, 2007:170).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BAKHTIN, M. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
BAZERMAN, C. Escrita, gênero e interação social. São Paulo: Cortez, 2007.
______________. Gênero, Agência e Escrita. São Paulo: Cortez, 2006.
DOLZ, J. & SCHNEUWLY, B. Gêneros Orais e Escritos na Escola. Campinas: Mercado de Letras, 2004.