57º SEMINáRIO DO GEL - 2009
 
 Referência 
ROMBALDI, Claudia Regina Minossi. OS DADOS ORTOGRáFICOS E AS PROPOSTAS ACERCA DA REPRESENTAçãO FONOLóGICA DA NASALIDADE DO PORTUGUêS BRASILEIRO E DO FRANCêS STANDARD. In: SEMINÁRIO DO GEL, 57., 2009, Programação... Ribeirão Preto (SP): GEL, 2009. Disponível em: <http://www.gel.org.br/?resumo=5367-09>. Acesso em: dd.mmm.aaaa.
 
 Dados do trabalho 
Título:
OS DADOS ORTOGRáFICOS E AS PROPOSTAS ACERCA DA REPRESENTAçãO FONOLóGICA DA NASALIDADE DO PORTUGUêS BRASILEIRO E DO FRANCêS STANDARD
Autor(es): CLAUDIA REGINA MINOSSI ROMBALDI - UFPEL
Resumo:
Este estudo tem por objetivo discutir e analisar relações entre dados de aquisição da ortografia e propostas para a representação fonológica das vogais nasalizadas de dois sistemas lingüísticos: o português brasileiro (PB) e o francês Standard (FS) e, a partir de conexões encontradas, contribuir para com a discussão teórica referente à representação da nasalidade vocálica nas duas línguas em foco neste estudo. A discussão teórica em relação ao estatuto fonológico da nasalidade vocálica centra-se em duas diferentes propostas: i) os sistemas lingüísticos apresentam vogal nasal subjacente, e ii) a nasalidade resulta de um grupo /VN/ - vogal oral seguida de elemento consonântico nasal. A interpretação da representação da nasalidade vocálica para o PB apresenta consenso no que diz respeito à constituição bifonêmica, nesse caso, a nasalidade é interpretada como sendo decorrente de um grupo /VN/ - vogal oral + elemento consonântico nasal. Conforme modelos propostos por Camara Jr. (1970), Wetzels (1997) e Bisol (2000), a nasalidade do PB seria resultante de uma estrutura CVN, ou seja, uma sílaba com rima ramificada. Mateus (1975) e Mateus e Andrade (2000) defendem a idéia de uma vogal que recebe um traço [nasal] flutuante, o qual ocupa posição no esqueleto silábico, tendo como resultado uma sílaba leve. No que concerne ao FS, existem duas principais vertentes teóricas, as quais divergem em relação à interpretação desse fenômeno: uma, de acordo com Shane (1970), traz argumentos para uma constituição bifonêmica, semelhantemente àquela do PB; a outra, de Tranel (1987), propõe a presença de nasalidade pura ou fonológica no sistema do FS, postura também defendida por Camara Jr. para essa língua (1970). Segundo Tranel (1987) essas vogais seriam subjacentemente produzidas como vogais nasais. Trabalhos tais como os de Varella (1993); Abaurre (1988, 1991, 1999); Rombaldi (2003); Pothier 2004; Chacon (2004, 2005, 2006); Cunha (2004); Adamoli (2006); Cunha e Miranda (2006); Miranda (2006, 2007) discutem as possíveis relações existentes entre o conhecimento fonológico do aprendiz e as diferentes representações ortográficas por eles utilizadas durante o processo de aquisição da escrita, chamando a atenção para a ocorrência de “vazamentos” das formas de oralidade para as formas gráficas. Com base nos resultados das pesquisas anteriormente citadas, os processos de aquisição de escrita ortográfica e de aquisição da representação fonológica são compreendidos como distintos, porém, em algum momento do processo, entrecruzáveis. Nessa perspectiva é atribuído ao dado ortográfico o estatuto de elemento que pode trazer evidências para auxiliar na interpretação da representação fonológica, bem como de elemento fornecedor de “pistas”, de acordo com Kato (1997), a respeito das estratégias de que os aprendizes lançam mão quando solicitados a escrever. Para a realização deste estudo serão descritos e analisados dados de aquisição ortográfica não convencional relativos à escrita espontânea inicial de três diferentes grupos de sujeitos: i) crianças francesas em aquisição da escrita da língua materna (LM); ii) crianças brasileiras em aquisição da escrita da LM; e, iii) adultos aprendizes de francês língua estrangeira (FLE) falantes nativos de PB em aquisição da escrita da língua estrangeira (LE). Os dados ortográficos encontrados dentre as produções escritas dos três diferentes grupos de sujeitos, se idênticos, podem contribuir para a defesa da proposta de uma representação fonológica da nasalidade vocálica similar nas duas línguas em foco, enfatizando o posicionamento de Shane (1970) para a representação da nasalidade em FS; se distintos, poderão trazer evidências para a hipótese segundo a qual as duas línguas representam a nasalidade de forma distinta: o PB, por vogal oral + elemento consonântico nasal enquanto o FS por vogal nasal subjacentemente produzida, trazendo aporte para a proposta de Tranel (1987).