57º SEMINáRIO DO GEL - 2009
 
 Referência 
FIORELLI, Jaqueline de Moraes. A PRESENÇA DO OUTRO NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO. In: SEMINÁRIO DO GEL, 57., 2009, Programação... Ribeirão Preto (SP): GEL, 2009. Disponível em: <http://www.gel.org.br/?resumo=5445-09>. Acesso em: dd.mmm.aaaa.
 
 Dados do trabalho 
Simpósio: COMPARTILHANDO EXPERIÊNCIAS SOBRE O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
Título:
A PRESENÇA DO OUTRO NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO
Autor(es): JAQUELINE DE MORAES FIORELLI - USP
Resumo:
As práticas discursivas que vêm ocorrendo no meio virtual apontam para possibilidades em relação ao aprimoramento da escrita, ao mesmo tempo que sinalizam demandas quanto ao que chamamos letramento digital. Da mesma maneira, evidenciam-se novos processos de interlocução que se estabelecem no ambiente virtual. Isso acaba por suscitar outras relações aluno/texto, já que as produções passam a ter olhares para além do produtor do texto e do professor. Essas instâncias discursivas permitem que os alunos assumam também o papel de leitores e avaliadores dos textos produzidos por colegas, ao mesmo tempo em que se criam relações de alteridade por meio dessas produções. Partindo de uma perspectiva dialógica, a partir da visão bakhtiniana, este trabalho propõe-se a analisar de que forma o espaço discursivo que se constrói na Internet contribui para o aprimoramento da escrita, usando uma ferramenta de escrita digital, conhecida como Wiki, e quais as perspectivas de aprendizagem colaborativa que os meios comunicacionais presentes na virtualidade oferecem. Para tanto, foi selecionado um corpus a partir de produções de textos realizadas com alunos de nono ano, do Ensino Fundamental Tendo em vista uma concepção de gêneros como práticas sociais que propiciam situações de letramento na escola, foi possível constatar que o meio virtual proporciona que os alunos assumam sua agência nos processos discursivos que ali se instalam. O conceito de agência é depreendido a partir de Bazerman (2005;2006), e refere-se ao engajamento que os sujeitos têm diante do ato de escrever e, de modo particular, no tocante às práticas de escrita que ocorrem dentro da sala de aula. Os alunos, imbuídos de agência, passam a dar novo sentido ao trabalho com os gêneros. Isso é corroborado por Bazerman (2005:160) ao afirmar que essa visão interacional de gêneros pode fazer com que as práticas de escrita se tornem mais significativas. Num ambiente virtual, a agência é assumida por todos, promovendo uma constante troca de papéis entre produtores e leitores dos textos. Esses processos de letramento como ações sociais deflagram a participação dos sujeitos, fazendo emergir o papel da audiência, que leva os sujeitos a retoricamente fazer suas escolhas e participar na construção do texto dos outros, aprendendo a agir reflexiva e efetivamente (Cf. Bazerman, 2007:55). Esse outro, que emerge dessa audiência que se configura no ambiente virtual, é o que Bazerman (2007:55) chama de observador íntimo, visto como alguém que, de forma solidária, compreende a luta do escritor e, ao mesmo tempo, é capaz de lhe oferecer conselhos e orientações. Esse papel que geralmente é conferido ao professor passa a ser assumido pelos alunos que, imbuídos de agência, dão novo sentido às práticas de escrita na escola. De fato, a perspectiva da audiência, por meio da publicação dos textos, gera, desse modo, uma maior consciência a respeito das conseqüências sociais que os textos carregam. Os textos analisados, por fim, apontam para algumas das possibilidades que o meio virtual oferece e indicam necessidades que a escola precisa dar conta a fim que os processos de letramento digital ocorram de modo efetivo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BAKHTIN, M. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2000. BAZERMAN, C. Gêneros Textuais, Tipificação e Interação. HOFFNAGEL, J. C.; DIONISIO, A. P. (orgs.). Tradução de Judith Chambliss Hoffnagel. São Paulo: Cortez, 2006. _____________ Gênero, agência e escrita. HOFFNAGEL, J. C.; DIONISIO, A. P. (orgs.). Tradução de Judith Chambliss Hoffnagel. São Paulo: Cortez, 2006. _____________ Escrita, Gênero e Interação Social. HOFFNAGEL, J. C.; DIONISIO, A. P. (orgs.). Tradução de Judith Chambliss Hoffnagel. São Paulo: Cortez, 2006.