57º SEMINáRIO DO GEL - 2009
 
 Referência 
SILVA, Carina Maciel de Oliveira. A LEI SECA: OS DITOS E OS NÃO DITOS DA MÍDIA. In: SEMINÁRIO DO GEL, 57., 2009, Programação... Ribeirão Preto (SP): GEL, 2009. Disponível em: <http://www.gel.org.br/?resumo=5655-09>. Acesso em: dd.mmm.aaaa.
 
 Dados do trabalho 
Título:
A LEI SECA: OS DITOS E OS NÃO DITOS DA MÍDIA
Autor(es): CARINA MACIEL DE OLIVEIRA SILVA - UFMS
Resumo:
Como é de praxe, no Brasil ou em qualquer outro país, os discursos que constituem as campanhas de divulgação e informação a respeito de temas ou assuntos polêmicos pertinentes socialmente, no nosso caso a Lei Seca, só se tornam objetos de divulgação após a sua aprovação nas instâncias federais ou estaduais. Isto não quer dizer que não tenha sido discutidos ou debatidos, anteriormente, até porque o tema ou assunto vira lei a partir de discussão com a sociedade civil e seus representantes. No caso da Lei Seca, a partir de pesquisas e dados estatísticos sobre o comportamento dos motoristas no trânsito. O discurso institucional, legal, só se constitui com a necessidade de organizar, regulamentar, prevenir, proteger determinado segmento social, no caso específico, a prevenção de acidentes de automóveis em que a posição sujeito do motorista é de alcoolizado. É importante ressaltar que antes da proposta da Lei Seca, houve ao longo de tempo, inúmeras campanhas discursivas na tentativa de interpelação e “conscientização”. Pode-se inferir que não houve resultado esperado, pois a maioria da população passou a ter conhecimento sobre tal temática depois que o assunto já era lei. Nesse sentido, o discurso da Lei Seca visa diminuir o índice de acidentes motivados pelo consumo de bebida alcoólica. Infelizmente, o hábito dos brasileiros em associar o consumo de bebida alcoólica aos momentos de lazer contribui para que o trânsito seja visto como um grave problema urbano. No entanto, o seu efeito de sentido ou eficácia, depende da divulgação não somente pelos meios de comunicação de massa, mas sobre tudo, pelos cursos de formação de condutores e campanhas em feriados prolongados. A posição discursiva na mídia possui uma certa importância apenas na medida em que ela pode “vender” ou “lucrar” com um acontecimento polêmico ou não. É notória a influência que a mídia pode exercer de uma forma ou de outra no comportamento discursivo das pessoas, mas não é determinante considerando que não há interpelação ideológica completa. Caso houvesse, não precisaria da Lei Seca. Sabe-se também que os meios de comunicação não são neutros apesar da propalada discursividade sobre objetividade e neutralidade, pois a versão os sentidos do acontecimento tem como referência não declarada e explícita, os patrocinadores e as relações de poder em questão. Assim, a proposta é analisar os sentidos que a grande mídia atribui a Lei Seca quanto a sua circulação, ao debate e ao enfoque discursivo. Isto é significativo porque de acordo com a posição discursiva da mídia que demanda efeitos de sentido, é possível compreender em alguns aspectos se há mudança no tipo de identidade dos sujeitos envolvidos, a posição sujeito do estado e a posição sujeito do motorista, considerando a dispersão do último. As reportagens escolhidas serão aquelas divulgadas em jornais e revistas de circulação nacional, uma vez que essas atingem os diversos segmentos sociais. A nossa proposta de análise se insere na linha teórica da Análise do Discurso de linha francesa por esta permitir o desenvolvimento de um trabalho capaz de proporcionar uma reflexão no limite do lingüístico com o social.