57º SEMINáRIO DO GEL - 2009
 
 Referência 
MARTINS, Raquel Márcia Fontes; GUIMARãES, Daniela Mara Lima Oliveira. EFEITOS DE FREQüêNCIA NA PRODUçãO ESCRITA DE ENCONTROS CONSONANTAIS. In: SEMINÁRIO DO GEL, 57., 2009, Programação... Ribeirão Preto (SP): GEL, 2009. Disponível em: <http://www.gel.org.br/?resumo=5728-09>. Acesso em: dd.mmm.aaaa.
 
 Dados do trabalho 
Título:
EFEITOS DE FREQüêNCIA NA PRODUçãO ESCRITA DE ENCONTROS CONSONANTAIS
Autor(es): RAQUEL MáRCIA FONTES MARTINS, DANIELA MARA LIMA OLIVEIRA GUIMARãES
Resumo:
Este trabalho tem por objetivo analisar a influência do fator freqüência na produção escrita de encontros consonantais tautossilábicos por crianças em fase de aquisição da escrita. Encontros consonantais tautossilábicos representam um desafio aos aprendizes nesse processo de aquisição. Esses encontros são formados por duas consoantes – uma consoante obstruinte seguida de uma líquida, lateral [l] ou tepe [r] – em uma mesma sílaba, como, por exemplo, pr e bl nas palavras prato e blusa, respectivamente. Neste estudo, nos deteremos aos encontros consonantais tautossilábicos formados por consoante obstruinte e a líquida tepe [r].

Além da complexidade silábica (sílaba do tipo CCV), tais encontros são sujeitos à frequente variação na fala. Alguns estudos, como Freitas (2001), foram realizados sobre o assunto, e observou-se uma relação entre a aquisição desses encontros na escrita e sua variação na fala. Essa relação sofre interferência de vários fatores, muitos deles ainda não investigados.

Dentre esses fatores, destaca-se a “frequência”. Neste trabalho, avaliaremos a influência do fator freqüência na produção escrita de encontros consonantais tautossilábicos, tendo como suporte teórico a Fonologia de Uso (Bybee, 2001). Esse modelo teórico postula que a frequência (de ocorrência e de tipo) é fundamental no direcionamento da mudança sonora na fala. Um dos postulados dessa teoria, por exemplo, é o de que palavras mais freqüentes na fala tendem a ser atingidas primeiramente por mudanças que envolvem redução, como é o caso dos encontros consonantais tautossilábicos (CRISTÓFARO-SILVA, 2000). Este trabalho se propõe a investigar efeitos de frequência na escrita de encontros consonantais, considerando tal postulado da Fonologia de Uso.
Para proceder a essa investigação, na metodologia, utilizaremos dados de escrita do corpus e-Labore (Laboratório Eletrônico de Oralidade e Escrita). O e-Labore é constituído por redações produzidas por crianças entre 5 e 12 anos, alunos de escolas públicas e particulares da cidade de Belo Horizonte (MG). Esse corpus disponibiliza as redações das crianças digitalizadas e digitadas, de modo que é possível ter acesso à freqüência de ocorrência de cada uma das palavras do corpus. Até o momento, o e-Labore consta de 821.731 ocorrências para 10.913 tipos de palavras. Como o corpus registra o material escrito pelas crianças no original e também com correção (nos casos de ocorrências de palavras escritas de forma incorreta pela ortografia), é possível ter acesso a variações na escrita das palavras.

Neste trabalho, iremos analisar tipos de encontro consonantal de consoante obstruinte e tepe mais e menos freqüentes no corpus do e-Labore. Em uma pesquisa inicial, foram identificados estes oito tipos de encontros, em ordem do tipo mais freqüente para o menos frequente : pr, tr, br, cr, gr, fr, dr, vr. Uma primeira análise com os dois tipos de encontros mais freqüentes no corpus, pr e tr ”, revelou que as palavras mais freqüentes tendem a sofrer maior variação na escrita do que as palavras menos freqüentes. Uma possível explicação para esse achado seria a de que palavras mais frequentes variam mais na escrita por terem representação mental mais forte sem a líquida no encontro consonantal (Bybee, 2001). Entretanto, é preciso investigar esse dado, analisando também tipos de encontro menos freqüentes, o que este trabalho se propõe a fazer.


Referências Bibliográficas:

BYBEE, J. B. Phonology and Language Use. Cambridge: Cambridge University Press, 2001.

CRISTÓFARO-SILVA, Thaïs. Sobre a Quebra de Encontros Consonantais no Português Brasileiro. Estudos Lingüísticos. São Paulo. Volume 29. p. 522-527. 2000.

FREITAS, E. R. Aprendizagem da estrutura silábica ccv: oralidade e escrita. Dissertação. Mestrado em Lingüística, 2001.

PROJETO e-Labore. Corpus de linguagem infantil. Disponível em: . Acesso em fev. 2009.