57º SEMINáRIO DO GEL - 2009
 
 Referência 
CABANHE, Oldemar. UM OLHAR SOBRE A PRODUÇÃO ESCRITA DO ALUNO SURDO NA OLIMPIADA DE LÍNGUA PORTUGUESA. In: SEMINÁRIO DO GEL, 57., 2009, Programação... Ribeirão Preto (SP): GEL, 2009. Disponível em: <http://www.gel.org.br/?resumo=5971-09>. Acesso em: dd.mmm.aaaa.
 
 Dados do trabalho 
Título:
UM OLHAR SOBRE A PRODUÇÃO ESCRITA DO ALUNO SURDO NA OLIMPIADA DE LÍNGUA PORTUGUESA
Autor(es): OLDEMAR CABANHE - UFMS
Resumo:
Esta comunicação, que focaliza um recorte da pesquisa em andamento, Um olhar sobre a escrita do aluno surdo na Olimpíada de Língua Portuguesa, no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens da UFMS, objetiva investigar o papel da referenciação na construção do objeto discursivo, sobretudo o da anáfora indireta, na escrita em língua portuguesa do aluno surdo. Se as questões inerentes à referenciação ainda são complexas em Língua Portuguesa, tornam-se muito mais complexas, se analisadas do ponto de vista de quem não entende a Língua de Sinais e precisa desse recurso para entender o surdo quando esse transfere seu conhecimento para o texto escrito em língua portuguesa. Esse é o principal obstáculo para os professores, não só os de Língua Portuguesa como os de qualquer disciplina, em qualquer nível de ensino. Para sustentar essa investigação assumimos os postulados teóricos de Marchuschi (2008) e Koch (2006, 2009), sobre os processos inferenciais na rede discursiva. Sabemos que a Língua Brasileira de Sinais – Libras –, a L1 dos surdos, tem uma estrutura diferente da língua portuguesa, não é fonêmica como a modalidade oral, nem alfabética, como a escrita dessa língua (L2). A sua comunicação é desenvolvida semioticamente no espaço, por meio de sinais e outros recursos gestuais, respeitando uma estrutura gramatical reconhecida e já estudada. Contudo, quando o surdo materializa essa comunicação, por meio da escrita em Língua Portuguesa, é necessário que o seu interlocutor tome posse de um cabedal de modelos semânticos e conceituais, para entender tal produção textual, principalmente se esse aluno não teve acesso a professores de Língua Portuguesa especializados e a intérpretes da Libras-Língua Portuguesa-Libras. O surdo que não tem a posse da estrutura da língua portuguesa cria então uma situação discursiva referencial cuja finalidade é ser entendido. Conforme Koch (2006), a interpretação de uma expressão anafórica, nominal ou pronominal, consiste não em localizar um segmento lingüístico (um antecedente) ou um objeto específico no mundo, mas sim em estabelecer uma ligação com algum tipo de informação que se encontra na memória discursiva. A partir desse entendimento, vamos reconhecer na escrita do surdo um texto que depende de elementos gramaticais que devem ser processados pelo leitor para fazer uma leitura coerente. Entende-se que a referência é toda a ligação entre um conceito e uma imagem acústica,constituindo o signo lingüístico, se baseando, no ponto de vista saussuriano evidentemente;logo a referência não é feita com um objeto real , mas um objeto do pensamento e se refere a uma realidade extralingüística. Koch (2006), contudo, entende a referenciação como a constituição de uma atividade discursiva. Para ela a realidade é construída, mantida e alterada não somente pela forma como nomeamos o mundo, mas, acima de tudo, pela forma como, sociocognitivamente, interagimos com ele:interpretamos e construímos nossos mundos através da interação com o entorno físico, social e cultural. Assim, quando deparamos com um texto de um indivíduo surdo, o texto vai extrapolar o mundo das regras sintáticas e gramaticais e vai depender de situações extracontextuais. Para atingir o objetivo estabelecido, serão analisados dois textos produzidos por alunos surdos do Ensino Médio, de uma escola da rede pública estadual em Campo Grande, MS, participantes do Projeto “Olimpíada de Língua Portuguesa: Escrevendo o Futuro”, proposto pelo MEC. A análise dos textos que compõem parte do corpus da pesquisa será feita de acordo com os pressupostos apresentados para esta comunicação e a partir do Caderno de Orientação, publicado pelo MEC e parceiros, para a realização das oficinas , com sugestões de trabalho com o gênero textual artigo de opinião.