50 coisas para saber sobre o GEL

O GEL (Grupo de Estudos Linguísticos do Estado de São Paulo) está comemorando o seu cinquentenário!

O que você sabe sobre ele?

Como você acha que ele pode ser aprimorado para responder a desafios do mundo atual?

Para relembrar o que já foi feito pelas centenas de linguistas que já passaram pelo GEL, foram consultados arquivos, revisões históricas e depoimentos disponíveis.

Para inspirar novos planos e caminhos, foram ouvidas propostas dos presidentes do GEL.

Esses e outros dados estão reunidos neste site 50 anos do GEL.
Mas aqui você pode conferir uma síntese de 50 informações históricas, várias curiosidades e belas sugestões para o futuro do GEL.

A lista foi feita pelos pesquisadores do CEDOCH-DL-USP e pela atual diretoria do GEL para homenagear os associados, de hoje e de ontem, desse Grupo que tão bem representa a Linguística brasileira.

1. O GEL foi fundado logo no início da formação da especialidade “Linguística” no Brasil
O GEL foi oficialmente fundado em janeiro de 1969, em reunião realizada na USP. Também naquele ano, surgiria a ABRALIN. Era um momento de bastante dinamismo dos estudos da linguagem no Brasil, que organizava suas bases institucionais. O GEL foi pioneiro nesse processo. Poucos anos antes, em 1962, o Conselho Nacional de Educação, por meio da aprovação do Parecer 283/62 de Valnir Chagas, tinha determinado a obrigatoriedade do ensino de Linguística nos cursos de Letras. Borba, Ataliba, Altman e Blikstein nos dão uma boa ideia do que estava acontecendo na área.

2. A proposta de criação do GEL partiu de Ataliba de Castilho
Geraldo Cintra nos conta que, “Em 1967, o Ataliba Castilho sugeriu a criação do GEL e da ABRALIN em um famoso seminário de linguística, em Marília. Saiu na Revista Alfa número 11. Ele propôs que se criasse uma associação nacional e uma estadual nesse seminário famoso, do qual eu tive a honra de participar, não como professor de universidade, mas como membro do Centro de Linguística Aplicada do Instituto Yázigi, que foi o primeiro centro de linguística aplicada no Brasil. E foi quando eu conheci o Ataliba. Estavam ali Mattoso Câmara, Ataliba Castilho, eu e outros”.

3. Houve participação decisiva de um filólogo na formação desta associação de linguistas
Isaac Nicolau Salum (1913-1993) participou ativamente da fundação e do desenvolvimento do GEL. Já o primeiro encontro para isso, na USP, contou com sua organização. O depoimento de Blikstein menciona a resistência que a Linguística enfrentou no Brasil ao contrapor-se, em diferentes instâncias, à Filologia. Mesmo diante dessa controvérsia, Salum e também Theodoro Henrique Maurer Jr. (1906-1979) atuariam para difundir a Linguística na USP, e foi a Salum que jovens linguistas paulistas recorreram em busca de apoio para a implementação do GEL. Os depoimentos de Ataliba, Borba, Ilari, Abaurre, Blikstein, Nascimento procuram dimensionar a importância de Salum para a formação dessa primeira rede articulada de linguistas em São Paulo.

4. A difusão da Linguística pelas faculdades de Letras do interior era um dos objetivos iniciais do GEL
No processo de institucionalização da Linguística no Brasil, houve o envio de jovens estudantes de Letras para a Europa para que recebessem formação atualizada em mestrados e doutorados em Linguística. Retornando, eles ajudaram a estruturar os primeiros núcleos de estudos linguísticos em São Paulo, na USP e na recém fundada Unicamp. Uma das ideias que pautaram a organização do GEL foi a de construir um ambiente propício à troca de experiências com professores que atuavam nas faculdades de Letras do interior. Assim, se decidiu que os seminários do Grupo iam se realizar no interior e ofereceriam cursos e outras atividades com essa finalidade de difusão. Essa decisão propiciou o engajamento de estudantes das localidades por onde o GEL passava no processo de implementação da linguística no estado. Blikstein relembra esses fatos.
Aos poucos, com a maior homogeneidade de formação e de oportunidades, essa diretriz do GEL perdeu o sentido. Manteve-se, contudo, a ideia de seminários democráticos, voltados para a discussão de variados temas, de diferentes subáreas.

5. As primeiras diretorias do GEL foram multi-institucionais
As seis primeiras diretorias do GEL reuniram docentes de diferentes universidades paulistas. Buscava-se principalmente representatividade. Mas a estratégia também foi pensada para facilitar a realização dos seminários em diferentes cidades e faculdades. As negociações com instituições particulares nem sempre foi tranquila, como nos lembra Ilari, e muitas vezes eram mínimos os recursos disponíveis nas públicas, como pontua Borba. Ter os membros das diretorias em diferentes locais podia ajudar na busca de sedes para os eventos. Com o tempo, se entendeu que ter os integrantes de cada diretoria reunidos na mesma universidade facilitava a tomada de decisões e a organização dos encontros, que, mesmo com essa mudança, continuaram a ser promovidos em variadas instituições de todo o estado

6. A participação feminina nas diretorias do GEL iniciou-se em 1975
A primeira mulher a presidir a diretoria do GEL foi Mercedes Sanfelice Risso, da UNESP de Assis, entre 1984 e 1985, em complementação ao mandato iniciado por Rafael Hoyos-Andrade em 1983. A primeira mulher a integrar uma das diretorias foi Maria Teresa de Camargo Biderman (1936-2008), entre 1975 e 1977.

7. As lideranças femininas têm atuação cada vez mais marcante no GEL
Depois da pioneira Mercedes Risso, em 1984, outras 10 mulheres ocuparam a presidência do Grupo: Maria Bernadete Abaurre, Edna Nascimento, Clélia Jubran, Cristina Altman, Raquel Fiad, Gládis Barcellos Almeida, Ieda Alves, Rosana Novaes, Luciane de Paula e Luciani Tenani.
Nos últimos 10 anos, isto é, desde 2009, apenas mulheres têm ocupado o cargo.
A primeira diretoria do GEL exclusivamente feminina foi composta por Maria Bernadete Abaurre, Marisa Lajolo, Maria Augusta Bastos de Mattos e Maria Cecília Perroni, da Unicamp, entre 1987 e 1989. Também se compuseram assim as diretorias de:
2001 a 2003: Cristina Altman, Angela Rodrigues, Cristina Pietraróia e Anna Maria Grammatico Carmagnani
– 2003 a 2005: Raquel Salek Fiad, Maria Irma Hadler Coudry, Inês Signorini e Maria Filomena Spatti Sandalo
– 2015 a 2017: Luciane de Paula, Lúcia Regiane Lopes-Damasio, Rozana Aparecida Lopes Messias e Karin Adriane Henschel Pobbe Ramos.

8. Os primeiros seminários do GEL eram semestrais
Fundado em janeiro, o GEL já promoveu em fevereiro de 1969 o seu primeiro seminário. Estiveram presentes, segundo Borba, todos os seus cerca de 20 fundadores. A primeira diretoria realizou, ao todo, 5 encontros. A segunda, 4; e essa ficou sendo a meta estabelecida para as demais equipes que se sucederam na condução do Grupo. A partir dos anos 1990, como nos lembra Fiorin, se constatou ser impraticável a manutenção de encontros semestrais. Então eles passaram a ocorrer anualmente, até 2018, quando a Assembleia Geral do GEL enxergou como mais viável a promoção de seminários bienais, a partir de 2020 – uma forma de reforço à qualidade e à relevância dos encontros.

9. Os primeiros seminários do GEL reuniram poucos participantes
Edna Nascimento relembra o começo de articulação da nova especialidade em São Paulo: “…eram pouquíssimos pesquisadores que participavam de seus encontros. Lembro-me de um GEL em Franca, talvez 1970, no colégio Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus, em que as discussões se deram em torno de uma única mesa oval na qual cabiam todos os participantes. Os professores doutores ocupavam lugares junto à mesa e nós alunos, em geral de pós-graduação, nos sentávamos atrás e só ouvíamos sem ousar interromper a fala dos mestres. Uma das mesas de que me lembro versava sobre o Alfabeto Fonético Internacional, a outra, a que também assisti, cogitava se os poucos trabalhos apresentados para o pequeno público deveriam ser publicados. A primeira publicação do GEL, os Estudos Linguísticos, número 1, um pequeno volume de cem páginas, data de 1978…”

10. O GEL inspirou a criação de associações semelhantes
Outras associações regionais se organizaram sob inspiração do GEL. Sebastião Carlos Leite Gonçalves observa que “O GEL serviu de exemplo a associações como o GELNE (Grupo de Estudos Linguísticos do Nordeste, fundado em 1977), o CELSUL (Círculo de Estudos Linguísticos do Sul, em 1995), o GELCO (Grupo de Estudos de Linguagem do Centro-Oeste, em 2000), o GELOPA (Grupo de Estudos Linguísticos do Oeste do Pará, em 2008), o GELLNORTE (Grupo de Estudos Linguísticos e Literários da Região Norte, mais recentemente), e outras associações já extintas ou desativadas, como a ASSEL-RIO (Associação de Estudos Linguísticos do Rio de Janeiro) e o CELLIP (Centro de Estudos Linguísticos e Literários do Paraná).”


11. O número de participantes dos seminários já foi registrado “por cima” nas atas, porque não era um dado tão relevante
Nos anos 1970, os seminários recebiam poucos participantes, contados “por cima” em algumas atas do GEL. A quantidade oscilava principalmente em função do número de estudantes da instituição sede e das redondezas. Já a partir dos anos 1980, as atas começam a registrar um aumento do quadro de associados e participantes dos seminários. Dos anos 1990 em diante, esse aumento se torna um problema: além das questões relacionadas à qualidade acadêmica das propostas, ele causa preocupações com a logística dos encontros, que passam a exigir, cada vez mais, um planejamento detalhado da estrutura necessária, como apontam os depoimentos de Altman, Mauro e Fiad, por exemplo. A busca por um equilíbrio entre o caráter historicamente democrático do GEL e a qualidade da programação dos seminários tornou-se uma questão central.

12. Houve um projeto de coletâneas de textos chancelados pelo GEL
Nas primeiras atas do GEL, mencionava-se o projeto de organização de uma coleção de textos linguísticos de relevância traduzidos para o português. Essa ideia, até onde se sabe, não se concretizou, embora, pelas atas, pareça ter começado a ser executada. Ilari menciona esse projeto. Ao que parece, seria algo parecido com o que Marcelo Dascal (1940-2019) faria posteriormente ao organizar os Fundamentos Metodológicos da Linguística.

13. Os Estudos Linguísticos: Anais de Seminários do GEL aparecem em 1978
A ideia de elaborar uma publicação relacionada aos seminários do GEL surge sob a gestão de Alceu Dias Lima, entre 1975 e 1977. A sugestão era publicar um boletim, que acabou desembocando na produção dos Estudos Linguísticos: Anais de seminários do GEL, a partir de 1978, pela diretoria seguinte. Como nos lembra Ilari, o processo envolveu os dirigentes da Universidade de Mogi das Cruzes. A partir daí, custear os Estudos Linguísticos passou a ser também uma das atribuições das instituições sedes dos seminários do GEL.

14. O equilíbrio financeiro do GEL demandou esforços de todas as diretorias
Administrar financeiramente o GEL sempre demandou atenção das diretorias. Uma situação quase anedótica foi vivenciada pela diretoria de 1993 a 1995, composta por Geraldo Cintra, Maria Adélia Ferreira Mauro, Guiomar Calçada e Waldemar Ferreira Netto: o país passava por um período economicamente muito turbulento, com a moeda tendo sido substituída por três vezes consecutivas. Além das dificuldades comuns de financiamento e gestão de recursos, deu bastante trabalho a eles reportar os valores envolvidos na produção dos Anais e do evento de forma clara… porque nada havia sido programado com a mesma moeda!

15. O aniversário de 10 anos do GEL foi comemorado antecipadamente, em 1978
O décimo aniversário do Grupo foi celebrado antecipadamente, em 1978, durante o XIX Seminário do GEL, realizado em Mogi das Cruzes. Apesar do aparente equívoco, os relatos são de uma festa memorável, como lembra Ilari.

16. Foram realizadas homenagens a Theodoro Henrique Maurer Jr (1906-1979) e Nicolau Salum (1913-1993) em seminário de 1978
Em reconhecimento à importância de ambos para o desenvolvimento dos estudos linguísticos em São Paulo e no Brasil, foram organizadas homenagens a Maurer e Salum durante o XIX Seminário do GEL. Os relatos são de que houve momentos emocionantes nas homenagens, que incluíram os “discursos longos, mas brilhantes de ambos”, como nos conta Ilari. O evento também propiciou a produção de um belo álbum de fotos.

17. O CEDAE dispõe de um exemplar do álbum de fotografias do 10º. Aniversário do GEL
Um álbum de fotografias foi feito com imagens do XIX Seminário do GEL. Veja algumas dessas fotos, disponíveis no “Fundo GEL” do CEDAE-UNICAMP.

Foto: Abertura do GEL, 1978, Mogi das Cruzes. Em pé, Rodolfo Ilari, à direita, ao final de mesa, Isaac Nicolau Salum e Theodoro Henrique Maurer Jr.
Fonte: Fundo GEL, CEDAE-IEL-UNICAMP.


Foto: Seminário do GEL, 1978, Mogi das Cruzes. Da direita à esquerda: Carlos Franchi, Jonatas Conceição, Sírio Possenti, Wanderley Geraldi e Borges Neto.
Fonte: Fundo GEL, CEDAE-IEL-UNICAMP.
Foto: Seminário do GEL, 1978, Mogi das Cruzes.
Fonte: Fundo GEL, CEDAE-IEL-UNICAMP.
Foto: Seminário do GEL, 1978, Mogi das Cruzes.
Fonte: Fundo GEL, CEDAE-IEL-UNICAMP.

18. Conforme o GEL crescia, as atividades dos seminários se diversificavam
O formato dos seminários tem variado ao longo dos anos. Os convidados para as principais sessões dos primeiros eventos apresentavam “relatórios”, depois chamados de conferências. A partir de 1970, foram organizadas mesas-redondas também. Em 1971, apareceram cursos voltados para estudantes, que foram descontinuados entre 1983 e 2015. Com o adensamento da iniciação científica no Brasil, a sessão de painéis seria fixada na programação. Dentro das variações encontradas, sempre tem havido sessões plenárias, com temas e convidados de destaque no momento, e sessões simultâneas em que se comunicam resultados de pesquisas.

19. Os Estudos Linguísticos: Anais de Seminários do GEL se avolumaram muito ao longo do tempo
Foi publicado em 1978 o primeiro volume dos Estudos Linguísticos: Anais de Seminários do GEL. O nome foi proposto por João Wanderley Geraldi. Esse primeiro volume reúne trabalhos apresentados em seminários anteriores, um histórico da associação feito por seu presidente, Rodolfo Ilari, com uma síntese da programação dos 18 seminários realizados até então.
A publicação foi se avolumando com os anos, uma vez que aceitava as diferentes contribuições daqueles que tinham se apresentado nos eventos. Há números com mais de mil páginas…
Apenas nos anos 1990 teve início um processo de seleção mais rigorosa dos textos, inclusive como forma de viabilizar a manutenção da publicação. Mais adiante ainda, tornou-se digital (em CD-ROM), e, em 1999, com a ampla reestruturação de sua política editorial, deu origem à revista Estudos Linguísticos.

20. Os 20 anos do GEL foram celebrados na USP, com a organização de diretoria da Unicamp e com homenagem “à pessoa” Isaac Nicolau Salum
Como relembra Bernadete Abaurre, em 1989 seriam comemorados os 20 anos do GEL: “Esse seminário (2 a 3 de junho de 1989) foi então, como não poderia deixar de ser realizado na cidade de São Paulo, hospedado pela USP, berço do GEL. […] Seguiu-se a homenagem ao Professor Salum. Após discurso por mim proferido, houve a entrega a ele de uma placa comemorativa de prata e de uma muda de cedro plantada em terra de Muzambinho, cidade muito cara ao professor, que ali iniciou seus estudos. Essa foi uma homenagem sincera por parte da nossa diretoria, pois naquele momento o Gel queria fazer mais do que prestar mais uma homenagem ao Professor Salum, além das muitas que ele já havia recebido ao longo de sua vida. Não se tratava, a nosso ver, de fazer apenas mais um balanço da sua contribuição para os estudos de filologia e para a consolidação dos interesses pelos estudos linguísticos no Estado de São Paulo. Optamos, então, por dar um caráter mais humano ao nosso gesto, que pretendeu homenagear não apenas o grande e respeitado acadêmico, mas também – e sobretudo! – a pessoa de Isaac Nicolau Salum.”

Da esquerda para a direita: Maria Bernadete Marques Abaurre (UNICAMP),  João Alexandre Barbosa (USP), Isaac Nicolau Salum (USP).
Foto cedida por Maria Bernadete M. Abaurre.


21. Os 25 anos do GEL propiciaram um balanço historiográfico da sua produção linguística
Os 25 anos do GEL, celebrados em 1994, na USP, contaram com programação especial, que incluiu sessão em que se apresentou um Mapeamento historiográfico da produção linguística nos 25 anos do GEL, elaborado por Altman et al., no qual se analisam dados relativos 845 comunicações de pesquisa publicadas entre 1978 e 1992 nos Estudos Linguísticos: Anais de seminários do GEL.

22. Um índice de autores e outro de temas de trabalhos apresentados no GEL foram elaborados nos anos 90
Com o aumento do número do número de artigos publicados nos Estudos Linguísticos: Anais de Seminários do GEL, mostrou-se necessária para a diretoria presidida por Edna Nascimento a organização de um Índice Temático e outro de Autores de textos nessa publicação. Além de, com o tempo, ganharem valor de documentos históricos, na ocasião eles propiciaram uma percepção mais clara dos interesses daquele grupo de sócios do GEL.

23. A revista Estudos Linguísticos nasceu em 1999, com uma política de seleção de trabalhos apresentados nos Seminários do GEL
Consta do volume de 1999 da Estudos Linguísticos a seguinte nota: “Até o volume 23, 1994, publicavam-se todos os trabalhos apresentados nos Seminários do GEL. A partir do volume 24, 1995, só se publicam os trabalhos selecionados pelo Conselho Editorial. Em função disso, eliminou-se, a partir deste volume, o subtítulo Anais de Seminários do GEL, que caracterizava a revista até 1998.
Este volume contém os trabalhos apresentados no XLVI Seminário/1998, Unesp – São José do Rio Preto – SP”.
Roberto Gomes Camacho presidia o GEL naquele momento. Na gestão de Raquel Fiad (2003-2005), a revista Estudos Linguísticos se tornou eletrônica. Hoje mantém explícita política de seleção, indexação ampla e boa classificação no Qualis periódicos.

24. Alguns sócios estiveram mais de uma vez na diretoria do GEL
A vitalidade do GEL e sua manutenção como associação relevante ao longo dos últimos 50 anos sem dúvida se deve à atuação de seus sócios, que o mantêm financeiramente, afluem aos seus seminários, contribuem para as suas publicações. Uma parcela desses sócios, além disso, tem se revezado na administração efetiva do Grupo, ocupando sua diretoria, sempre com o espírito de prestação de serviço à Linguística em São Paulo e no Brasil. Alguns sócios, como Ataliba de Castilho, Francisco da Silva Borba, Carlos Franchi, Rony Farto, Roberto Camacho, Ieda Maria Alves, repetiram a experiência de compor uma diretoria do GEL, traduzindo, em mais de uma oportunidade, os anseios da comunidade em realizações que fortaleceram o Grupo.

25. Só nos anos 2000 foi criada uma comissão científica para a avaliação de resumos
Depoimentos apontam que sempre houve alguma política de seleção de trabalhos a serem apresentados no GEL. A instituição formal de uma comissão científica para avaliar os resumos submetidos deu-se no começo dos anos 2000 e gerou mal-estar naquele momento, como nos conta Raquel Fiad.

26. Disquetes, CDs, pendrive, site…
Uma inovação tecnológica foi implementada pela diretoria de 1995 a 1997: o recebimento dos resumos das propostas de trabalho em formato eletrônico, encaminhados em disquete, via Correios. Também nessa gestão foi incorporado um logotipo para o GEL desenhado por um funcionário da pós-graduação em Linguística da Unicamp, como assinala Possenti, então presidente do Grupo. Muito se caminharia até a implementação do site, o estabelecimento de uma identidade visual, a informatização de todos os processos que envolvem o funcionamento administrativo e acadêmico do GEL, de seus seminários e de suas publicações. Os depoimentos de Possenti, Fiad, Gonçalves, Barcellos Almeida dão ideia do quão custoso é o processo de se manter o GEL (que hoje tem até perfil em redes sociais e canal no Youtube) na vanguarda tecnológica.

27. Um novo periódico do GEL
Na gestão de Clélia Jubran (1999-2001), houve a proposta de criação da Revista do GEL. Diferentemente da Estudos Linguísticos, a nova publicação – que ganhou um número experimental em homenagem a Carlos Franchi na gestão seguinte, de Cristina Altman – funcionaria, desde o começo, com uma política editorial de alta seletividade, a composição de um comitê científico amplo e internacional e a articulação regular de equipes multi-institucionais como comissão editorial executiva.
É uma publicação quadrimestral, amplamente indexada e alocada no estrato B das últimas versões do Qualis periódicos.
Foram seus editores, até o momento, Cristina Altman (USP), Arnaldo Cortina (UNESP-Araraquara), Alessandra Del Ré (Unesp-Araraquara), Olga Coelho (USP), Flávia Hirata-Vale (UFSCar) e Matheus Schwartzmann (Unesp – Assis).


28. Os aniversários de 30, 40 e 50 anos se realizaram em gestões da Unesp de São José do Rio Preto
Em função do revezamento das universidades públicas paulistas na diretoria, os aniversários correspondentes aos 30, 40 e 50 anos de existência do GEL foram celebrados sob a organização de docentes da Unesp de São José do Rio Preto.

Boletim comemorativo dos 30 anos do GEL


O aniversário de 30 anos mereceu a publicação do volume GEL 30 Anos. Boletim Comemorativo, com histórico detalhado, organizado por
Roberto Gomes Camacho, Erotilde Pezatti, Marize Hattnher e Cristina Carneiro Rodrigues. A publicação reuniu e organizou dados dispersos em revisões históricas e em outros documentos.

Capa do livro “GEL: 40 anos de história na Linguística brasileira”, 2009.

A comemoração dos 40 anos, em 2009, resultou no livro GEL: 40 anos de história na Linguística Brasileira, com textos de diferentes autores e tabelas-síntese de dados sobre o Grupo.  

A coincidência se mantém para o cinquentenário, para o qual, sob o comando de Luciani Tenani, atual presidente, entre outras coisas, se organizou um seminário com programação especial e, em parceria com o CEDOCH-DL-USP, um Caderno Comemorativo dos 50 anos do GEL e um
site específico, já recheado de informações históricas e atuais sobre o GEL.

Página inicial do site comemorativo dos 50 anos do GEL:
www.gel.org.br/50anos/

29. A UFSCar entrou no rodízio das diretorias do GEL em 2009
Como destaca Gladis Maria de Barcellos Almeida, “28 de agosto de 2009 foi a primeira vez, em 41 anos, que uma universidade federal assumiu a direção do GEL”. Também na condução dos periódicos do GEL a contribuição luxuosa da UFSCar se faz enfaticamente presente desde então.

30. Em 2012, um inesperado adeus ao psicólogo César Ades (1943-2012) e à filóloga e linguista Rosa Virgínia Mattos e Silva (1940-2012)
Convidado para uma das mesas-redondas do Seminário do GEL de 2012, na qual estaria ao lado Eleonora Albano e Didier Demolin, o psicólogo egípcio naturalizado brasileiro César Ades (1943-2012) faleceu após um atropelamento, em março daquele ano.
O seminário teve como uma de suas conferencistas a filóloga e linguista baiana Rosa Virgínia Mattos e Silva (1940-2012), que faleceria dez dias depois de sua apresentação, como nos lembra Ieda Maria Alves. Intitulada O difícil fazer de uma edição crítica de um manuscrito medieval: relato de uma experiência, esse talvez seja o último registro (disponível no CEDAE-UNICAMP) da brilhante professora Rosa Virgínia em atividade.

31. O GEL é um espaço para iniciar-se na discussão linguística
Pesquisadores experientes, pós-graduandos e graduandos participam do GEL. A exposição de trabalhos de graduandos em painéis é um momento destacado na programação. Muitos linguistas de São Paulo e do Brasil tiveram no GEL sua primeira experiência de exposição e discussão de pesquisa. Waldemar Ferreira Neto assim comenta esse fato: “De uma maneira geral, o GEL sempre manteve a característica fundamental de ser um espaço, hipoteticamente regional, destinado à iniciação acadêmica, seja de alunos, seja de docentes. É um dos primeiros passos fora da casinha”.

32. Uma homenagem do GEL acabou ficando para depois
A ata do 63° seminário do GEL aponta que no seminário anterior houve homenagem ao professor Ataliba de Castilho, na qual lhe outorgaram o título de sócio emérito, em função de ele ter sido idealizador, fundador e incansável incentivador do GEL e também em reconhecimento ao seu monumental trabalho como linguista. Mas o ato acabou restando como homenagem simbólica, já que a outorga efetiva do título implicaria mudança no estatuto…

33. As questões de ensino sempre mereceram a atenção do GEL
Já nos primeiros encontros do GEL desponta a preocupação dos participantes com o ensino linguístico. Ainda despontam como marcantes em sua programação os estudos em linguística aplicada “ao ensino” e áreas congêneres. Mesmo a Revista do GEL, publicação descolada dos seminários, apresenta produções assim caracterizadas e está elencada no Qualis periódicos também entre as publicações relevantes da área de Educação, o que revela um reconhecimento daqueles especialistas da importância do que se produz no âmbito do GEL.


34. Os estudos literários têm presença garantida na programação e nas publicações do GEL
O GEL entende como prioritário o diálogo com os estudos literários. Embora os caminhos institucionais dos dois grupos tenham naturalmente se separado, a conversa entre linguistas e literatos sempre foi incentivada no GEL. Roberto Camacho nos fala dessa relação no primeiro momento em que esteve na diretoria: “Uma curiosidade dessa gestão e também da seguinte, sob a presidência da colega Bernadete Abaurre, foi a de destinar o cargo de Vice-Presidente a um docente da Teoria Literária: aqui em Rio Preto, ao Ismael; lá no IEL, à Marisa Lajolo. Esse modo de constituição mostra bem como era significativa até então a participação dos colegas da literatura nos Seminários do GEL. Tanto era que, nessa gestão do Ermínio Rodrigues, de que participei como Tesoureiro, discutiu-se a possibilidade de acrescentar mais um L à sigla.” Nos seminários, na Estudos Linguísticos e na Revista do GEL regularmente aparecem artigos da área de estudos literários.

35. É tradicional a participação espontânea de pesquisadores de outros estados nos seminários do GEL
Além de ter servido de inspiração para entidades congêneres em outras regiões do país, a projeção do GEL no cenário dos estudos linguísticos brasileiros levou a que, desde os anos 1970, seja comum e contínua a participação nos seminários de pesquisadores de outros estados. Os participantes de outros estados no último encontro do GEL, na Unesp de São José do Rio Preto, chegaram a um terço do total.

36. Os minicursos voltaram à programação dos seminários do GEL
A preocupação em contribuir para a formação sólida e atualizada dos estudantes de Letras (e também docentes) levou a que fossem reimplementados os cursos de curta duração na estrutura dos Seminários do GEL a partir da gestão de Rosana do Carmo Novaes Pinto. A prática, comum nos primeiros seminários do Grupo, foi descontinuada, entre outras razões, por causa do enorme aumento no número de comunicações, que passaram a ocupar quase todo programa. Voltando, os minicursos têm propiciado atualização em variadas subáreas e temáticas da Linguística e das áreas com que ela mais dialoga.

37. Parte da documentação oficial do GEL está arquivada no CEDAE-UNICAMP
As atas, os documentos dos seminários (programações, cartazes, correspondências, relatórios), a correspondência, as antigas fichas de associados, fotos, as versões impressas dos periódicos estão arquivados no Centro de Documentação Alexandre Eulálio, CEDAE, do IEL-UNICAMP. Parte dessa documentação está disponível no site do CEDAE para consulta, mediante cadastro. Toda a coleção está disponível para consultas e reproduções no Centro.

38. O GEL promoveu seus Seminários em 22 cidades diferentes
Os 67 seminários já promovidos pelo GEL foram realizados em 22 cidades diferentes do Estado de São Paulo, em alinhamento com a proposta inicial de difundir ideias e práticas da Linguística por todo o estado. As cidades foram: Araçatuba, Araraquara, Assis, Avaré, Batatais, Bauru, Campinas, Franca, Jaú, Lins, Lorena, Marília, Mogi das Cruzes, Piracicaba, Ribeirão Preto, Santo André, Santos, São Carlos, São José do Rio Preto, São Paulo, Taubaté e Tupã.

39. O GEL tem refletido os diálogos da Linguística com outras disciplinas
A programação e as publicações do GEL registram as interações da Linguística com diferentes áreas, como a Antropologia, a Matemática, a Computação, a Educação, a Psicologia e a Psicanálise, a Etnologia, a Sociologia, a História etc. Ilari nos conta um pouco dos momentos iniciais desses diálogos no contexto brasileiro: “a década de 1970 foi também a da descoberta das interdisciplinas: em primeiro lugar a sociolinguística e a psicolinguística, e, aos poucos, inúmeras outras linguísticas que tinham um pé fora do cânone fonologia-morfologia-sintaxe recomendado pelo estruturalismo. Em suma, a década de 1970 foi um período de diversificação de tendências, e o GEL, que começava então a atrair as atenções dos estados vizinhos, contribuiu para essa diversificação como uma caixa de ressonância familiar e eficaz”.

40. O GEL pode ajudar a ampliar os diálogos interdisciplinares da Linguística
Waldemar Ferreira Netto e Izidoro Blikstein falam das vantagens que haveria se o GEL explorasse ainda mais uma característica sua, a da interdisciplinaridade. Izidoro cita a necessidade de os linguistas voltarem a falar para uma comunidade mais ampla, dado o papel central da linguagem nos assuntos do Homem. Para o professor Waldemar, por não fomentar “panelinhas teóricas”, o GEL permite desenvolver trabalhos interdisciplinares, como tem ocorrido “em encontros internacionais, muito distantes e nem sempre com publicações acessíveis, ou em encontros temáticos com divulgação mínima, o que os torna igualmente inacessíveis”.

41. Teorias podem ser desenvolvidas no âmbito do GEL
A articulação de teorias linguísticas também entra no planejamento para o futuro do GEL. Ataliba de Castilho explica a proposta: “Tenho repetido que desde sempre a Linguística brasileira se apoiou em modelos teóricos gerados no exterior. Não poderia ser diferente, pois as teorias surgem habitualmente da empiria, e nosso conhecimento da realidade linguística do Estado era então bastante escasso. Mas já agora, passados 50 anos, dispomos de um bom conhecimento do Português do Brasil, das línguas indígenas e das modalidades de contato linguístico, no Estado e no país. Estamos preparados para o desenvolvimento de generalizações com base nesse material. O GEL poderia liderar um movimento no sentido da criação de um Programa Interinstitucional de Doutoramento em Teoria da Linguagem. Esse programa seria interinstitucional, pois uma só universidade não pode dar conta de suas exigências”.


42. O GEL pode impulsionar a formação de grupos de pesquisa
Borba enxerga a possibilidade de um melhor aproveitamento das interações propiciadas pelo GEL: ele alavancaria “a pesquisa conjunta, que realmente faz avançar a ciência linguística em nosso país, e não tão somente a pesquisa individual […]. Como exemplos concretos […], cito o grande conjunto de pesquisadores que, sob a coordenação do Ataliba, trabalhou por mais de duas décadas na descrição do português culto falado no Brasil e de que resultaram não apenas teses, mas também vários ensaios e gramáticas publicados. Eu também, que sempre trabalhei com a língua escrita, consegui, com dez colegas do Departamento de Linguística da FFCL de Araraquara, e a partir do levantamento em fichinhas, montar o Dicionário Gramatical de Verbos do Português Contemporâneo do Brasil, publicado em 1990 […]”.

43. O GEL pode funcionar como um evento-escola
O GEL tem contado com “monitores”, em geral, alunos da graduação e da pós-graduação das instituições sedes, que atuam nos seminários e em outras frentes. Isso é visto por Gládis Barcellos Almeida como uma forma estimulante de aproximar as novas gerações da história e da dinâmica atual de funcionamento do Grupo: “Um fato marcante que podemos destacar em nossa diretoria foi a digitalização e publicação, no site do GEL, de todos os Cadernos de Resumos e os Anais dos Seminários […]. Como os monitores que digitalizavam cada exemplar eram nossos alunos de graduação, esse fato foi muito significativo, pois eles passaram a enxergar aqueles textos que digitalizavam com outro olhar e, a cada página, a cada material reencadernado, o respeito pela história da Linguística no Brasil aumentava. Por aqueles olhos jovens e brilhantes repassaram todos os textos dos nossos mestres… E esse encantamento nenhuma aula de introdução à Linguística foi (é) capaz de oferecer”.

44. O GEL pode manter o papel que tem no cenário nacional
Cristina Altman destaca, como perspectiva para o Grupo, que “O GEL deve continuar promovendo encontros dentro da região de atuação dele, conversar com as outras associações regionais, promovê-las, estimulá-las etc… O intercâmbio possível, porque o futuro está nessa jovem meninada que pela primeira vez ouve falar dessa especialidade, daquela teoria, e assim por diante”.

45. O GEL pode ajudar a contradizer a chamada “inessencialidade” das ciências humanas
O fortalecimento do GEL como fórum de discussão qualificada poderia contribuir para alterar as formas de produção acadêmica atuais. Fiorin avalia que “A produção acadêmica começa a estiolar-se por causa da exigência de um grande número de publicações por ano. Não há tempo de debruçar-se sobre trabalhos mais longos e essa publicação sem fôlego torna-se dispensável. […] Os seminários deveriam funcionar com simpósios sobre temas e não com comunicações isoladas. É preciso que os que apresentam trabalhos participem de fato do seminário. É necessário fortalecer certas áreas, que, nos últimos anos, não têm sido muito prestigiadas. Acima de tudo, é preciso acabar com as querelas entre os pesquisadores das diversas áreas, os adeptos desta ou daquela linha teórica. Afinal, se crescemos muito, somos ainda fracos. E num mundo marcado pelo que Marilena Chauí chama a inessencialidade das ciências humanas, não podemos digladiar-nos em torno de questões menores. Cada uma das diferentes áreas e linhas teóricas aporta uma contribuição para o entendimento da linguagem e, portanto, cada uma delas tem seu valor, seu alcance, seus limites. O que temos que fazer é proclamar que as Letras têm um papel fundamental no processo civilizatório. Neste momento, nosso país está precisando bastante restabelecer (ou estabelecer) ideais civilizatórios. Essa é nossa missão”.

46. O GEL pode ligar-se mais fortemente às questões da pós-graduação
Para Eduardo Guimarães, passada a fase de difusão de ideias linguísticas em um contexto em que elas eram desconhecidas, a atuação do GEL hoje pode contribuir para incrementar a pesquisa e a reflexão na pós-graduação. “Trata-se mais de pensar não na formação de linguistas num momento em que havia poucos linguistas com formação específica, como no início, mas de pensar no modo de contribuir para o andamento de um debate aberto, consistente, entre diversos domínios disciplinares, sem uma tomada de posição prévia sobre o que deve ou não ser feito. O domínio da pesquisa e da reflexão de nível pós-graduado poderia contar com o GEL como um modo de fazer circular a pesquisa produzida, tanto para a comunidade científica específica, como para a sociedade de modo geral. Que papel podemos ter na questão da Educação brasileira de modo consistente, sem cair nas facilitações nem em dogmatismos que esterilizam tanto a produção de conhecimento quanto a presença deste conhecimento no corpo social?”


47. A causa do ensino de língua materna deve congregar os associados ao GEL
Outra proposta para a continuidade das atividades do GEL vem de Bernadete Abaurre: “Sabemos que desde pelo menos o início da década de oitenta do século passado um número cada vez maior de linguistas brasileiros se tem engajado nessa cruzada pela melhoria do ensino no país. Os Anais dos seminários do GEL são fiéis testemunhas do envolvimento de muitos de nós com a questão do ensino de língua materna, dado o alto número de trabalhos dedicados ao tema ao longo das últimas décadas. Nos dias atuais, o risco de retrocesso com relação às conquistas já duramente alcançadas é, no entanto, não só real como iminente, e o GEL, enquanto associação reconhecida, poderia desempenhar um papel de suma importância, não apenas como porta-voz das nossas angústias perante toda a sociedade brasileira, mas também congregando seus associados em torno de um objetivo comum: lutar para que a contribuição já prestada por tantos linguistas à causa da alfabetização e do ensino de língua materna não seja, agora, descartada como mero fruto do que muitos consideram, de forma equivocada, uma ‘ideologia’ que deve ser feroz e irracionalmente combatida por quem não dispõe dos conhecimentos mínimos desejados para discutir tecnicamente questão de tamanha importância.”

48. É tradição do GEL posicionar-se diante de questões sociais, políticas e acadêmicas brasileiras
O GEL tem se comprometido não apenas com o desenvolvimento da Linguística, mas também com a luta pela democracia no Brasil. São vários os momentos em que se pronunciou publicamente em defesa de causas politicamente relevantes. Um exemplo disso está registrado na Ata da Assembleia Geral de 6 de novembro de 1981: “Em seguida o presidente [Eduardo Guimarães] fez saber aos presentes que, por ocasião da crise da Unicamp em outubro de 1981, fez uma manifestação oficial de repúdio à intervenção do governo, nomeando diretores estranhos ao corpo da universidade, resultando que o Instituto de Estudos da Linguagem daquela universidade foi uma das unidades atingidas. Neste momento, a professora Diana Pessoa de Barros sugeriu que se fizesse uma moção dos associados do GEL pedindo a recondução dos diretores atingidos. A sugestão foi aprovada, e a diretoria do GEL foi encarregada de redigir a moção e solicitar que os sócios presentes ao seminário a assinassem para em seguida encaminhá-la para o comitê de defesa da Unicamp.”

49. Há desafios políticos atuais a serem enfrentados hoje pelo linguista brasileiro
Roberto Camacho salienta que, do ponto de vista acadêmico, muitas são as conquistas para a Linguística brasileira a serem celebradas nesses 50 anos do GEL. Para ele, assim como para Ieda Maria Alves, um dos principais desafios atuais se situa na esfera política, pois houve “a instalação de uma política francamente neoliberal, algo parecido a uma bomba de efeito retardado detonada no passado, especialmente porque o próprio sistema econômico vem revendo atualmente, no mundo todo, as políticas ortodoxas do neoliberalismo, consideradas boas para o mercado e para o bolso dos investidores, mas nefastas para a população em geral, especialmente para a camada de baixa renda. Esse novo ciclo da história contemporânea afeta particularmente as próprias universidades públicas, que correm o risco de perder aos poucos a legitimidade fundada na ideia de autonomia do saber diante do Estado, legitimidade essa obtida a duras penas ao longo de sua história. É necessário refletir sobre como o modelo privatista que vem sendo aos poucos implantado afetará a ciência e a tecnologia do Estado de São Paulo e do Brasil; penso que o GEL e as demais associações científicas têm um papel importante a desempenhar como centros organizadores de uma reflexão e de uma ação política, especialmente porque está na própria natureza de seus associados a capacidade de denunciar as estratégias discursivas assumidas pelos responsáveis por essas políticas deletérias e, no que lhe couber, de propor medidas práticas capazes de provocar reação e combate a esse verdadeiro estado de exceção”.

50. É preciso manter o clima acolhedor do GEL
A manutenção de um clima amigável nos eventos também aparece como um alvo para o GEL. Para Ilari, “chega a parecer um milagre que os seminários tenham conservado uma característica que vem desde os primeiros tempos, e que sempre ajudou não só a recrutar novos associados, mas sobretudo a atrair gente que se interessa pelos tais “estudos linguísticos” (o que quer que isso tenha sido ao longo do tempo e seja agora): a convivência desarmada e alegre, por alguns dias, de alunos da graduação sem grilos, mestrandos e doutorandos cheios de grilos, e docentes de todas as idades (alguns, por que não, claramente em processo de dinossaurização), sob a bandeira do interesse comum pela linguagem e, cada vez mais, pela língua que falamos. Criar esse ambiente foi uma grande conquista coletiva do GEL, e é uma bênção que ele tenha se conservado até aqui. Cabe a todos nós garantir a esse ambiente – e a tudo mais que o GEL significa – uma longa sobrevivência.”

AUTORES
(CEDOCH-DL-USP)
Olga Coelho
Ênio Sugiyama Júnior
Rogério Nobrega
Bruno Fochesato
Maryellen Cruz
Isadora Vaz


AGRADECIMENTOS A:

DIRETORIA DO GEL – BIÊNIO 2017-2019
IBILCE-UNESP-São José do Rio Preto
ATALIBA TEIXEIRA DE CASTILHO
ROBERTO GOMES CAMACHO
TODOS OS EX-PRESIDENTES DO GEL E DEMAIS MEMBROS DE SUAS DIRETORIAS
CEDAE-UNICAMP
CEDOCH-DL-USP
DEPARTAMENTO DE LINGUÍSTICA, USP
PRÓ-RETORIA DE EXTENSÃO DA USP
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA DA USP
PROGRAMA UNIFICADO DE BOLSAS DA USP

REFERÊNCIAS:

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TENANI, L. E.; COELHO, O.; KOMESU, F.; SUGIYAMA, Ê.; NOBREGA, R.; FOCHESATO, B.; CRUZ, M.; VAZ, I; SBROGIO, R. GEL: 50 anos. [Site comemorativo dos 50 anos do Grupo de Estudos Linguísticos do Estado de São Paulo. (Site). São José do Rio Preto: IBLICE-UNESP, 2018. https://www.gel.org.br/50anos/

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