Homenagens: ao presidente emérito prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho e membros das 25 diretorias do GEL

©Rômulo Borim

Da direita à esquerda, à frente: Karin Adriane H. Pobbe Ramos, Maria Irma H. Coudry, Edson Rosa, Roberto Camacho, Erotilde Pezatti, Sírio Possenti, Ataliba T. de Castilho, José Luiz Fiorin, Maria Cristina F. S. Altman, Izidoro Blikstein. Da direita à esquerda, atrás: Suzi M. S. Cavalari, Marize D’Áglio-Hattnher, Olga Coelho, Raquel Fiad, Luciani Tenani, Rosane Berlink, Claudia Zavaglia, Sandra D. Gasparini-Bastos, Anna Flora Brunelli, Sebastião Carlos Leite Gonçalves e Fabiana Komesu.

Fonte: Arquivo do GEL. Foto: Rômulo Borim (UNESP)

Foto: Luciani Tenani

Lírios brancos entregues aos membros das diretorias do GEL presentes na sessão de homenagens durante o 67º Seminário do GEL: símbolo de nobreza e relação entre gerações.

Desde o fim da década de 1960, o GEL promoveu ações que levaram à formação de profissionais (professores e pesquisadores) mais bem qualificados para atuarem, principalmente, em cursos de graduação em Letras, cujas disciplinas passaram a ter temas de Linguística em seus programas.
Esse fato dialoga com as mudanças implementadas na década de 1950 no sistema educacional brasileiro, durante a chamada Era Vargas. Merece destaque a criação, em 1951, do Banco Nacional de Desenvolvimento (atual BNDES), do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), para citar apenas três. Essas agências públicas de fomento ao desenvolvimento científico e à formação de pessoal com qualificação técnica e científica, foram, à época, fundamentais para o desenvolvimento industrial e social do país.
Em pouco mais de 60 anos, CNPq e CAPES desempenharam papel estratégico de expansão e consolidação da pós-graduação stricto sensu no Brasil. No entanto, atualmente, a política nacional abala a sobrevivência financeira dessas duas agências de fomento e, por extensão, a sobrevivência dos mais de 3.472 programas atuais de pós-graduação brasileira em que se incluem os 146 programas de Letras/Linguística (Fonte: CAPES. Acesso em 21 de abril de 2019).

No passado, houve uma conjuntura político-econômica que sinalizou a necessidade da formação de pessoas capacitadas para promover o desenvolvimento tecnológico e industrial.
No presente, há outra conjuntura político-econômica que implementa o redirecionamento do investimento do Estado não mais em qualificação de profissionais e instituições que promovam domínio de conhecimentos científicos e inovação tecnológica com DNA nacional.

Uma chave que se mostra relevante, segundo determinada visão de economistas, para abordar esse atual cenário de políticas públicas de fomento à educação, é a noção de educação como capital humano (noção já muito criticada, mas não abandonada). Estudo feito, em 2006, pelo IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas, fundação pública vinculada ao Ministério da Economia brasileiro ), demonstra que as taxas de retorno econômico do investimento em educação são tão altas quanto aquelas definidas para o capital físico.

“no Brasil, a cada ano adicional de estudo, tem-se acréscimo de renda de mais de 10%. E esse retorno está entre os mais elevados do mundo.” (IPEA, 2006, p. 121)

Há, porém, um perigo, segundo esse mesmo documento do IPEA (2006), a rondar a relação entre benefícios individuais, obtidos por meio de maiores taxas de escolarização, e benefícios à sociedade, expressos por aumento do PIB, por exemplo, decorrentes do investimento no indivíduo.

“Ainda que se verifique que, em geral, quanto maior a escolaridade média de uma sociedade maior é o seu Produto Interno Bruto (PIB), analistas mais cuidadosos concordam que não se pode usar dados sobre indivíduos para afirmar que, se todos tiverem mais educação, a economia crescerá, melhorando a renda de todos.” (IPEA, 2006, p.121)

Entretanto, estudos mostram que países com maior número de cidadãos escolarizados têm maior nível de renda (Hannum e Buchmann, 2003; Bailey e Eicher, 1993; Krueger e Lindahl, 2004). Há evidências de correlação positiva entre maior pontuação em avaliação de rendimento educativo (mesmo que possamos criticar as avaliações de leitura e operações matemáticas, como as feitas pelo PISA [“Programme for Internacional Student Assessment”], programa internacional de avaliação de desempenho escolar coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e maiores taxas de crescimento do PIB per capita de um país (Barro e Lee, 2000, p. 13). No Brasil, os dados da correlação entre educação e renda são bastante eloquentes, como se verifica no gráfico, abaixo, elaborado pelo IPEA: mais escolaridade, maior renda.

Fonte: Educação no Brasil: atrasos, conquistas e desafios. In: IPEA (2006, p. 122).

Não obstante, persistem argumentos negando que esteja cabalmente demonstrada a relação de causalidade entre educação e renda per capita. Em 2006, o IPEA lançou a hipótese de que, à época, eram condicionantes do crescimento econômico brasileiro as restrições na quantidade, na qualidade e na distribuição da educação. E ponderava: “expandir e melhorar a educação não serão suficientes para o avanço da economia” (IPEA, 2006, p.123).
Haveria outro condicionante importante neste debate: o papel da educação em relação à complexidade tecnológica das sociedades na atualidade. Segundo o IPEA (2006):

“Quanto mais complexa a tecnologia e quanto mais rapidamente ela mudar, mais chances há de se usarem os talentos cultivados pela via da educação. Isso significa mais diferença de rendimentos entre os que têm educação e os que não têm.” (IPEA, 2006, p. 124)

Em conclusão, de uma perspectiva econômica, não apenas é importante a escolaridade média dos cidadãos, mas também o acesso desses cidadãos à educação por meio de ampliação do tempo de escolarização.

Nesse diapasão de acesso à educação, o GEL tem cumprido, desde sua fundação, o papel de disseminar conhecimento científico sobre linguagem pelo estado de São Paulo (transpondo, inclusive, suas fronteiras geográficas) e fortalecendo as universidades públicas paulistas, notadamente, USP, UNESP, UNICAMP e, mais recentemente, UFSCar.

Ataliba Teixeira de Castilho, em 16 de julho de 2019.
Fonte: Arquivo do GEL. Foto: Rômulo Borim (UNESP).

Nesse debate sobre investimento público em educação, cabe destacar, da história pessoal do presidente emérito do GEL, professor Dr. Ataliba Teixeira de Castilho, a importância do fomento à formação, mensurada não apenas por parâmetros econômicos.

Em 1955, o então aluno da escola pública Monsenhor Gonçalves, situada em São José do Rio Preto, concluía brilhantemente o curso ginasial. Os bons rendimentos obtidos em línguas clássicas e modernas indicaram que o caminho era buscar a graduação em Letras, na USP. Mas morar na capital era (como ainda é) um investimento financeiro muito elevado.

Nessa época, a prefeitura do município oferecia bolsas de estudos aos aprovados na USP que demonstrassem necessidade do auxílio financeiro. Eis que é outorgada uma bolsa ao então recém-ingresso na graduação em Letras da USP. Formado, o professor Ataliba Teixeira de Castilho se lança ao interior paulista e, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, em Marília, começa a trabalhar e fomentar o conhecimento científico sobre a linguagem.


Com esse espírito bandeirante, colegas se somam à árdua tarefa de disseminar as teorias linguísticas e as novas práticas de abordagem da língua e da linguagem. Nasce, nesse contexto, o Grupo de Estudos Linguísticos do Estado de São Paulo. Os 50 anos dessa história foram vividos pelos sócios do GEL, muitos deles presentes nesta data, e lembranças dessa história têm sido recentemente revisitadas pelos ex-presidentes, que contribuíram para assegurar a contínua formação científica de jovens graduandos e pós-graduandos neste estado mediante a divulgação das últimas descobertas da ciência da linguagem.

O problema é que vemos seriamente ameaçada a continuação dessa história de formação e distribuição do conhecimento científico sobre a linguagem, quando se nota que as políticas públicas atuais não estão projetadas para reconhecer os benefícios econômicos que recebem os cidadãos de um Estado que investe em educação, de modo amplo, e em universidades públicas e programas de pós-graduação, de modo mais específico.
A história pessoal do presidente emérito do GEL, professor Dr. Ataliba Teixeira de Castilho, ilustra claramente que o incentivo, por meio de bolsas de estudos já na graduação, é importante mecanismo de ampliação de acesso à educação por gerar não só retorno econômico-financeiro à sociedade como um todo, mas também benefício individuais ao longo de anos obtidos pelo acesso ao conhecimento científico.

©Rômulo Borim
Luciani Tenani, em 16 de julho de 2019. Fonte: Arquivo do GEL. Foto: Rômulo Borim (UNESP)

Agradeço, em nome de todos os sócios do GEL, o professor Ataliba, por todo empenho, dedicação e entusiasmo em disseminar teorias e metodologias sobre os estudos linguísticos. Convido-o, professor, a assistir ao vídeo com o material do seu currículo escolar do Curso Colegial.

Sua presença fez/faz diferença!
Meu abraço cordial.

Luciani Tenani, presidente do GEL (biênio, 2017-2019)

Vídeo: Homenagem ao professor Dr. Ataliba Teixeira de Castilho, presidente emérito do GEL.

Vídeo veiculado em 16 de julho de 2019, por ocasião das comemorações dos 50 anos de fundação da associação, na abertura do 67º Seminário. Fonte: Arquivo do GEL.

Apoio para acesso a documentos históricos:

E.E. Monsenhor Gonçalves (09/04/2019)
Diretora: Eugenia Aparecida Costa
Vice-diretor: Alda Secco Codinhoto
Vice-diretor: Gilberto José Tobal
Coordenador: Geraldo Camilo Martins Neto
Coordenador: Fabiana Cristina Martins Alves

Arquivo Municipal de São José do Rio Preto (28/03/2019)
Coordenador: Fernando Marques
Agente administrativo: Mateus Alves
Arquivista: Luzia Chavier

Referência bibliográfica:

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Educação no Brasil: atrasos, conquistas e desafios. In: ___. Brasil: o estado de uma nação 2006. Brasília: IPEA, 2006, p. 121-228. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/bd/pdf/2006/cap3_educacao.pdf. Acesso em: 18 abr. 2019.

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