Diretoria 2007-2009 (UNESP – SÃO JOSÉ DO RIO PRETO)

Foto (da esquerda para a direita): Fabiana Cristina Komesu, Sebastião Carlos Leite Gonçalves, Sandra Denise Gasparini Bastos e Anna Flora Brunelli.

Presidente: Sebastião Carlos Leite Gonçalves

Vice-Presidente: Fabiana Cristina Komesu

Secretária: Sandra Denise Gasparini Bastos

Tesoureira: Anna Flora Brunelli

Veja, ouça, leia a entrevista concedida pelo presidente da diretoria!

Fonte da foto: Rômulo Borim (IBILCE/UNESP).

SEBASTIÃO CARLOS LEITE GONÇALVES

Professor Doutor da UNESP (São José do Rio Preto)

Em 18/05/2018.

1) O que significava o GEL para a Linguística de São Paulo e do Brasil no momento em que você participou de sua diretoria? Houve algum fato marcante ou curiosidade que gostaria de partilhar?

Quero dizer inicialmente que, com muita honra, assumi a Presidência do GEL em 2007, contando com o apoio das colegas Fabiana Komesu, como Vice-presidente, Sandra Denise Gasparini-Bastos, como Secretária, e Anna Flora Brunelli, como tesoureira, todos nós professores da Unesp de São José do Rio Preto, onde a Diretoria esteve sediada de 2007 a 2009. Mais honrados ainda nos sentimos, e aqui falo em nome dessa Diretoria, em tomarmos parte das atividades comemorativas do jubileu de ouro do GEL.

Respondendo a essa primeira questão sobre o significado do GEL para a Linguística de São Paulo e do Brasil, eu diria que, não somente no período em que estivemos a frente da Diretoria, mas desde sua fundação, o GEL sempre representou importante fórum de discussão e de difusão da pesquisa linguística produzida no estado de São Paulo e, porque não dizer, no Brasil. Passados esses cinquenta anos de sua existência, o principal e mais importante legado do GEL foi seu pioneirismo em reunir, em um mesmo espaço, pesquisadores experientes e iniciantes, num compartilhamento saudável de conhecimentos e indagações, espírito que levou ao seu reconhecimento nacional e ao alargamento de suas fronteiras regionais, com o acolhimento de pesquisadores de toda as regiões do Brasil. Fundado em 1969, mesmo ano de fundação da Abralin (Associação Brasileira de Linguística), o GEL é uma das mais antigas associações de Linguística do Brasil e, por isso, não há como falar desse seu pioneirismo sem se reportar às tantas outras Associações Regionais de Linguística que surgiram no seu encalço. O GEL serviu de exemplo a associações como o GELNE (Grupo de Estudos Linguísticos do Nordeste, fundado em 1977), o CELSUL (Círculo de Estudos Linguísticos do Sul, em 1995), o GELCO (Grupo de Estudos de Linguagem do Centro-Oeste, em 2000), o GELOPA (Grupo de Estudos Linguísticos do Oeste do Pará, em 2008), o GELLNORTE (Grupo de Estudos Linguísticos e Literários da Região Norte, mais recentemente), e outras associações já extintas ou desativadas, como a ASSEL-RIO (Associação de Estudos Linguísticos do Rio de Janeiro) e o CELLIP (Centro de Estudos Linguísticos e Literários do Paraná). Quem acompanhou a história do GEL pode testemunhar sua importância também para os Programas de Pós-graduação das Universidades Paulistas, cujos alunos esperavam, com entusiasmo, os Seminários anuais para divulgação dos resultados de suas pesquisas e posterior publicação nos anais do evento. Muitos de nós, hoje pesquisadores experientes, tivemos o GEL como primeiro espaço de acolhimento de nossas pesquisas, por estímulo de nossos professores!

Sobre fatos marcantes nesse biênio em que o GEL esteve sediado em São José do Rio Preto, houve vários, mas quero destacar apenas alguns.
O primeiro deles foi a oportunidade que tivemos de comemorar os 40 anos da Associação, com a publicação do livro GEL: 40 anos de história na Linguística Brasileira, no qual procuramos resgatar a história da Associação e de seus Seminários anuais, por meio da divulgação de um extenso índice onomástico das publicações mantidas pela Associação até o ano 2000.
O segundo ponto marcante foi o alto investimento que a Diretoria passou a fazer na profissionalização dos trabalhos da Associação e na sua informatização, consolidadas mesmo em 2008, quando colocamos à disposição dos usuários um site dinâmico, com área de acesso restrito ao sistema do GEL, na qual se tornou possível a realização de inúmeras atividades (inscrição no seminário, envio e avaliação de resumo, envio e avaliação de trabalhos às revistas mantidas pela Associação, pagamentos, emissão de certificados, filiação, atualização de cadastro etc.). Mais importante de tudo é que essa tarefa de informatização permitiu manter ativo um banco de dados com informações sempre atualizadas da Associação.
O terceiro ponto diz respeito à missão que recebemos da Diretoria anterior de promover a adequação do estatuto do GEL, datado de 1972, ao novo Código Civil de 2002; por meio de Assembleia Geral Ordinária, convocada para essa finalidade específica, procedemos então à atualização do estatuto, que se encontra vigente ainda hoje.
Outro avanço que marcou nossa gestão foi a consolidação da identidade visual da Associação, por meio da oficialização da logomarca atual, criada em 1996, e da adoção das cores azul, amarela e vermelha para identificar, respectivamente, o site, a revista do GEL e a revista Estudos Linguísticos, mantidos pela Associação.
Um último marco que eu destacaria das ações da nossa gestão foi o esforço que envidamos para a inclusão da UFSCar no revezamento entre as Universidades Públicas Paulistas que sediavam a Diretoria do GEL. Embora já houvesse sediado Seminários, somente a partir de 2009 é que a UFSCar entrou nesse circuito de revezamento.

2) Que papel o GEL poderia desempenhar hoje, diante dos desafios que você vislumbra para a Linguística (brasileira) contemporânea?

Sobre o papel atual do GEL, é preciso considerar inicialmente que a realidade da prática científica brasileira se alterou muito na última década, tanto no que se refere a investimentos em Ciência e Tecnologia, quanto a espaços para a divulgação científica. Por exemplo, em nossa área, proliferaram, por todo país, eventos anuais e periódicos científicos, muitos mantidos pelos inúmeros Programas de Pós-graduação criados nos últimos anos; essa realidade pode levar ao esmaecimento do interesse nas atividades da Associação. Assim, penso que o papel do GEL hoje seja o de repensar seu modo de atuação em direção a um entrosamento mais efetivo entre seus associados, procurando resgatar a troca de conhecimento entre os experientes e os iniciantes, troca que já se mostrou exitosa em momentos anteriores da história da Associação. O grande desafio que vejo para o GEL é primeiramente, o de se garantir como espaço de qualidade na divulgação da pesquisa linguística, dando mais visibilidade social ao papel da Linguística como ciência; em segundo lugar, em tempos neoliberais como o que estamos vivendo, outro desafio imposto à Associação é o de compor com outras associações científicas uma frente de resistência ao desmantelamento da universidade pública e de qualidade, tanto no Brasil quanto no estado de SP.

Edição e publicação: Luciani Tenani (IBILCE-UNESP)

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