Diretoria 2013-2015 (UNICAMP – CAMPINAS)

Foto (da esquerda para direita): Angel Corbera Mori (secretário), Terezinha Maher (vice-presidente), Bruna (bolsista SAE – apoio CEDAE), Rosana Novaes (presidente) e Petrilson Pinheiro da Silva (tesoureiro).

Presidente: Rosana do Carmo Novaes Pinto

Vice-Presidente: Terezinha Machado Maher

Secretário: Angel Humberto Corbera Mori

Tesoureiro: Petrilson Alan Pinheiro da Silva

 

Leia a entrevista feita com a presidente da diretoria!

Fonte da foto: IEL/UNICAMP.

 

ROSANA NOVAES

Professora Livre-Docente da UNICAMP

Em 14/10/2018.

 

1) O que significava o GEL para a Linguística de São Paulo e do Brasil no momento em que você participou de sua diretoria? Houve algum fato marcante ou curiosidade que gostaria de partilhar?

O GEL tem um papel fundamental no desenvolvimento e na divulgação da Linguística no Brasil, desde sua fundação. O grande desafio de cada gestão, em qualquer época, é o de manter esse lugar de destaque, conquistado por meio do trabalho coletivo das diretorias e de seus colaboradores, dentre os quais instituições públicas e privadas que já sediaram os Seminários do GEL, ao longo de quase 50 anos.

Os depoimentos feitos neste site pelos seus ex-presidentes (ou por outros membros das várias diretorias) ajudam a contar a estória da associação e enfatizam sua relevância nos cenários regional e nacional. Nas palavras dos colegas me reconheci – tanto com relação às alegrias, ao prazer da convivência, à intensa aprendizagem, mas também quanto às dificuldades e angústias de ocupar esse lugar.

Passado já algum tempo desde o final de nossa gestão, até hoje me lembro do “frio na barriga” quando fui consultada para compor uma chapa para a diretoria do GEL, no período de 2013 a 2015, vez da UNICAMP sediar a associação e realizar seus seminários. Neguei com convicção por duas ou três vezes, mas os argumentos de meus colegas do Departamento de Linguística, muitos meus ex-professores, todos ex-presidentes do GEL (Raquel Fiad, inicialmente e, em seguida, Sírio Possenti, Bernadete Abaurre, Rodolfo Ilari e Ataliba Castilho) acabaram me convencendo de que não poderia declinar dessa tarefa. Pensar que eu estaria sucedendo essas pessoas – ícones da Linguística brasileira em suas áreas de atuação –, além de todos os outros que se tornaram meus colegas ao longo do percurso (Roberto Camacho, Ieda Alves, Manoel Corrêa, Luciane de Paula, dentre outros) – aumentava ainda mais a responsabilidade. Aceitei o desafio como modo de prestar a todos eles uma homenagem.

Para formar a chapa, convidei a Profa. Terezinha Maher – a Teca –, para a vice-presidência e o Prof. Petrilson Pinheiro para a tesouraria, ambos do Departamento de Linguística Aplicada do IEL, e meu colega do Departamento de Linguística Angel Corbera Mori. Todos os membros da diretoria tiveram papel fundamental ao longo da gestão. O trabalho foi realizado, de fato, em equipe, independentemente da função na diretoria. Tivemos apoio incondicional do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) que nos forneceu uma estrutura física e operacional (informática, áudio-visual etc) para o funcionamento da secretaria e dos seminários.

A nossa diretoria elegeu, no início do período, as principais tarefas que precisaríamos realizar e privilegiou as seguintes:

(i) organizar e depositar todos os documentos que recebemos das gestões anteriores do GEL no CEDAE (Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulálio), que é curador do acervo da organização (comprovantes, recibos, atas, livros de programação dos seminários, fotos etc). Tivemos a sorte de ter, naquele período, a Raquel Fiad como diretora do CEDAE e de podermos contar com a Bruna Dias, aluna de graduação com bolsa SAE;

(ii) reforçar o caixa da instituição, por meio do recadastramento dos associados e com o acerto de anuidades atrasadas, com a ampla divulgação dos 62o. e 63o. Seminários – nos quais tivemos 869 e 1047 trabalhos inscritos, respectivamente, e com o oferecimento de minicursos nas duas edições;

(iii) a colocação da revista Estudos Linguísticos na plataforma SEER (Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas), um passo importante para dar mais visibilidade às produções dos associados e, para isso, contratamos um auxiliar de edição, que também se responsabilizou pela indexação do periódico em várias bases;

(iv) pautar a discussão sobre o oferecimento bienal dos seminários. Não conseguimos a aprovação deste item na Assembleia de 2014, mas a ideia foi novamente pautada e aprovada na Assembleia de 2018.

Com relação aos seminários de 2014 e 2015, buscamos contemplar todas as áreas da Linguística nas conferências, mesas-redondas e minicursos. Abrimos também espaço para reuniões de grupos de pesquisa institucionalizados, experiência que julgamos muito profícua e que se constituiu como um incentivo a mais para a participação de associados de outros estados. Embora o número de participantes tenha sido muito expressivo – mais de 1000 em cada evento–, procuramos manter o “espírito” dos Seminários do GEL como lugar de encontro entre alunos de graduação e de pós-graduação, de pesquisadores novatos e experientes, característica lembrada por vários colegas em seus depoimentos. Por esse motivo, os sócios do GEL desenvolvem uma relação afetiva com a associação, sobretudo por ser o lugar onde a maioria de nós apresentou o primeiro trabalho, como foi meu caso em 1996.

 

2) Que papel o GEL poderia desempenhar hoje, diante dos desafios que você vislumbra para a Linguística (brasileira) contemporânea?

Os depoimentos dos professores Rodolfo Ilari e Ataliba Castilho, nesta página comemorativa aos 50 anos do GEL, contam em detalhes como se iniciou a estória da associação, como um encontro de um pequeno grupo de pesquisadores interessados em compreender e debater as ideias da Linguística que chegavam ao Brasil na década de 70 – e acabou tornando-se uma das maiores associações da América Latina, agregando associados de todo o Brasil. Em alguns momentos (por exemplo, no período de nossa gestão), o GEL ultrapassou, em número de associados, a ABRALIN e a própria ALFAL. Essa dimensão, entretanto, torna-se também um dos seus maiores problemas, dentre os quais o fato de que a diretoria precisa aprender, em menos de seis meses, a gerir os recursos financeiros e todos os trâmites burocráticos da organização, além de cuidar da qualidade dos seminários (até então anuais), bem como viabilizar a publicação de suas revistas (Estudos Linguísticos e Revista do GEL). Buscamos, a esse respeito, fazer uma transição tranquila para a diretoria seguinte, sistematizando as rotinas e ensinando o “caminho das pedras”.

Roberto Camacho, ao refletir sobre o papel que o GEL poderia desempenhar hoje, tendo em vista os desafios que enfrenta a Linguística brasileira, destaca a necessidade da atuação política da associação. Sobre esta questão, mais especificamente, nossa diretoria tinha em mente, desde o início, que o oferecimento anual dos seminários, com o volume de trabalho que gera, sobretudo burocrático, dificultava ou até mesmo impedia a atuação efetiva da diretoria em outras atividades importantes, de natureza política em prol da própria Linguística e de sua relação com a sociedade. A decisão tomada na última assembleia – de realizar o seminário a cada dois anos – , a meu ver, dará um fôlego para a diretoria se engajar mais em discussões pertinentes ao desenvolvimento da própria ciência linguística brasileira e à sua divulgação (como bem colocou o Ataliba em seu depoimento) e na luta política propriamente dita, na defesa da democracia e visando destruir mitos acerca da língua e desconstruir preconceitos.

Sugerimos, a esse respeito, que nos anos em que não houvesse seminários, o GEL pudesse implementar “Ciclos de Debates” presenciais e/ou em um blog, sobre temas de natureza política e relacionados aos estudos da linguagem.

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