Diretoria 2003-2005 (UNICAMP – CAMPINAS)

Foto (da esquerda para a direita): Inês Signorini, Raquel Salek Fiad, Maria Irma Hadler Coudry, Maria Filomena Spatti Sandalo

Presidente: Raquel Salek Fiad

Vice-Presidente: Maria Irma Hadler Coudry

Secretária: Inês Signorini

Tesoureira: Maria Filomena Spatti Sandalo

 

Leia a entrevista feita com a presidente da diretoria!

Fonte da foto: Rômulo Borim (IBILCE/UNESP).

 

RAQUEL SALEK FIAD

Professora Titular da UNICAMP

Em 07/07/2018.

 

1) O que significava o GEL para a Linguística de São Paulo e do Brasil no momento em que você participou de sua diretoria? Houve algum fato marcante ou curiosidade que gostaria de partilhar?

Antes de falar sobre o que foi ser da diretoria do GEL nos anos 2003 a 2005, vou relembrar como o GEL passou a fazer parte de minha vida, lá pelos meados dos anos 70, quando saí do Rio de Janeiro e fui para a Unicamp fazer o mestrado. Naquela época o GEL não era conhecido além das fronteiras paulistas. Como aluna do IEL, comecei a ir aos Seminários, ainda como mera ouvinte. Os Seminários faziam jus ao nome pois eram mesmo encontros de um número pequeno de pesquisadores, praticamente todos do estado de São Paulo.

Os Seminários eram e continuam sendo os grandes momentos do GEL. As publicações (Estudos Linguísticos e a Revista do GEL) vieram com o tempo e também passaram a dar visibilidade à associação mas, sem dúvida, os Seminários são o lugar dos encontros, das discussões, da possibilidade de diferentes gerações de pesquisadores falarem entre si e se conhecerem.

De aluna passei a docente e continuei participando dos Seminários (e conhecendo o estado de São Paulo), incentivando os alunos e orientandos a estrearem neles. Os Seminários abriram as portas para alunos desde a graduação poderem apresentar suas primeiras pesquisas, algo que não era comum nos encontros científicos. Deixaram de ser paulistas e regionais para serem eventos nacionais, mesmo com a maioria de participantes do estado de São Paulo.

Foi então que assumi, junto com as colegas Maria Irma Hadler Coudry, Inês Signorini e Maria Filomena Spatti Sandalo, a diretoria do GEL, em maio de 2003, durante o Seminário em Taubaté. Recebemos uma associação que já realizava Seminários com muitos participantes mas com muito pouca infra estrutura para organizá-los, uma Revista que tinha sido recém lançada e ninguém sabia realmente o que seria (Revista do GEL) e pouco dinheiro em caixa! Começamos informatizando o processo de inscrição e de submissão de resumos nos seminários, instituímos a avaliação dos resumos submetidos por uma Comissão Científica (até então, todos os resumos eram aceitos para os Seminários!), alteramos a data dos Seminários para julho pois era inviável realizar um Seminário daquelas proporções durante o período de aulas nas universidades. A revista Estudos Linguísticos passou a ser uma revista eletrônica e começamos a dar mais visibilidade à Revista do GEL que, no início, era confundida com a Estudos Linguísticos, até pelo nome que teve! Nada disso foi fácil! Não imaginávamos que uma prática que nos parecia tão óbvia para um encontro científico – avaliação de resumos por uma Comissão Científica – pudesse dar tanto pano pra manga, tanta controvérsia! Finalmente essa prática foi instituída e está aí para nos mostrar que valeu a pena!

O segundo seminário da nossa gestão foi realizado na Universidade Federal de São Carlos, em julho de 2005. Pela primeira vez, essa universidade hospedava o GEL. Foi um marco na história das diretorias pois fizemos a proposta, que foi aprovada na assembleia do GEL de 2005, de que a UFSCar passasse a fazer parte do rodízio de universidades paulistas que assumem a diretoria do GEL, o que já está acontecendo.

Como mais um fato marcante durante o período, lembro da nossa atuação junto ao CEDAE/IEL (Centro de Documentação Alexandre Eulálio) na organização dos materiais do GEL. Tinha sido aprovado, em assembleia do GEL em 1988, o depósito do material do GEL no CEDAE, a fim de que pudesse estar disponível aos pesquisadores que se interessassem pela história da associação e da linguística no estado de São Paulo. Fizemos um esforço de sistematizar esse depósito junto às futuras diretorias do GEL e também colaboramos com o CEDAE na organização do material, que hoje está descrito e organizado e constitui o Fundo GEL, disponível para consultas.

 

2) Que papel o GEL poderia desempenhar hoje, diante dos desafios que você vislumbra para a Linguística (brasileira) contemporânea?

Muitos desafios estão aí para nós e as novas gerações. Nesses cinquenta anos de GEL a pós-graduação e a pesquisa nas áreas da linguística foram instituídas fortemente em todo o país. Um dos desafios é a continuação dos centros de pesquisa, dos grupos de pesquisa, tendo em vista cortes de verbas nas instituições, seja nas universidades, seja nas agências de fomento às pesquisas. Tanto esforço feito não pode ser perdido! As associações, como o GEL, têm um papel grande nessa continuidade.

Ao mesmo tempo, ainda há muito a se pesquisar nos estudos linguísticos. O modo como o GEL e outras associações organizam os encontros, estabelecem as áreas temáticas, incentivam a discussão de temas relevantes e atuais é fundamental para dar visibilidade a novas pesquisas e interesses.

Continuo acreditando no convívio como lugar de aprendizagem, de descobertas, de provocações e o GEL, como associação, tem como proporcionar isso. Que venham outros cinquenta anos!

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