Diretoria 1969-1971

Presidente: Ataliba Teixeira de Castilho (FFCL-Marília*)

Secretário: Cidmar Teodoro Pais (USP)

Tesoureiro: Francisco da Silva Borba (FFCL-Araraquara*)

*Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL): faculdades afiliadas à Coordenadoria de Ensino Superior do Estado de São Paulo (CESESP), que deu origem à UNESP em 1975.

Leia a entrevista feita com o presidente da diretoria!

 

Fonte da foto: Léo Ramos Chaves (FAPESP).

 

ATALIBA T. DE CASTILHO

Professor Titular Convidado da UNICAMP
Professor Emérito da USP

Em 22/05/2018.

1) O que significava o GEL para a Linguística de São Paulo e do Brasil no momento em que você participou de sua diretoria? Houve algum fato marcante ou curiosidade que gostaria de partilhar?

Tendo sido o primeiro Presidente do GEL, nossa associação não tinha ainda presença na Linguística de São Paulo e do Brasil. Na verdade, à época nenhuma outra sociedade dispunha desse atributo.

Essa presença foi construída paulatinamente pelas diretorias que se sucederam. Nossa Diretoria realizou dois seminários, nos quais convidávamos os interessados a se inscrever e a participar da vida associativa.

Em cada seminário repetia-se o mesmo roteiro. Explicava-se que o GEL tinha surgido de uma sugestão feita durante o I Seminário de Linguística de Marília, promovido em 1967 pelo Departamento de Letras da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília, então um dos Institutos Isolados de Ensino Superior do Estado de São Paulo. Esse seminário teve por objetivo dar um balanço no ensino e pesquisa em Linguística no país, disciplina então implantada nos Cursos de Letras pelo Conselho Federal de Educação. Apresentou-se ali, igualmente, a proposta de criação da Associação Brasileira de Linguística.

Os textos do I Seminário foram publicados num número especial da revista Alfa, 11 (1967), fundada pelo mesmo departamento, e atualmente Revista de Linguística da UNESP.

Pouco depois, foram surgindo outras associações regionais de Linguística.

Toda a documentação referente à fundação e à atuação do GEL encontra-se recolhida e tratada no Centro de Documentação Linguística e Literária Alexandre Eulálio, do Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP.

2) Que papel o GEL poderia desempenhar hoje, diante dos desafios que você vislumbra para a Linguística (brasileira) contemporânea?

Vencidos os primeiros momentos de “catequese”, e destacando que o GEL desenvolveu uma continuada presença em nossos hábitos acadêmicos, pois nunca foi descontinuado, acredito que – mantida em parte sua programação habitual – o GEL deveria propiciar o desenvolvimento de teorias linguísticas.

Tenho repetido que desde sempre a Linguística brasileira se apoiou em modelos teóricos gerados no exterior. Não poderia ser diferente, pois as teorias surgem habitualmente da empiria, e nosso conhecimento da realidade linguística do Estado era então bastante escasso.

Mas já agora, passados 50 anos, dispomos de um bom conhecimento do Português do Brasil, das línguas indígenas e das modalidades de contacto linguístico, no Estado e no país. Estamos preparados para o desenvolvimento de generalizações com base nesse material.

O GEL poderia liderar um movimento no sentido da criação de um Programa Interinstitucional de Doutoramento em Teoria da Linguagem. Esse programa seria interinstitucional, pois uma só universidade não pode dar conta de suas exigências.

Os alunos desse programa passariam por uma seleção severa, na qual demonstrariam estar informados sobre as pesquisas linguísticas do país. Eles cursariam duas disciplinas obrigatórias, Epistemologia e História das Ideias Linguísticas, e uma disciplina eletiva, escolhidas entre Teoria Fonológica / Teoria Gramatical / Teoria Semântica / Teoria do Discurso. Eles desenvolveriam, então, uma teoria sobre a linguagem, e esse seria seu trabalho final.

Os alunos que forem aprovados conduzirão a Linguística brasileira a um novo patamar, neutralizando-se a atual repetição de temas, e a subserviência continuada às reflexões que vêm do exterior. No quadro atual, a Linguística brasileira corre o risco de desaparecer, tragada pela voragem das novas exigências científicas. Mas se o Programa der certo, ela se emparelhará aos centros científicos produtores de boa ciência.

Acredito que o GEL deveria debater a implantação desse Programa, alterando sua forma de atuação: os seminários passariam a bienais, e no intervalo entre um seminário e outro a Diretoria proporia o debate de um tema, com especialistas convidados. O desenvolvimento de teorias poderia integrar esse novo modelo de seminário.

Edição e publicação: Luciani Tenani.

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