GEL+50 anos: PPG em Linguística (USP)

O GEL convidou a coordenação do programa de pós-graduação em Linguística, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da Universidade de São Paulo, a colaborar na identificação de desafios acadêmico-científicos para o futuro da associação.

 

Confira as respostas do vice-coordenador!

MARCELO BARRA FERREIRA

Professor Doutor da USP

Em 25/05/2019

1.Que papel o GEL poderia desempenhar hoje, diante dos desafios que você enxerga para a Linguística (brasileira) contemporânea?

A linguística contemporânea tem alargado seus horizontes e se tornado cada vez mais uma empreitada multi-disciplinar. Hoje, áreas tradicionais e de caráter eminentemente teórico como a fonologia, a morfologia, a sintaxe e a semântica, se aproximam de uma série de outros campos do saber, como a neurologia, a biologia evolutiva, a ciência da computação, a psicologia cognitiva, etc., vendo emergirem novas tendências em campos como a neurolinguística, a linguística computacional, a biolinguística e a linguística evolutiva, em uma via de mão dupla com potencial de impacto imenso na obtenção de dados e na formulação de novos modelos teóricos. Ao mesmo tempo, áreas vizinhas também tradicionais, como a sociologia, tem sido impactadas por novas formas de comunicação e meios sociais, influenciando diretamente a forma como usamos a linguagem e colocando desafios para áreas dos estudos linguísticos como a pragmática e a sociolinguística. Acredito que seja crucial que o GEL se mantenha antenado a esses (há outros, com certeza) novos fatos e ideias, destacando-os em seus seminários e suas políticas de ação. Pela sua importância histórica e pelo fato de congregar centros e figuras de grande destaque na linguística nacional, o GEL deve ser, sem dúvida, um modelo nessa direção.

2. Que ações poderiam ser implantadas pelo GEL?

Alinhado ao que expusemos acima, uma ação concreta na direção dessas novas tendências e dessa inevitável multidisciplinaridade seria a organização, durante os seminários, de palestras e cursos co-ministrados por pesquisadores de disciplinas e áreas diferentes. Ou ainda mesas redondas e debates em que linguistas, biólogos, psicólogos, filósofos, cientistas da computação, lógicos, sociólogos, etc. interajam produtivamente e tragam esses novos ares aos participantes, sobretudo aos alunos que, muito em breve, representarão a nova geração de linguistas brasileiros.

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