Diretoria 1991-1993 (UNESP-ARARAQUARA)

Presidente: Edna Maria F. S. Nascimento

Vice-Presidente: Maria do Rosário F. V. Gregolin

Secretária: Devino João Zambonin

Tesoureiro: Maria de Lourdes O. G. Bandan

 

Leia a entrevista feita com a presidente da diretoria!

Foto: Arquivo pessoal de Edna
M. F. dos Santos Nascimento.
Em abril de 2019.

 

EDNA MARIA FERNANDES DOS SANTOS NASCIMENTO

Professora Livre-docente da UNESP (Araraquara)

Em 01/04/2019

 

1) O que significava o GEL para a Linguística de São Paulo e do Brasil no momento em que você participou de sua diretoria? Houve algum fato marcante ou curiosidade que gostaria de partilhar?

Nossa diretoria do GEL era composta por mim, presidente, Maria do Rosário F. V. Gregolin, vice-presidente, Devino João Zambonim, secretário, e Maria de Lourdes O. G. Baldan, tesoureira. Nos idos de 1992-1993, período de nossa gestão, a era do computador começava a despontar, mas poucas universidades dispunham dessa ferramenta e a internet não existia por aqui. Tivemos a colaboração da Diretoria, dos Departamentos, dos alunos de graduação e pós-graduação da Unesp-FCL-Araraquara para a tarefa de grande responsabilidade que tivemos pela frente. O trabalho era verdadeiramente braçal, pregar selo na correspondência que era enviada pelo correio, elaborar a programação, fazer o horário dos trabalhos que seriam apresentados, buscar os convidados na rodoviária e pensar no menu do jantar de confraternização.

O GEL é fruto desse trabalho conjunto e é por isso que existimos desde 1969. Naquela data, eram pouquíssimos pesquisadores que participavam de seus encontros. Lembro-me de um GEL em Franca, talvez 1970, no colégio Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus, em que as discussões se deram em torno de uma única mesa oval na qual cabiam todos os participantes. Os professores doutores ocupavam lugares junto à mesa e nós alunos, em geral de pós-graduação, nos sentávamos atrás e só ouvíamos sem ousar interromper a fala dos mestres. Uma das mesas de que me lembro versava sobre o Alfabeto Fonético Internacional, a outra a que também assisti cogitava se os poucos trabalhos apresentados para o pequeno público deveriam ser publicados. A primeira publicação do GEL, os Estudos Linguísticos, número 1, um pequeno volume de cem páginas, data de 1978.
Quando nossa diretoria foi eleita a associação já era outra, contava com cerca de trezentos sócios, o número de participantes chegava perto de mil e as cerimônias de abertura do GEL de 1992, no auditório da Fundação Raul Baub, em Jaú, e a de 1993, no da instituição Moura Lacerda, em Ribeirão Preto, estavam com a lotação completa. A mesa-redonda sobre “O acordo ortográfico”, que entrou em vigor somente em 2009, suscitou uma calorosa discussão. Os temas escolhidos para debate e os trabalhos apresentados refletem as preocupações de cada época com a linguagem. É nesse momento que o GEL, em geral, preocupado com a descrição da Língua Portuguesa, começa a incorporar estudiosos de outras linguagens, incluindo em suas sessões dos seminários a Literatura e a Semiótica. Se passarmos os olhos no Índice Temático, publicado na nossa gestão, trabalho que deu continuidade ao Índice de Autores, iniciado pela diretoria anterior, podemos acompanhar cronologicamente essa mudança de perspectiva do GEL.

Como podemos observar, por meio dessas pequenas lembranças, o GEL ampliou seu campo de estudo, cresceu em número de apresentação de trabalhos e o número de páginas dos Anais também aumentou muito e a nossa produção teve de ser publicada em dois volumes.
Com sua atuação, a pequena associação regional adquiriu fôlego que ultrapassou as fronteiras do estado de São Paulo e foi inspiradora para outros estudiosos da linguagem fundarem encontros linguísticos semelhantes em outros estados do Brasil.

 

2) Que papel o GEL poderia desempenhar hoje, diante dos desafios que você vislumbra para a Linguística (brasileira) contemporânea?

Repensando o caminho que o GEL trilhou nesses cinquenta anos, arrisco a dividir sua existência em três momentos.

Uma primeira fase de criação e consolidação que se inicia em 1969 em que seus encontros se restringiam à presença de uma minoria de doutores e de alunos dos cursos pós-graduação em Letras que começam a se estruturar. Nesse contexto de estruturação das Letras no Brasil, o GEL nasce do incentivo do professor Isaac Nicolau Salum que congregou seus ex-alunos, alguns já professores universitários, e alunos de pós-graduação, propondo, como ele se expressava, “apanhar o gênio da língua”.

O crescimento do número de participantes com apresentação de trabalhos configurou a consolidação e expansão do GEL, podendo-se delinear uma segunda fase: a de reflexão sobre sua produção. Nós que refletíamos sobre a linguagem, na década de noventa, vimo-nos compelidos a refletir sobre o que discutíamos nesses anos sobre a linguagem. Fomos compelidos a nos debruçar sobre quem eram os pesquisadores que frequentavam o GEL e do que eles tratavam. Foi a época em que foram elaborados os dois índices de autores e de temas, citados no texto anterior.

Para a comemoração dos cinquenta anos do GEL que se aproxima, foi pedido aos ex-presidentes que dessem depoimentos. Vejo nessa atitude a tentativa de resgate da memória do GEL. É um terceiro momento que se apresenta como a escrita da nossa história.

Refletindo hoje sobre as lembranças que tenho, penso que o GEL vem cumprindo seu papel de proporcionar discussões sobre temas que interessam a comunidade linguística. Ele representa nossa produção, de pesquisadores principiantes, hoje de renome, mestres que já não estão mais entre nós, de temas mais ou menos privilegiados, epistemologias convergentes e divergentes. É olhando para trás, para os caminhos que percorremos que poderemos nos encontros do GEL tentar compreender as novas epistemologias do século XXI e nos posicionar frente a elas.
Talvez, em uma quarta fase, ele pudesse pensar em desenvolver mais ações frente à política do ensino das linguagens junto aos órgãos do governo e para isso devia juntar-se a outras associações como a ANPOLL.

 

Entrevista concedida ao professor Dr. Roberto Camacho (IBILCE-UNESP)

Edição e publicação: Luciani Tenani (IBILCE-UNESP). 

 

 

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