Diretoria 1981-1983 (UNICAMP – CAMPINAS)

Presidente: Eduardo R. J. Guimarães

Vice-Presidente: Mary A. Kato

Secretária: Eni Pulcinelli Orlandi

Tesoureiro: Francis H. Aubert

 

 

Leia a entrevista feita com o presidente da diretoria!

 

Fonte da foto: IEL/UNICAMP.

EDUARDO GUIMARÃES

Professor Titular da UNICAMP

Em 20/12/2018

1) O que significava o GEL para a Linguística de São Paulo e do Brasil no momento em que você participou de sua diretoria? Houve algum fato marcante ou curiosidade que gostaria de partilhar?

Fui presidente do GEL de 1981 a 1983, na diretoria formada por Mary A. Kato (vice-presidente, PUC-SP); Eni Puccinelli Orlandi (secretária, UNICAMP); e Francis H. Aubert (tesoureiro, USP e PUC-SP). O GEL fora fundado em 1969, no mesmo ano em que foi fundada a ABRALIN. O GEL, em 1981, tinha, portanto, 12 anos e ainda trazia entre suas atividades fazer a linguística ser introduzida nos diversos cursos de Letras de modo adequado, num momento em que a pós-graduação começa a se expandir no Brasil. Demos continuidade aos Seminários do GEL em universidades como PUC de São Paulo e de Campinas e a Unimep, em Piracicaba, e à publicação dos Anais do GEL, cujo primeiro número foi publicado na gestão em que era presidente o Rodolfo Ilari (1977-1979).

Um aspecto a se ressaltar nesta gestão foi o estabelecimento de procedimentos de avaliação pelos pares para a publicação dos textos nos Anais. Esta medida foi efetivada, dentro das condições do momento, embora tenhamos tido algumas reações contrárias, que achavam que estava avaliação na cabia no caso. Mesmo com estas dificuldades próprias de processos que sofrem modificação, o trabalho de avaliação foi feito na forma habitual que todos conhecemos. E considero que foi bem-sucedido.

2) Que papel o GEL poderia desempenhar hoje, diante dos desafios que você vislumbra para a Linguística (brasileira) contemporânea?

Hoje há um grande número de associações na nossa área, inclusive entidades semelhantes ao GEL em outras regiões brasileiras. Penso que seu papel hoje deve estar mais fortemente ligado, e creio que isso já se dá, à questão da pós-graduação. Trata-se mais de pensar não na formação de linguistas num momento em que havia poucos linguistas com formação específica, como no início, mas de pensar no modo de contribuir para o andamento de um debate aberto, consistente, entre diversos domínios disciplinares, sem uma tomada de posição prévia sobre o que deve ou não ser feito.

O domínio da pesquisa e da reflexão de nível pós-graduado poderia contar com o GEL como um modo de fazer circular a pesquisa produzida, tanto para a comunidade científica específica, como para a sociedade de modo geral. Que papel podemos ter na questão da Educação brasileira de modo consistente, sem cair nas facilitações nem em dogmatismos que esterilizam tanto a produção de conhecimento quanto a presença deste conhecimento no corpo social?

Um outro aspecto que pode ser considerado mais central, e próprio das relações políticas no campo da ciência, é o lugar das ciências da linguagem no conjunto das ciências, numa conjuntura como a atual, e particularmente de seu lugar no domínio das ciências humanas. A produção de conhecimento a partir de uma perspectiva dessas seguramente sustentará a relevância para o conhecimento e o peso das ciências da linguagem num mundo que funciona pela linguagem, por mais técnico ou tecnológico que ele seja. Até porque as novas tecnologias são tecnologias de linguagem. Isto exige uma posição mais específica de uma associação como o GEL, e de todas as associações ligadas ao domínio dos estudos da linguagem.

Ligadas a este aspecto estão as relações do GEL e associações da área com os organismos de fomento, instituições do Estado Brasileiro, e dos estados federados. Esta relação é decisiva para que estes organismos levem efetivamente a sério o lugar do conhecimento sobre linguagem na vida contemporânea, na reflexão sobre as questões de hoje, e na compreensão do funcionamento histórico da sociedade e das instituições.

A relação da Sociedade com as ciências da linguagem não tem dado atenção ao fato de que, no processo educacional, não há como não levar em conta que a linguagem é central na formação em todos os níveis. Não há como ensinar, por exemplo, a ler e escrever, sem uma formação em ciências da linguagem e sem uma produção de conhecimento específico neste domínio. Também não é possível lidar com as novas tecnologias sem esta formação e sem o conhecimento específico produzido pelas ciências da linguagem. De modo geral, pode-se afirmar, com segurança, que a compreensão sobre o humano, em todas as suas relações, não pode se fazer sem a consideração consistente da linguagem.

Entrevista concedida a Olga Coelho, em 13 de dezembro de 2018.
Revisão e edição de Olga Coelho, em 18 de dezembro de 2018.
Publicação por Luciani Tenani, em 20 de dezembro de 2018.

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