Diretoria 2011-2013 (USP – SÃO PAULO)

Presidente: Ieda Maria Alves

Vice-Presidente: Manoel Luiz Gonçalves Corrêa

Secretária: Giliola Maggio

Tesoureira: Olga Ferreira Coelho

Leia a entrevista concedida pela presidente da diretoria!

Ieda Maria Alves

Professora Titular da USP

Em 25/10/2018.

1) O que significava o GEL para a Linguística de São Paulo e do Brasil no momento em que você participou de sua diretoria? Houve algum fato marcante ou curiosidade que gostaria de partilhar?

Agradecendo o convite que a Profa. Luciani Ester Tenani formulou a todos os ex-presidentes para relatarem suas experiências no seio de nossa querida e quase quinquagenária associação, apresento um breve depoimento de minhas vivências junto ao GEL.

Minha convivência com o GEL começou em outubro de 1975, quando iniciava a dar aulas no ensino superior. Participei de um seminário, realizado em São José do Rio Preto, que reuniu cerca de trinta pessoas, em geral professores universitários, que participavam ativamente das apresentações e discussões.

Desde então, o GEL passou a fazer parte de minha vida profissional. Tornei-me associada no ano seguinte, em seminário realizado em Araraquara. Na década seguinte, exercendo atividades profissionais no então Instituto de Letras, História e Psicologia de Assis, hoje a Faculdade de Ciências e Letras de Assis (UNESP), fiz parte, como tesoureira, da diretoria que atuou de 1983-1985 junto a essa instituição. Apresentei vários trabalhos, publiquei textos em vários anais e fui introduzindo orientandos meus, de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado, nos seminários que, primeiramente semestrais, tornaram-se anuais.

Por todo esse entrelaçamento de minha vida profissional com as atividades do GEL, senti-me muito honrada e feliz ao integrar, como presidenta, a diretoria do GEL constituída por docentes do curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, que atuou de 2011 a 2013. Além de mim, a diretoria foi composta pelos Profs. Manoel Luiz Gonçalves Corrêa (vice-presidente), Olga Coelho (tesoureira) e Giliola Maggio (secretária). Colegas que, irmãmente, dividiram comigo todas as tarefas, responsabilidades e problemas próprios a uma associação que reúne mais de 3.000 sócios. Agradeço a esses colegas a oportunidade que tivemos de compartilhar momentos de tanta cordialidade e amizade.

No momento em que assumimos a Associação, em julho de 2011, o GEL, ainda que uma associação de caráter regional, já estava consolidado como uma associação de caráter nacional, com sócios participantes de todas as regiões do Brasil.

Realizamos dois seminários, em 2012 e 2013, nas dependências da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, a FFLCH, da Universidade de São Paulo. Nesses seminários, procuramos diversificar as áreas contempladas para a exposição de conferências e de mesas-redondas. Assim, ao lado dos estudos clássicos da área de Linguística, como a Sintaxe, Morfologia, Texto e Análise do Discurso, dentre outros, procuramos também acompanhar alguns estudos linguísticos mais contemporâneos, a exemplo das Línguas Sinalizadas e da Linguística Cognitiva e da Metáfora. Procuramos também apresentar pesquisadores estrangeiros, imprimindo assim algumas características de internacionalização aos nossos seminários, que tiveram a participação de Amelia Mingas (Universidade Agostinho Neto, Angola), Augusto Soares da Silva (Universidade Católica de Braga, Portugal), Graça Maria Rio-Torto (Universidade de Coimbra, Portugal), Isabelle Oliveira (Universidade Paris 3, França), Mary Jane Curry (University of New York, Estados Unidos) e Theresa Lillis (The Open University, Inglaterra).

No seminário de julho de 2012, contamos com a honrosa presença da Profa. Rosa Virgínia Mattos e Silva (1940-2012), da Universidade Federal da Bahia, que nos brindou com uma brilhante conferência intitulada O difícil fazer de uma edição crítica de um manuscrito medieval: relato de uma experiência. Essa foi sua última apresentação em eventos, pois a Profa. Rosa faleceu dez dias após sua participação nesse seminário do GEL.

Uma das belas lembranças que guardo desses seminários realizados na USP foi o entrosamento entre as várias gerações, que tem ocorrido, cada vez mais, nos encontros do GEL. A apresentação de painéis por jovens estudiosos da Linguística a outros jovens e a pesquisadores mais experientes, nos dois corredores do 2º. andar do prédio de Letras da FFLCH, representa bem a salutar característica de entrosamento entre gerações observada nos seminários da Associação.

Como esses jovens, muitos dos atuais professores de Linguística apresentaram trabalhos, pela primeira vez, em um dos seminários do GEL, seminários em que há espaço para todas as gerações de linguistas.

2) Que papel o GEL poderia desempenhar hoje, diante dos desafios que você vislumbra para a Linguística (brasileira) contemporânea?

Penso que o GEL, uma associação que vai completar 50 anos e que tem um número tão representativo de associados, sobretudo professores de vários níveis, tem um papel importante a desempenhar.

A realização de seminários a cada dois anos, segundo decisão tomada no último seminário, possibilitará que as novas diretorias possam também ter alguns novos objetivos, tanto no que concerne ao desenvolvimento da Linguística brasileira, e à sua divulgação, como salientou o Prof. Ataliba Teixeira de Castilho, quanto no que concerne a objetivos políticos em várias vertentes, como salientaram Roberto Gomes Camacho e Rosana Novaes  em seus respectivos depoimentos.

Do ponto de vista linguístico, é essencial que o GEL continue a abrir-se a todas as tendências da Linguística e suas conexões com outras áreas. Atividades de menor porte do que os seminários bienais, como cursos e minicursos, podem ser oferecidas nos anos em que não há seminários.

Os objetivos políticos podem referir-se a várias frentes: remuneração e condições de trabalho adequadas aos professores dos vários níveis, lugar das Ciências Humanas nas universidades e agências de fomento, reflexões e ações sobre a política educacional brasileira, sobretudo, mas também sobre os rumos do Brasil.

Entrevista realizada por Maryellen Cruz (CEDOCH-DL-USP).

Revisão e edição: Olga Coelho (CEDOCH-DL-USP).

Publicação: Luciani Tenani (IBILCE-UNESP)

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