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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Imagens feitas de sons no discurso político eleitoral brasileiro
Autor(es): Carlos Piovezani. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave discurso poltico,voz,imagens de si
Resumo O trabalho que pretendemos apresentar no 61º. Seminário do GEL buscará descrever os elementos prosódicos dos pronunciamentos dos principais candidatos à Presidência da República do Brasil nas eleições de 2010, com vistas a interpretá-los discursivamente. Mais especificamente, com base nos postulados teóricos e nos procedimentos metodológicos da Análise do discurso, derivada de Michel Pêcheux, o objetivo deste estudo consistirá em analisar como as marcas e as inflexões da melodia (entoação e tessitura), da dinâmica (duração, pausas, tempo e ritmo) e da qualidade da voz (volume, registro e timbre), ou seja, as unidades prosódicas conforme as definem Laver (1994) e Cagliari (2007), depreendidas nas intervenções dos candidatos veiculadas em seus programas no Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) do pleito presidencial de 2010, coadunam-se com a produção dos efeitos de sentido resultantes das paráfrases próprias de cada uma das formações discursivas em funcionamento no campo político brasileiro contemporâneo. Nesse aspecto, os resultados obtidos mediante as pesquisas que desenvolvemos desde o começo de 2009 a serem apresentados no Seminário concernirão particularmente à produção de efeitos de verdade dessas formações discursivas, estabelecendo uma distinção entre efeitos de autenticidade da enunciação e de franqueza dos enunciados do discurso político brasileiro (PIOVEZANI, 2009, p. 247). Ademais, em conjunto com a interpretação dos referidos efeitos de sentido, nosso trabalho terá o intuito de demonstrar que as características e as modulações da voz de um mesmo sujeito, ou seja, de cada um dos candidatos, são produzidas diferentemente, à medida que em sua fala predominam distintos papéis discursivos, conforme postulou Madureira (1996). Em suma, o enunciador não se vale dos mesmos movimentos articulatórios, das mesmas alterações de pitch, dos mesmos padrões melódicos e da mesma qualidade de voz, quando em seus pronunciamentos predominam ora o logos ora o pathos ora ainda diversos tipos de éthé, tais como, por exemplo, as imagens de si de sujeitos dotados de autoridade, de competência ou de solidariedade. Enfim, nossa análise, ao refletir sobre os “deslizamentos do espetáculo político” (COURTINE, 2003), aspirará ainda a avaliar a pertinência da hipótese de Coulomb-Gully (2012), segundo a qual haveria propriedades vocais típicas e distintas nos políticos situados à esquerda e à direita do universo político francês, quando aplicada ao discurso político eleitoral brasileiro de nossos dias.