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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: REFERENCIAÇÃO DISCURSIVA: IMPLICAÇÕES SOBRE CONCEPÇÕES DE LÍNGUA, DE LINGUAGEM E DE SUJEITO
Autor(es): Vanda Mari Trombetta. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave REFERENCIAO DISCURSIVA,LINGUA,SUJEITO
Resumo A afirmativa de que a referenciação é vista como uma atividade de construção de objetos de discurso (KOCH, 2002; MARCUSCHI & KOCH, 1983; KOCH & MARCUSCHI, 1984; MARCHUSHI, MONDADA & DUOIS, 2003) traz implicações para o ato de nomear, uma vez que não só reitera o caráter discursivo da atividade referencial, como também a considera uma atividade linguística dinâmica e instável. Na abordagem discursiva, a referência deixa de indicar uma relação entre língua e objetos do mundo real e passa a indicar uma dada construção com vistas ao querer dizer dos sujeitos na interação verbal. Por essa razão, os referentes passam a ser considerados “objetos de discurso” (MONDADA e DUBOIS, 2003). Comumente os estudos (KOCH, 2002, MARCUSCHI & KOCH, 1983; KOCH & MARCUSCHI, 1984) que tratam de referenciação discutem as diferentes estratégias utilizadas pelo sujeito para referendar os objetos construídos no discurso, ou como um importante papel na continuidade do tópico discursivo, e consequentemente na produção da coerência do discurso. Entretanto, este artigo tem o interesse de refletir sobre as implicações ao considerar-se que a referenciação é discursiva, especificamente no conceito de linguagem, língua e de sujeito. Neste trabalho, adota-se o conceito de que a referenciação é discursiva, amparada em Mondada e Dubois (2003) Koch (2002), Marcuschi & Koch (1983); apensas parcialmente, pois considera-se que a natureza do signo, antes de ser fruto de uma consciência, de uma cognição individual, é, fundamentalmente, social. A base teórica para sustentar a construção deste estudo são os postulados de Voloshinov/Bakhtin (1969); (1926: s/d) e Mondada e Dubois (2003). A partir dessas considerações postula-se que: a) a língua deixa de ser representativa de um sistema de regras imutável e neutro para habitar um espaço social, logo o objeto de discurso é axiológico; b) o sujeito não é autônomo, só existe em diálogo com outros eus, assim quem constrói os objetos de discurso não é o eu, mas o nós; c) os objetos de discursos são construídos através de uma relação de intersubjetividade mais ampla, ou seja, instaura-se uma complexidade das relações, pois muitos já-ditos ecoam no objeto de discurso, assim, ecoam vozes sociais. Para ilustrar essas afirmações, selecionam-se exemplos de redações de vestibular no concurso vestibular da USP do ano de 2006.