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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: “Festa da música tupiniquim”: a estética da “naturalidade” cancioneira brasileira
Autor(es): Luciane de Paula. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave Esttica,Bakhtin,Cano
Resumo Esta comunicação se volta à reflexão do trabalho estético com a linguagem, especialmente aquele voltado ao acabamento dos discursos artísticos. Como exemplo, analisar-se-á a constituição do gênero canção e, a título de ilustração, tratar-se-á do rap “Festa da música tupiniquim” (In Quebra Cabeça, 1997), de Gabriel o pensador. A hipótese é a de que esse gênero secundário simule o cotidiano de tal forma que possa parecer fortuito, primário, “natural” enquanto, na verdade é semiotizado figurativamente de maneira complexa. A fundamentação teórica da reflexão aqui proposta se centra nas considerações filosóficas do Círculo de Bakhtin e as concepções mobilizadas são, de maneira singular, as de estética, sujeito, gênero e enunciado. Ao tratar de estética, faz-se necessário considerar a semiose da linguagem como representação da representação do mundo, pois os sujeitos, sempre sócio-culturais, constroem sua relação simbólica com o mundo e o transformam por meio da linguagem e da construção de outros universos, via narrativas. Pretende-se demonstrar como ocorre isso com a canção. A justificativa de uma pesquisa acerca dessa temática é a de que, ao estudar a constituição dos gêneros e dos sujeitos, indiretamente, reflete-se sobre a condição humana, em especial quando se considera a ação do homem sobre o mundo por meio da linguagem, uma vez que sem a linguagem, nem os sujeitos nem o mundo se trans-formam. Além disso, na relação entre os discursos da vida e os discursos artísticos, há um elemento comum: o sujeito, que semiotiza a vida por meio da linguagem e, com a transgrediência da linguagem, pode enunciar-se, constituir-se e passar a existir no mundo, bem como dar sentido a ele. A escolha pela exemplificação da reflexão proposta por meio do gênero canção ocorre porque, no Brasil, este é um gênero artístico privilegiado. Tratar a canção brasileira denominando-a como “canção tupiniquim” também já contém um juízo de valor específico do cantor-intérprete-compositor, bem como narrar uma “festa da música” brasileira também é bastante peculiar, principalmente sendo esta “festa” constituída da maneira como ocorre na canção – com a con-vivência entre nomes representativos de estilos cancioneiros específicos e representativos no e do Brasil. Em outras palavras, o que se pretende nesta comunicação é realizar uma discussão teórico-prática acerca da constituição da canção como enunciação-enunciada que passa a ser enunciado-enunciado para se enunciar, novamente, como enunci-atuação sócio-cultural.