logo

Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Murmúrios manicomiais: o ressoar de vozes em Diário do hospício, de Lima Barreto
Autor(es): Jos Radams Benevides de Melo. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave dialogismo,Lima Barreto,hospcio
Resumo Na segunda metade do século XIX, a sociedade brasileira assiste ao processo de instituição de hospícios em importantes cidades do país. Com isso, os debates sobre a loucura e a psiquiatria, na sociedade, ganham corpo e se intensificam, tomando as páginas da literatura e do jornal. Na literatura, no início do século XX, o tema da loucura permeia várias obras de Lima Barreto, desde Triste fim de Policarpo Quaresma até os textos publicados postumamente. Desses, um chama a atenção em especial, O cemitério dos vivos, que relata, numa tensão entre o autobiográfico e o ficcional, as experiências vividas durante o internamento de um escritor no Hospital dos Alienados, no Rio de Janeiro. Romance composto por duas partes, ocupar-nos-emos aqui, por questões de espaço, apenas da primeira, cujo título é Diário do hospício. Como partilhamos a tese de que a linguagem é constitutivamente dialógica (BRAIT, 2005), pressupomos que Lima Barreto, ao escrever seu Diário do hospício, dialoga com outros sujeitos, outros discursos, vozes sociais e que esse diálogo constitui o jogo de sentidos do qual participa o Diário do hospício, enunciado no período de internação do escritor carioca. Os problemas de pesquisa objetos desta comunicação podem ser formulados por meio das seguintes questões: 1) que vozes sociais ressoam nos murmúrios manicomiais inscritos em Diário do hospício, de Lima Barreto?; 2) como se dá esse ressoar de vozes discursivamente? Os objetivos de investigação são: identificar as vozes sociais com as quais dialoga Lima Barreto no processo de constituição da obra que integra nosso corpus e descrever como se estabelece o diálogo entre o discurso limabarretiano e outros discursos. Para atingirmos o objetivo ora proposto, fundamentamo-nos nas teorias do dialogismo (BAKHTIN, 2006; 2010). Como resultados preliminares, podemos afirmar que, no seu processo de produção e circulação de sentidos, Diário do hospício dialoga com os discursos médicos, científicos e psiquiátricos de fins do século XIX e de início do século XX, assim como com falas do senso comum, marcadamente míticas/místicas, o que nos situa diante do discurso da história da loucura e do que ela representava na sociedade ocidental até aquele momento histórico.