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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Considerações acerca de construções com mas como operador argumentativo na fala de uma criança
Autor(es): Gisele Aparecida de Lima. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave Aquisio de linguagem,Interacionismo,Argumentao
Resumo Em gramáticas da língua portuguesa, o conectivo mas é classificado como uma conjunção coordenativa adversativa, portanto, sempre inicia uma oração que exprime contraste, oposição, em relação à oração anterior. No entanto, como sabemos, essas são descrições baseadas na língua escrita. Na fala nem sempre comparece a estrutura descrita nas gramáticas: primeira oração – conjunção – segunda oração. Nem tampouco é este o único funcionamento deste conectivo. Ataliba Castilho em Nova Gramática do Português Brasileiro, de 2010, ao descrever fatos gramaticais da língua portuguesa, analisa a conjunção na língua falada, tratando especificamente de duas propriedades do mas: propriedades discursivas e propriedades semântico-sintáticas, subclassificando as propriedades discursivas de acordo com três possíveis funcionamentos do mas, a saber: como marcador discursivo, conectivo textual e operador argumentativo. Neste trabalho, interessa-nos particularmente este último funcionamento. A partir da perspectiva interacionista – que tem por objeto de análise o diálogo – e passando por algumas questões introduzidas por Ducrot (1973, 1989, entre outros) pela Semântica Argumentativa, analisamos episódios de fala de uma criança – R – entre dois anos e meio, aproximadamente, até cerca de três anos de idade, propondo-nos a observar como se dão as construções com mas enquanto operador argumentativo. Mais especificamente, as questões que norteiam este estudo são: Que argumentos são mobilizados pela criança e a que conclusões eles orientam? Na fala da criança o funcionamento deste operador argumentativo é semelhante ao seu funcionamento na fala adulta? De antemão, é possível afirmar que a criança é capaz de mobilizar argumentos, ainda que próprios de seu universo, em favor de si própria ou que justifiquem suas ações. Acreditamos que a emergência dessas construções revela um novo posicionamento da criança em relação à língua. Posição esta que lhe permite não apenas falar sobre as coisas do mundo, mas também construir argumentos, inscrevendo-se em sentidos estabilizados na sociedade e trazendo-os para o seu mundo infantil.