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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: O DISCURSO SOBRE VELHICE E AS TENTATIVAS DO CAPITAL DE TORNEAR SUAS CONTRADIÇÕES
Autor(es): Helson Flvio da Silva Sobrinho. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 11/11/2019
Palavra-chave Discurso,Velhice,Contradio
Resumo Este trabalho apresenta uma reflexão sobre os sentidos de velhice e as contradições do sistema capitalista. O percurso da análise elege a categoria contradição para compreender a dialética do discurso que se inscreve no movimento de reprodução/transformação de sentidos de velhice na sociedade capitalista. Longe de pensar a contradição como se fosse uma categoria formal, Michel Pêcheux buscava, no aprofundamento do estudo das condições ideológicas de reprodução/transformação das relações de produção, compreender o funcionamento dos processos discursivos como efeito e trabalho nas práticas sócio-históricas. Assim, o movimento contraditório do discurso e seus efeitos de sentido – com suas possibilidades de dizer e não-dizer e, sobretudo silenciar –, está inscrito nas lutas antagônicas que se manifestam assimetricamente no que Pêcheux chamou de campos paradoxais. No caso em estudo, o discurso sobre a velhice adquire esse caráter paradoxal, pois expressa as tentativas de reconfiguração de sentidos como forma de tornear as contradições do sistema capitalista. Em nossa análise, aprofundaremos essa reflexão a partir de materialidades discursivas diversas, especialmente, propagandas que tentam reconfigurar os sentidos de velhice afirmando que “velho é o seu preconceito”. A nosso ver, trata-se de um dizer que materializa a complexidade do processo discursivo da/sobre a velhice em suas relações dissimétricas, contraditórias e conflituosas que são constitutivas da práxis social mediada pelo discurso. Essa possibilidade de lançar sentidos outros, visando à redefinição da velhice, tem uma inscrição sócio-histórica contraditória que se efetiva na dinâmica da sociedade capitalista que é capaz de agitar as filiações de sentidos para adequá-los aos interesses mercadológicos. Para se chegar a esse resultado foi preciso, em nosso gesto teórico-analítico, passar por mediações da própria prática discursiva e compreender como esse dizer manifesta uma tentativa da classe dominante, em suas lutas ideológicas, de manter/reproduzir os interesses dominantes para recobrir a desigualdade social. Constatamos que ao tentar tornear os sentidos de velhice, falando de “preconceito” e culpando o indivíduo por “seu preconceito”, essa discursividade busca recobrir os jogos de interesses ideológicos que são determinantes desse processo de produção de sentidos na conjuntura histórica atual, tais como: crise do capital, crise da previdência e desemprego estrutural.