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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Grupo clítico e palavra fonológica: o que revelam os dados de reparo na escrita inicial
Autor(es): Ana Paula Nobre da Cunha, ANA RUTH MORESCO MIRANDA. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave fonologia prosdica,escrita inicial e prosdia,dados de reparo
Resumo A presença do grupo clítico, como constituinte da hierarquia prosódica, não é consenso entre fonólogos. Hayes (1981) foi quem apresentou pela primeira vez evidências para esse constituinte e suas ideias são compartilhadas por autoras como Nespor e Vogel (1986) e Bisol (1996, 2000), por exemplo. Bisol (1996), ao tratar do Português do Brasil (PB), apresenta evidências que sustentam dois diferentes domínios, palavra fonológica e grupo clítico. Um dos argumentos levantados pela autora relaciona-se à variação dialetal que ocorre em pronúncias como “t[e] considero” ou “t[i] considero” para “te considero” e “[o] leque” ou “[u] leque” para “o leque”, as quais demonstram evidências de que ora o clítico forma com a palavra de conteúdo um só vocábulo (“t[e] considero”) ora forma um grupo clítico (“t[i] considero). O segundo contexto, de acordo com Bisol (1996), é o mais representativo do PB. Em contextos desse tipo, o que se observa é um clítico sofrendo regra de neutralização da mesma forma que uma palavra de acento próprio, comportando-se, portanto, com certa independência em relação ao vocábulo adjacente. Tal comportamento evidencia a formação do grupo clítico (cf. BISOL, 1996). Neste estudo, partindo das relações que se estabelecem entre fala e escrita e considerando a aquisição da escrita como parte integrante de um processo mais geral de aquisição da linguagem, abordamos, com base no Modelo de Redescrição Representacional (KARMILOFF-SMITH, 1986, 1994), dados de reparo na escrita de crianças. Por meio da análise de dados extraídos de um mesmo texto, os quais apresentam variação e/ou rasura e envolvem os limites de palavras, temos como objetivo argumentar em favor da ideia de que tais dados de reparo podem trazer evidências de que a aquisição da escrita alfabética propicia a atualização dos conhecimentos linguísticos da criança, favorecendo, no que concerne à noção de palavra, a emergência de duas representações distintas, uma de palavra fonológica e outra de grupo clítico. Os dados que analisamos foram extraídos de textos, produzidos de maneira espontânea por crianças dos anos iniciais.