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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Pronomes reflexivos silenciosos em PB: uma proposta de Caso default
Autor(es): Julio William Curvelo Barbosa. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Pronomes reflexivos,Topicalizao,Marcao de Caso
Resumo O objetivo deste trabalho é observar o comportamento dos pronomes com interpretação reflexiva no Português Brasileiro (PB), como (1). Nas sentenças que apresentam leitura de correferência entre sujeito e objeto, o pronome ele, apesar de não apresentar nenhuma marca de reflexividade como a expressão ele mesmo (2), permite a recuperação da referência do elemento que o c-comanda, além de apresentar uma marcação de Caso nominativo, típica de elementos na posição de sujeitos, e não de complementos verbais (posição em que o pronome eu se encontra em (1)). (1) O João[1] viu ele no espelho[1] e levou um susto. (2) O João[1] viu ele mesmo[1] no espelho e levou um susto. (3) O João[1] se[1] viu no espelho e levou um susto. A partir da observação da distribuição dos pronomes nominativos em (1), a hipótese deste trabalho é que PB, ao contrário do inglês, apresenta um traço fonologicamente nulo para reflexividade. Elementos com esse traço serão chamados de pronomes reflexivos silenciosos. Tal hipótese é sustentada a partir da comparação da distribuição de pronomes plenos e reflexivos em PB e inglês nos contextos de topicalização, conforme visto em (4)-(6). Em (4), PB permite a presença de reflexivos silenciosos em contexto impossível no inglês: (4) a. Ele, ele não acha que está gordo. b. *He, he doesn't believe to be fat. (5) a. Ele mesmo, ele não acha que está gordo. b. Himself, he doesn't believe to be fat. (6) a. *Se, ele não acha que está gordo. b. *Self, he doesn't think to be fat. Considerando os fatos acima, este trabalho propõe que a o surgimento dos reflexivos silenciosos em PB se dá pelo fato de que esses pronomes não sejam dependentes da marcação de Caso estrutural, e que, por conta de seu traço reflexivo fonologicamente nulo, seja possível a atribuição de um Caso default – nominativo, em PB – para que esses elementos sejam licenciados em PF. Para justificar essa proposta, este trabalho se vale do fato de que pronomes com caso inerente, mesmo em contextos de correferência não-reflexivos são agramaticais em PB sem seu atribuidor de Caso. (7) a. Eu, eu não gosto usando essa camisa. b. *I, I don't like wearing this shirt. (8) a. *Mim, eu não gosto usando essa camisa. b. *Me/myself, I don't like wearing this shirt. (9) a. De mim, eu não gosto usando essa camisa. b. *Of me/myself, I don't like wearing this shirt.