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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: A metadiscursividade no texto jornalístico: um estudo com textos opinativos, notícias e reportagens publicados na Folha de São Paulo
Autor(es): Marco Antnio Rosa Machado. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Metadiscurso,Texto jornalstico,Lingustica de Corpus
Resumo O objetivo geral deste trabalho é descrever quantitativamente o uso de elementos metadiscursivos em um corpus constituído por textos jornalísticos publicados no jornal Folha de São Paulo. O pressuposto teórico que norteou nossa pesquisa é de que o metadiscurso situa-se na reflexividade inerente às línguas naturais – capacidade de o discurso falar sobre si mesmo, seja referindo-se à própria organização do texto (organizadores textuais), seja dirigindo-se aos participantes do discurso para estabelecer o diálogo entre os interlocutores (elementos orientados aos participantes), seja indicando o grau de adesão e a atitude do locutor em relação ao conteúdo de seu discurso (marcadores de posicionamento). Nesse sentido, o metadiscurso manifesta-se por meio daqueles itens linguísticos que explicitamente organizam o discurso ou manifestam abertamente a postura do falante/escritor em relação ao conteúdo textual, ao mesmo tempo em que busca estabelecer uma relação dialógica com o leitor/ouvinte (HYLAND, 2005). Esses recursos ajudam a controlar o nível de subjetividade de texto, bem como conduzem a argumentação, guiando a atenção em direção a certas interpretações (HYLAND, 2005, ADEL, 2006). A partir dessas considerações teóricas, o foco de nossa comunicação será sobre as ocorrências dos elementos metadiscursivos marcadores de posicionamento (atenuadores [hedges], reforçadores [boosters] e marcadores de atitude [attitude markders]) (BURNEIKAITÈ, 2008). O tratamento quantitativo dos dados foi feito a partir de alguns princípios teórico-metodológico da Linguística de Corpus, que trabalha com uma abordagem empirista e que considera a linguagem como um sistema probabilístico, com primazia dos dados e, consequentemente, do uso – em oposição às abordagens racionalistas, cuja ênfase está na introspecção. Para as análises quantitativas utilizamos o software WordSmith Tools. Em nosso estudo, verificamos que, entre os mecanismos metadiscursivos analisados, o grupo dos atenuadores (hedges) é um dos que mais varia no corpus, em função do tipo de texto (gênero). Isso se deve, talvez, ao fato de que os atenuadores são usados para expressar a ausência de completo comprometimento do escritor/falante com o conteúdo de seu discurso, preservando, assim, a autoridade e confiabilidade jornalística. Verificamos, ainda, que as ocorrências dos atenuadores variam quantitativamente em função do tipo de texto, constituindo-se em um continuum, cuja sequência é: editoriais (maior incidência de atenuadores), textos de análise, textos assinados, reportagens e notícias (menor incidência). Esses resultados confirmam empiricamente nossa hipótese intuitiva inicial, a saber, a de que itens metadiscursivos que funcional como marcadores de posicionamento estão em relação direta com a argumentatividade dos textos.