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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: “AQUELES DOIS”, DE CAIO FERNANDO ABREU. UMA ANÁLISE SEMIONARRATIVA E SEMIODISCURSIVA.
Autor(es): William Vincius Machado Tristo. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave Figurativizao,Tematizao,Caio Fernando Abreu
Resumo O presente trabalho é parte de pesquisa mais ampla – projeto do Mestrado em Linguística da Unifran –, o qual consiste na análise de uma seleção de contos publicados nos anos 1980, reunidos no livro Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, de organização de Italo Moriconi. A temática dos textos é voltada para os “roteiros do corpo”, expressão utilizada pelo organizador, porquanto as narrativas tratam de temas relativos à revolução sexual, à erotização feminina, à homossexualidade. Temos por objetivo analisar o conto “Aqueles dois” (História de aparente mediocridade e repressão), de Caio Fernando Abreu, à luz da teoria semiótica francesa, mais precisamente de acordo com o percurso gerativo de sentido, desdobrável nos seus três níveis: fundamental, narrativo e discursivo. Procuramos mostrar como se dá a construção das significações do texto, descrevendo, mais precisamente, o percurso dos atores Raul e Saul, os quais, conquanto provenientes de pontos extremos – norte e sul –, aproximam-se durante a narrativa até que são julgados, no final, pelo “Guardião da Moral”. Trata-se de conto que narra um ambiente burocrático de trabalho, no qual os dois atores, recém-chegados no local, desenvolvem vínculos de cumplicidade desde o primeiro momento em que se conheceram. Assim, analisamos se o texto possui caráter moralizante e, se o caso, como este é construído em cima do relacionamento de Raul e Saul e, também, com os demais atores do conto. Isso se justifica porque há um jogo de oposição entre heterossexualidade e homossexualidade, as quais, embora muitas vezes antagônicas, conseguem ser complementares diante do relacionamento dos dois ao assumirem uma posição duvidosa dentro do texto, não podendo ser classificados, de maneira inequívoca, como héteros ou como homossexuais. Nesse contexto, ao examinarmos o conto, apoiados na semiótica greimasiana, pretendemos constatar o modo como os percursos temático-figurativos se concretizam no conto e como se enquadram no que Moriconi denominou de “roteiros do corpo”.