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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Intertextualidade, interdiscursividade e construção de sentido na animação Deu a louca na chapeuzinho
Autor(es): Iara Rosa Farias. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave intertextualidade,interdiscursividade,animao
Resumo O termo dialogismo (Bakhtin, 1992) é gerador de conceituações diferentes em teorias que têm como objeto de estudos texto e discurso. Assim, é que podemos ver nos conceitos de polifonia Ducrot (1987) e Brait (1996), heterogeneidade Authier-Revuz (1982, 1984) e Maingueneau (1993) e intertextualidade Discini (2002) e Koch, Bentes e Cavalcante (2007), apenas para citar alguns, os reflexos do dialogismo. Todos esses conceitos buscam explicar e explicitar a constituição dos diversos textos que circulam em nossa sociedade como resultantes de retomadas de outros textos. Noutras palavras, intenta-se mostrar que os textos não são “puros”, mas que recebem contribuições de outros textos, explícitas ou não na sua construção, e que por sua vez, contribuem para elaboração de outros “novos” textos. Fiorin (2003) dá um passo adiante sobre o conceito de intertextualidade quando pontua que o processo de retomada de textos ocorre também no nível discursivo. Em uma perspectiva que diferencia texto (manifestação) e discurso (nível imanente do texto), observa que assim como os textos dialogam e se misturam, o mesmo ocorre no nível do discurso. Nesse trabalho, o autor propõe graus de intertextualidade e de interdiscursividade que vão dos mais explícitos, como é o caso da citação direta, ou mais sutil ao qual Fiorin denomina alusão. A operatividade do desdobramento conceitual reforça a tese de que o entendimento do leitor dos vários textos que lhe são apresentados, depende da observação desse diálogo entre os mais diferentes textos e discursos, formando assim uma rede de sentidos. Um leitor, menos atento, pode não perceber a particularidade constituinte dos textos que estão à sua disposição cotidianamente, mesmo aqueles considerados “infantis”. Neste trabalho temos por objeto de análise uma animação americana, decorrente dos clássicos contos de fada, Chapeuzinho Vermelho de Perrault. A animação Deu a louca na chapeuzinho (2005) pode ser tomada como a versão contemporânea do famoso conto com utilização de recursos computadorizados que são sustentados por um rico diálogo entre textos na época do seu lançamento. Além disso, é possível observar também a ocorrência de diálogos no nível discursivo, a interdiscursividade, que enriquecem a animação, deixando-a dinâmica enquanto texto cinematográfico. O objetivo desta apresentação é observar os conceitos propostos por Fiorin (2003) e abordar os efeitos de sentidos provocados que, a nosso ver, são diferentes do que seria uma paráfrase do conto original, mesmo que numa animação.