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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: LÍNGUA PORTUGUESA EM COLUNAS DE JORNAL DO SÉCULO XXI
Autor(es): THAIS DE ARAUJO DA COSTA. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave HISTRIA DAS IDEIAS LINGUSTICAS,COLUNAS METALINGUSTICAS,LNGUA PORTUGUESA
Resumo Data do fim do século XIX o início de uma prática em jornais e revistas que Guimarães (2004) chamou de “prática de controle da língua” e que, posteriormente, viria a ser muito executada no Brasil, a saber: a publicação de colunas na mídia impressa que têm por objetivo prescrever os usos linguísticos tidos como “corretos”. Tal prática teve altos e baixos, momentos de extrema popularidade e de declínio ao longo da história da produção dos saberes linguísticos do/no Brasil até chegar aos dias atuais. No século XXI, ela se apresenta com uma nova configuração e a própria língua portuguesa cujos usos tidos como “corretos” ela prescreve passa a ser significada de um lugar outro. Nesta apresentação, com vistas a compreender o que significa no século XXI publicar colunas metalinguísticas em jornais, bem como de que língua é essa que se fala nesses espaços, tomaremos como materialidade, à luz da História das Ideias Linguísticas, de Auroux (2009a/ 2009b) e Orlandi (2001), no seu encontro com a Análise de Discurso, de Pêcheux (2009) e Orlandi (2007), 108 colunas sobre língua portuguesa de Evanildo Bechara publicadas no jornal O Dia, de fevereiro de 2010 a fevereiro de 2012. Em conformidade com o que propõe Medeiros (2010), em nossa análise consideraremos tais colunas como instrumentos linguísticos (Auroux, 2009a/1998), isto é, como objetos técnicos e empíricos investidos de conhecimentos teóricos explícitos que, ao lado das gramáticas e dos dicionários, nos ajudam a falar e a ler uma língua e dos quais, enquanto produtos de gestos de interpretação, podemos traçar uma história. As colunas, portanto, assim como as concebemos, têm historicidade; o fazer gramatical materializado nelas é significado e também produz sentido na história da constituição dos saberes linguísticos do/no Brasil. Sob essa perspectiva, entendemos que o fazer gramatical está diretamente relacionado ao sentido de língua com o qual se trabalha e que este, assim como aquele, é fruto do gesto de interpretação procedido, neste caso, pelo sujeito-gramático-colunista a partir da sua inscrição numa determinada formação discursiva (Pêcheux, 2009). O deslocamento do lugar de produção de saberes sobre a língua da gramática para o jornal, materializado a partir do relacionamento estabelecido entre a posição-sujeito gramático e a posição-sujeito colunista, também produz efeitos nesse dizer; por isso, nos deteremos aqui a investigar a constituição desses espaços de se dizer da língua na mídia impressa e o modo como a língua portuguesa neles é significada.