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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Formas de individuação dos sujeitos enquanto povo: o caso dos pronunciamentos presidenciais de posse
Autor(es): Marcelo Giovannetti Ferreira Luz. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave
Resumo É de praxe ouvirmos, nos pronunciamentos dos empossado presidentes da República, referências ao seu interlocutor, interpelado como povo ou povo brasileiro. Isso nos faz refletir sobre os efeitos de sentido produzidos por esses discursos de modo a estabelecerem, a priori, uma divisão na sociedade brasileira, qual seja, os que fazem parte do que se entende por povo e aqueles que se afastam dessa posição discursiva. O presente trabalho procura desenvolver uma análise das formas de individuação desses interlocutores como povo, decorrentes de práticas discursivas que estabelecem relações de poder em nossa sociedade. Como nosso trabalho finca raiz nos estudos da Análise de discurso de matriz francesa, operamos na relação entre três saberes estabelecidos (linguística, psicanálise, materialismo histórico), como forma de verificar como esses discursos produzem efeitos de sentido acerca do “ser povo”, afetando sobremaneira as relações sociais existentes entre os sujeitos assim individuados. Portanto, um conceito que nos é caro é o de sujeito (Pêcheux, 1975), constituído ao ser interpelado pela ideologia, identificando-se a uma formação discursiva. Entretanto, baseados nos estudos de Orlandi (2008, 2011, 2012), sabemos que a forma-sujeito constituída pela interpelação é afetada pelos modos de individuação do Estado (instituições e discursos), de modo que a individuação seja um pré-requisito nos processos de identificação do sujeito, isto é, porque ele é individuado pelo Estado de determinada maneira, pela sua relação com o simbólico e com o político, é que resultará em sua inscrição em determinada formação discursiva e não outra. Passamos, neste ponto, a verificar de que forma se dá a constituição do processo de individuação do povo, tomando como corpus os pronunciamentos de posse de presidentes da República quais sejam, o governo de Castelo Branco e o de Fernando Collor de Melo, produzidos em condições de produção específicas, a saber, ditadura militar e reabertura política, respectivamente. Por meio da análise das famílias parafrásticas que se instauram no fio do dizer, podemos notar que as formas de individuação do povo em cada uma dessas condições de produção específicas dão-se de modo distinto, haja vista que o Estado produz seu efeito de determinação sobre esses sujeitos ora enquanto sujeitos assujeitados ao Aparelho Ideológico de Estado e ao Aparelho Repressor de Estado, no caso da ditadura; ora enquanto sujeitos de direito, no caso da reabertura política. Em ambos, esses sujeitos são individuados de modo a ocupar suas posições nas relações sociais instauradas por tais discursos e seus funcionamentos.