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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Gramaticalização e analogização no uso de expressões verbais integradas por pronomes locativos
Autor(es): Mariangela Rios de Oliveira. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 14/10/2019
Palavra-chave gramaticalizao,construcionalizao,morfossintaxe
Resumo Na perspectiva da linguística funcional centrada no uso, de acordo com Bybee (2010) e Tomasello (2005), entre outros, as formas linguísticas são entendidas como resultantes de motivações distintas e de natureza diversa, tais como as de base cognitiva, sócio-comunicativa e mesmo as atinentes à própria estrutura da gramática. Assim orientados, nos dedicamos à abordagem de dois padrões de uso do português do Brasil, representativos de instanciações de duas macroconstruções verbais: a) operadora textual – locV, como em daí vem e aí está; b) marcadora discursiva – Vloc, como em vamos lá ou espera aí. Nosso objetivo é o de levantar, descrever e interpretar tais expressões, levando em conta tanto a correlação das propriedades funcionais e formais que as caracterizam (Croft, 2001; Croft e Cruse, 2004) quanto os fatores de ordem pragmático-comunicativa aí envolvidos, como os relativos ao gênero discursivo e ao tipo textual em elaboração, bem como os referentes ao perfil dos interlocutores, entre outros. Assumimos que tais usos são resultantes de dois processos complementares e diversos, respectivamente, gramaticalização e analogização, tais como concebidos por Traugott (2008; 2012). De acordo com o primeiro processo, a gramaticalização, os representantes exemplares (Bybee, 2010) de cada uma das expressões referidas resultam de mudança gramatical, a partir da reorganização semântico-sintática de predicado verbal de base locativa, envolvendo verbos de deslocamento físico, como ir ou vir, acompanhados de efetivos pronomes integrantes da classe dos advérbios de lugar; trata-se, portanto, da evidência unidirecional na trajetória dessas expressões. De outra parte, na perspectiva da analogização, uma vez fixados os exemplares, estes passam a fornecer modelos para a produção de outros padrões, que são criados, por consequência, sem que se lhes possa atribuir ou detectar uma rota de mudança unidirecional, como defendido por Fischer (2009). Essas duas forças envolvidas na fixação e no uso linguístico – gramaticalização e analogização, no estágio atual da pesquisa de cunho funcional centrado no uso, vem, de certa forma, promover maior equilíbrio na abordagem das propriedades de sentido e forma dos padrões gramaticais. Assim posto, defendemos que função e forma se implicam mutuamente, destacando e ampliando a concepção de contexto com que temos trabalhado. (Apoios: CNPq – Processo 303513/2009-8; Faperj – Processo 103.089/2011)