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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: A ANTROPOFAGIA MODERNISTA NO TROPICALISMO PRESENTE NA MÚSICA, DE CAETANO VELOSO
Autor(es): Aline Venturini. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave Tropicalismo,Antropofagia modernista,cultura local
Resumo O tema deste trabalho é o Tropicalismo que recupera a Antropofagia da arte estrangeira no Modernismo Brasileiro. Propomos analisar a antropofagia como um recurso no movimento oswaldiano, especialmente, na música Tropicália, de Caetano Veloso, por meio de palavras- chave, postas lado a lado, a fim de verificar os efeitos de sentido e a interpretação do Brasil. As palavras-chave, na música, estruturam-se concomitantemente pela oposição e, pela conciliação, constituindo efeitos de sentido de contradição e de humor e estão presentes também no movimento Modernista. O recorte em torno dessa música deve-se ao fato de a síntese do movimento tropicalista constituir-se no trabalho com as contradições existentes na nação brasileira, de acordo com Favaretto (2007). Este recurso gerou muitas controvérsias, dentre elas, segundo Roberto Schwarz (2011), a de que o movimento Tropicalista concilia as oposições e não toma partido por nenhuma delas. Apesar de considerar a abordagem interessante, Schwarz (2011) pergunta pelos objetivos do movimento Tropicalista, pois se espera que as músicas encaminhem para possível solução para o impasse constituído nelas, especialmente no texto Tropicália. Alguns dos impasses sinalizam para a oposição entre indústria cultural e cultura local, universal e regional, estrangeiro e brasileiro, elementos que constituíam o principal conflito artístico e político do momento brasileiro. A música Tropicália coloca os referidos impasses lado a lado, em aparente conciliação, encaminhando para efeitos de sentido de controvérsia interna, o que leva muitos estudiosos a pensarem que a música tropicalista não tem um compromisso político, premissa seguida pelos artistas dos anos 60, cujas produções visavam o protesto contra o Imperialismo americano. Por isso, Caetano Veloso e os demais integrantes do movimento designado foram acusados de não se posicionarem politicamente, do que resulta a incompreensão e a perseguição tanto da direita, quanto da esquerda. A incompreensão decorre do fato de o texto constituir-se por efeitos de sentido de isenção, como se não assumisse uma posição, tendo em vista que trabalha com oposições, o que de acordo com Adorno (2008), ao contrário do que se interpreta comumente, o texto aparentemente não-engajado dissimula posições políticas de resistência e de denúncia. Diante disso, nosso objetivo é buscar os efeitos de sentido políticos da música Tropicália por meio das oposições de ideias e ver o que há de comum entre o movimento e o Modernismo de 22, no que tange à identidade brasileira.