logo

Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: O historiador e o sujeito da ciência: reflexões sobre a história da produção do conhecimento
Autor(es): Maria Iraci Sousa Costa. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Histria das Ideias Lingusticas,sujeito da cincia,produo do conhecimento
Resumo O presente trabalho inscreve-se na articulação entre a Análise de Discurso pechetiana, tal como vem sendo desenvolvida no Brasil, e a História das Ideias Linguísticas. Para nós, essa relação entre esses dois campos de saber não se estabelece de forma complementar, mas por uma relação de entremeio, produzindo ressonâncias em ambas as direções. Nessa medida, trata-se de compreender a história da produção do conhecimento como algo que é produzido por sujeitos em dadas condições históricas e que produz efeitos de sentido que podem ressoar tanto em relação ao que será produzido, quanto ao que já está estabelecido, pois os acontecimentos, ao produzirem uma diferença em uma dada ordem (GUIMARÃES, 2004) podem contribuir para que saberes já dados passem a ser interpretados de forma diferente. Desse modo, a partir da articulação entre esses dois campos de saber, entendemos a história não como um produto, mas como um processo que buscamos compreender a partir do modo como é constituída. Nessa medida, questionamos a não transparência da linguagem, considerando a natureza do objeto do pesquisador de história das ideias, que é a produção do conhecimento, a qual se constitui sobre a linguagem e na linguagem, e a forma como o historiador tem acesso aos fatos e acontecimentos não é senão pela linguagem. Nesse trabalho, nos dedicaremos a precisar como se constitui o lugar do historiador das ideias linguísticas e em que aspectos se distingue do sujeito da ciência, que é o seu objeto (AUROUX, 2008). Além disso, procuraremos compreender como a interpretação intervém na constituição da história para que esta seja compreendida como algo que não é dado, mas constituído por dados, fatos, sujeitos e ideologia e que, por isso, não pode ser indiferente à interpretação nem às condições históricas. Considerando o lugar do linguista pode se desdobrar em historiador e também em sujeito da ciência, na segunda parte do trabalho, nos dedicaremos a compreender como o linguista se inscreve na história da produção do conhecimento. Para tanto, tomamos como ponto de partida para nossa reflexão o texto “A Linguística brasileira” (1976 [1968]), do linguista Joaquim Mattoso Câmara Júnior. Trata-se de um sujeito que contribuiu não só para a produção do conhecimento linguístico no Brasil, mas também para a constituição da história da Linguística. A partir disso, nosso objetivo é compreender como o próprio linguista inscreve seu trabalho na história da produção do conhecimento.