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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: O SUJEITO INTENDENTE E O DISCURSO SOBRE A MORTE: UMA ANÁLISE NA SANTA MARIA (RS) DE 1896
Autor(es): FERNANDA KIELING PEDRAZZI. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave atestado de bito, discurso, sujeito
Resumo O trabalho considera como arquivo, na concepção de Pêcheux (2010), parte do corpus da tese “Atestar o óbito, discursivizar a morte” formada por 86 documentos que compõem o livro “Óbitos” (1896) do Fundo Intendência (de 1892 a 1929) preservado no Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O foco está na análise do sujeito que se constitui de modo diferente dentre aqueles que, naquele conjunto documental, atestam a morte. O olhar é fixado na figura máxima de autoridade local à época denominado intendente municipal e na articulação da “linguagem com a ideologia” (ORLANDI, 2008, p. 32). Ao realizar o controle do sepultamento gratuito, a intendência apresenta o discurso sobre a morte em diversas vozes. O trabalho analisa o discurso do sujeito intendente, Francisco de Abreu Vale Machado, considerando o sujeito dividido de que nos fala Pêcheux (2012, p. 230) “como marca da sua inscrição no campo do simbólico”. Na análise são consideradas sequências discursivas dos cinco documentos assinados por Vale Machado de modo a interpretar o que diz sobre a morte e como diz, do lugar que ocupa na sociedade local. Questiona-se se o sujeito pode ser considerado como “porta-voz” do jurídico daquela comunidade naquele contexto de produção. Como resultados percebe-se que o fato de a autoridade ser o intendente lhe permite dispensar algumas formas padronizadas comuns em atestados de óbito, principalmente quando o escrevente é acompanhado de testemunhas, tais como “attestamos nos abaixo assignados” (doc. 72), “attestamos e juramos se precizo for” (doc. 7), “attestamos e juramos se nesseçario” (doc. 27). Sua voz de autoridade mostra como ele se significava pela língua tendo a oportunidade de poder/dever dizer no discurso ideológico que lhe era permitido devido à posição sujeito que detinha. O olhar do analista do discurso, conforme Orlandi (2007, p. 50) é “um gesto de interpretação” auxiliando a “compreender fatos da ordem do discurso” (ORLANDI, 2007, p. 51) levando em conta o discurso como “efeito de sentidos entre locutores” (ORLANDI, 2007, p. 42), neste caso abrangendo um tempo de mais de 110 anos entre o intendente e o analista, pelos caminhos de entremeio da AD, re-significando o discurso sobre a morte.