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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Enunciação e questões de autoria no pornô gonzo
Autor(es): Odair Jose Moreira da Silva. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave Enunciao,Estratgias discursivas,Gneros discursivos
Resumo A semiótica francesa observa que, sendo a enunciação a instância linguística logicamente pressuposta pela existência do enunciado, é preciso distinguir duas instâncias: o eu pressuposto (enunciador), e o eu projetado (narrador) no interior do enunciado. No discurso cinematográfico, os procedimentos da construção de um filme remetem, em primeira instância, a uma dimensão enunciativa em que se apresenta um sujeito enunciador que, de modo genérico, assume uma posição oriunda de uma enunciação sincrética. Um subgênero procedente do discurso cinematográfico erótico coloca em pauta a questão autoral: o “pornô gonzo”, um estilo do cinema erótico hardcore que consiste em expor o enunciador como o gerenciador e atuante em todas as ocorrências produtivas do discurso audiovisual. Nesse caso, todas aquelas funções acerca da construção de um filme são parte de um mesmo enunciador, que assume ele mesmo todas essas instâncias enunciativas sincréticas, incluindo o papel de ator do enunciado. Nesse universo semioquimérico, cuja profusão de signos e efeitos de sentido revela um mundo exacerbadamente utópico, uma das funções do enunciador é criar condições para que o enunciatário passe a crer de imediato nesse mundo como uma possibilidade real e tangível de acontecimento. O olhar do enunciatário é conduzido pelo olhar do enunciador em direção ao simulacro de um mundo possível, que se revela e se transforma mediante as ações e as performances dos atores envolvidos em uma seara erótica. As vicissitudes do olhar do enunciador persuadem o enunciatário, levam-no a saborear uma experiência que o transcende de seu mundo referencial e o conduz ao âmago do discurso projetado em tela. O autor desse mundo semioquimérico mascara-se diante do enunciatário. Com isso, a imagem produzida desse enunciador por meio de seus discursos fílmicos, o seu éthos, é, às vezes, confundida com aquela do autor real. E a pergunta que surge é: afinal, quem é esse sujeito da enunciação? Pretende-se aqui suscitar uma discussão sobre a autoria, a imagem do enunciador e sua imersão no enunciado enunciado, e homologar alguns dos conceitos teóricos da Análise de Discurso e da Semiótica francesas, sobre a autoria, na análise do enunciado fílmico. Para isso, será verificado o filme As aventuras de Buttman (1992), de John Stagliano, considerados, autor e obra, referências desse subgênero, cujos resultados iniciais mostraram que o autor é, ao mesmo tempo, enunciador, narrador e ator discursivo, o que provoca um novo olhar a respeito da teoria do autor/enunciador. (Apoio: FAPESP – processo nº 2011/52105-5)