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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Enunciação aforizante versus textualizante: notas sobre tensões estruturais e extratextuais
Autor(es): Roberto Leiser Baronas. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave
Resumo Dominique Maingueneau (2011) defende que a ideia central da problemática da aforização é a de que as “frases sem texto” não prescindem de textos e de gêneros para circular ou que as primeiras sejam completamente independentes dos segundos. Para o teórico francês, o essencial é que a enunciação aforizante tem um modo de funcionamento enunciativo próprio, que difere da ordem textualizante na qual estão inscritos os textos e os gêneros e que essas diferentes ordens estão em constante tensão, que pode ser mais ou menos forte.Nesta comunicação, temos como objetivo primeiro aprofundar essa discussão acerca da problemática da aforização, buscando explicitar como se dá a tensão entre as “frases sem texto” e os textos que lhe dão guarida, bem como, compreender de forma mais acurada como se dá outro tipo de tensão entre a enunciação aforizante e textos outros que buscam questionar a sua pretensão de ser uma palavra absoluta. Nesse sentido, postulamos que a tensão entre as “frases sem texto” e o(s) texto(s) se dá em diferentes planos: há uma tensão intratextual: estrutural (a do enunciado aforizado com o texto que o acolhe) e, outra extratextual: ideológica (a do enunciado aforizado com textos outros que questionam a sua pretensão de ser palavra de ordem, por exemplo). Para tanto, tomamos como corpus, por um lado, o documento da ação do Ministério Público Federal (MPF) que objetiva retirar das cédulas de reais a pequena frase “Deus seja louvado”. Como argumento para justificar a retirada, a procuradoria assevera que o Estado brasileiro é laico e, portanto, deve estar completamente desvinculado de qualquer manifestação religiosa. Para o MPF, a frase “Deus seja louvado” atenta contra os princípios da igualdade e da não exclusão de minorias já que privilegia uma religião em detrimento de outras. E, por outro, frequentamos o texto do projeto (PL 2179/2003), do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que busca incluir a palavra Amor na frase da bandeira brasileira, substituindo o enunciado