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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: A importância do depoimento judicial para o estudo linguístico histórico
Autor(es): NATHALIA REIS FERNANDES. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 14/10/2019
Palavra-chave Depoimento judicial,Manuscritos modernos,Lingustica histrica
Resumo O estudo, parte de nossa já concluída dissertação de mestrado, pretende mostrar que o depoimento judicial, por suas características, pode servir como registro da fala, o que pode ser de grande auxílio para a reconstrução da língua falada em um tempo em que não havia gravadores de voz. O corpus que sustenta o trabalho são depoimentos tomados na cidade de São Paulo entre os anos de 1878 e 1947, período historicamente muito interessante: o Brasil passou de monarquia a República, São Paulo começara a se firmar como grande produtor de café, a chegada de imigrantes (especialmente italianos) ao Estado foi maciça e a cidade de São Paulo, especificamente, passava por um crescimento vertiginoso. Cremos que o depoimento judicial pode ser aplicado para essa finalidade tendo em vista o fato de que (i) é produzido oralmente e depende das formalidades da escrita para se materializar no processo, que, no Brasil, é eminentemente escrito; (ii) as condições a que o escrivão é submetido no momento da transcrever o que é dito pela testemunha podem fazer com que deixe de lado a preocupação em redigir o texto de acordo com a norma culta, exigida em sua profissão, e faça uso da variante coloquial; (iii) os trechos do processo judicial nos quais o escrivão não está submetido a tais condições observam estilo e regras de forma muito mais cuidadosa. Defendemos que a variante observada era a do próprio escrivão, em razão dos próprios documentos que escolhemos para a composição do corpus que serviu de base para a pesquisa: os depoimentos neles contidos foram prestados em sua quase totalidade por estrangeiros, e não se verifica traços das línguas faladas por essas pessoas (léxico, sintaxe etc.), que poderiam estar presentes nesses depoimentos, visto que não eram falantes nativos de português. Por fim, afirmar que se trata de uma variante coloquial, bem como que se trata da variante falada pelo escrivão, implica também em afirmar que se trata da variante coloquial falada pela elite. Isso se justifica pelo fato de que ler e escrever, no período por nós analisado, era uma habilidade muito mais restrita do que nos dias de hoje.