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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Construção ter que + infinitivo: modalização e propriedades número-pessoais
Autor(es): Elzimar de Castro Monteiro de Barros, Maria da Conceio de Paiva. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave construo ter que + infinitivo,gramaticalizao,fora modal
Resumo O recrutamento de bases verbais ligadas ao domínio de posse para a expressão de significados no domínio da modalidade é um fenômeno recorrente em diversas línguas, como atestam Bybee, Perkings & Pagliuca (1994), Olbertz (1998), Krug (2000), Heine (1993, 2003). No português, podemos observar que o verbo ter pleno, com o significado original de posse, associado ao elemento que seguido de um infinitivo, desenvolve novos usos no domínio da modalidade. Há evidências sugestivas de que a construção ter que + infinitivo, inicialmente gramaticalizada como modal deôntico, empreende, no estágio atual do português brasileiro, nos seus diversos usos, uma trajetória de gramaticalização no sentido de obrigação/necessidade [+forte] > [-forte], como mostram os seguintes exemplos: (1) Eu tenho que saí mermo, que eu tenho um compromisso. (CEN-00/15) (2) Daqui uns dia, tenho que servir o exército mesmo! (CEN-80/02) De acordo com Coates (1983), a modalidade de raiz que compreende a modalidade deôntica, apresenta um cline de força, instanciando um continuum entre obrigação/necessidade [+forte] > [+fraca]. A fim de comprovar empiricamente esse deslocamento no uso de ter que + infinitivo, discutimos alguns resultados de um estudo em tempo real de curta duração (tipo tendência), focalizando a correlação entre o domínio/alvo (cf. OLBERTZ, 1998; HENGEVELD, 2004) em que opera esta construção modal e propriedades número-pessoais do verbo ter. Comparamos dados das amostras Censo 1980 e Censo 2000, separadas por um intervalo de tempo de, aproximadamente, 19 anos. Em primeiro lugar, destacamos que, na Amostra Censo 1980, predomina o uso de ter que + infinitivo nos domínios extrínseco e deôntico com alvo no participante; na Amostra Censo 2000, aumenta o emprego de ter que + infinitivo no domínio deôntico com alvo no evento, o que pode ser interpretado como uma trajetória de [+forte] > [-forte]. Esta trajetória é acompanhada por alterações na correlação entre domínio/alvo e pessoa gramatical do verbo ter. Na primeira sincronia, a construção ter que + infinitivo se relaciona, predominantemente, com a terceira pessoa do singular, indicando o descomprometimento do falante com o EsC descrito. Na segunda sincronia, essa correlação é alterada apenas no domínio extrínseco em que ocorre variação entre terceira e primeira pessoa do singular.