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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: IDENTIDADE DE ADOLESCENTES DE UNIDADES EDUCACIONAIS INTERNAS (UNEI) DO MS: ENTRE O ASSUJEITAMENTO E A RESISTÊNCIA
Autor(es): CELINA APARECIDA GARCIA DE SOUZA NASCIMENTO. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave
Resumo Objetivamos analisar as representações que os alunos infratores fazem de si e do processo ensino/aprendizagem nas Unidades Educacionais Internas do Mato Grosso do Sul, interpretando como as relações de saber-poder e resistências são construídas entre escola, ensino e aluno. Partimos da hipótese de que não há desenvolvimento de uma prática discursiva da escrita para que o aluno se constitua enquanto sujeito singular, mas discursos tradicionalistas e construtivistas sobre o ensino/aprendizagem da escrita. Trata-se de uma pesquisa que se insere na perspectiva teórica metodológica discursivo-desconstrutivista com base no método arqueo-genealógico foucaultiano e em conceitos de Derrida (2002; 2005). Além disso, fundamentamos nossas reflexões em Pêcheux (1997) sobre as condições de produção, ideologia e discurso, com apoio dos pensamentos de Foucault (2002; 2006) sobre saber, poder e resistência e, para as questões de identidade, Coracini (2003; 2007). Na arqueologia foucaultiana, investigam-se as formações discursivas a partir da noção de arquivo, que, além de indicar os interdiscursos que perpassam o discurso dos alunos, também possibilita reconhecer certas práticas discursivas sociais ao demonstrar o que pode ou deve ser dito de acordo com a época ou situação social. A passagem da arqueologia à genealogia é uma ampliação do campo de investigação para que se estude a relação discursividade e não discursividade. É na/pela genealogia que se investiga como aparecem, nos dizeres dos adolescentes, relações de poder e quais efeitos de sentido surgem nos posicionamentos discursivos dos sujeitos (FOUCAULT, 2002). Quanto ao córpus consiste em recortes dos dizeres que compõem as entrevistas feitas com os alunos em seus respectivos locais de produção (escolas das UNEI de Mato Grosso do Sul). Sobre os resultados, notamos que os sujeitos-adolescentes-alunos dificilmente formulam opinião sobre o ensino/escola, seus dizeres têm efeitos generalizantes, que apontam para a desmotivação e para a “(não)funcionalidade” da escola, que por ser uma obrigação, não tem sentido para a vida deles; talvez seja apenas um meio para alcançar a liberdade. Há atitudes de resistência; ou seja, o professor cumpre seu papel e o aluno cumpre o dele por sentir-se inconformado de estar privado, e para não rebelar-se contra o sistema, resiste.