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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Intencionalidade e Intertextualidade nas Paródias de Fábulas Tradicionais
Autor(es): Rosi Aparecida Corra Silva. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave Intertextualidade,Intencionalidade,Fbula
Resumo Texto e discurso são atividade de troca, compartilhamento, interação. Não há sentido em escrever ou falar sem que haja um interlocutor ou destinatário da mensagem contida no texto ou na fala. A comunicação jamais é ou será vazia e, se o fosse, invalidaria sua intenção precípua. O texto “Os três porquinhos e o lobo bruto” é vetor de uma ou mais mensagens e, uma vez que não as esconde ou delas seja proprietário, confere ao leitor a tarefa de interpretá-las e compreendê-las, o que exige o auxílio de conhecimentos adquiridos de outros textos e outras mensagens. Assim, o presente trabalho pretende expor, pormenorizar e analisar a intencionalidade presente no texto de Millôr Fernandes Os três porquinhos e o lobo bruto, cujo teor cômico contrasta com as intenções morais e éticas da fábula original, e, por conseguinte, a intertextualidade presente na paródia. Apresentar-se-á, no trabalho, como funciona a paródia por meio da utilização livre da intencionalidade. Note-se que a intencionalidade, aqui melhor descrita como intenção cômica, dá ao autor o direito – e o poder – de ignorar ou distorcer regras básicas de forma e conteúdo. Esta maneira de lidar com a fábula tradicional dá ao leitor a possibilidade de perceber, em meio a todas as distorções provocadas pela intencionalidade cômica, o tecido linguístico intacto, porém modificado ou transformado, de forma que o efeito cômico se torna ainda mais evidente. Ainda, partindo-se das observações de Coseriu (1992) sobre a incoerência eventual do texto humorístico, buscou-se mostrar que Millôr, voluntariamente, adota certo distanciamento do tradicional conteúdo moral das fábulas, acrescentando, em sua paródia, toques de, no dizer de Coseriu, um “sentido de absurdo”. Ao parodiar um texto, e em particular um texto conhecido, o autor joga com possibilidades: coerência ou incoerência em relação ao texto parodiado, ou à sua própria escrita, serão os pontos que causarão o efeito humorístico, a depender, certamente, da “competência linguística geral (...)” necessária ao destinatário do texto, como afirmou Coseriu. Enfatizou-se, portanto, a questão da introdução de incorreções e incoerências propositais na paródia, o que, poder-se-á notar, tornou-se, no texto, a matéria prima da intertextualidade, de forma que o leitor se vê prazerosamente levado a transitar entre a paródia e o texto original. Intencionalidade e intertextualidade, somadas, produzem o efeito humorístico, e as razões deste efeito são material desta análise.