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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: A ironia como marca da heterogeneidade discursiva na crônica de Luís Veríssimo
Autor(es): Agmar Ribeiro Justino dos Santos. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Lus Fernando Verssimo,heterogeneidade discursiva,gnero crnica
Resumo Neste trabalho buscamos analisar a construção de sentido da crônica O marido do Dr. Pompeu, de Luís Fernando Veríssimo, centrando-nos na questão da ironia como forte indício de “heterogeneidade mostrada”, de acordo, principalmente, com os pressupostos teóricos da Análise do Discurso de linha francesa, em especial aqueles formulados por Maingueneau e seus seguidores. Partimos da noção de ironia como uma subversão sem que haja contestação de um gênero ou de um texto preexistentes: o enunciador subverte sua própria enunciação” (MAINGUENEAU, 2004). Pretendemos, desse modo, demonstrar que as relações dialógicas entre os enunciados já-ditos e os pré-figurados, permeados pela ironia, colaboram na construção dos efeitos de sentido no gênero crônica, afinal, não há discurso sem sujeito e não há sujeito sem ideologia: o indivíduo é interpelado em sujeito pela ideologia e é assim que a língua faz sentido (PÊCHEUX,1975). Procuraremos também demonstrar o caráter polifônico da ironia, uma vez que se revela na ambiguidade de sentidos e configura-se no riso, no humor, na comicidade, enfim, e que cabe ao leitor/coenunciador compreender um sentido literal e um sentido figurado sem descaracterizá-lo. Ressaltaremos, ainda, o valor ilocutório da ironia, por tratar-se de uma atividade dupla, em que há a inscrição de um locutor que, por meio da enunciação, realiza, na verdade, uma ação. A ironia passa por uma dissociação entre aquilo que o enunciado manifesta, ou seja, seu sentido literal, e a proposição visada, que diz respeito ao que está implícito. Essa característica, como pretendemos demonstrar, permite considerá-la uma marca da “heterogeneidade discursiva mostrada”, que, segundo Maingueneau (1997), subverte a fronteira entre o que é assumido e o que não o é pelo locutor. Essa heterogeneidade mostrada apresenta-se de forma marcada ou não-marcada: o coenunciador precisa ativar índices textuais ou paratextuais no processo de identificação do outro. As referências ao outro são explícitas, como no caso do discurso direto ou indireto, de aspas, de itálico e de incisos de glosas. Buscaremos, enfim, demonstrar que esse tipo de recurso coloca em cena um discurso outro, uma outra voz que se faz presente no enunciado, que, expressando um discurso contrário ao do sujeito enunciador, pode ser considerado como uma estratégia para atrair a atenção do leitor, a fim de que este se dê conta da verdadeira intenção do que é proferido.