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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Percepção de aspectos prosódicos do dialeto caipira
Autor(es): Rosicleide Rodrigues Garcia. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave dialeto caipira,prosdia,tom mdio
Resumo Em 1920, Amadeu Amaral, em sua obra O dialeto caipira, percebeu que “tom geral do frasear é lento, plano e igual [...]”. No estudo ora proposto, tendo como base teórica a prosódia, buscou-se verificar a afirmação de Amaral, porém, por meios tecnológicos, de modo a caracterizar o dialeto de forma objetiva e verossímil. Para isso, para um estudo prévio, foram coletadas quatorze entrevistas livres com moradores da região do Médio Tietê – nas cidades de Capivari, Itu, Porto Feliz, Santana de Parnaíba, Pirapora do Bom Jesus, Piracicaba e Tietê –, sendo selecionados dois homens de cada cidade, todos com idade acima de sessenta anos, brasileiros natos e de baixa escolaridade; e um de São Paulo, paulista nato, de alta escolaridade, com idade acima dos 35 anos, sendo portador do “português-padrão”, para servir como controle. Optou-se pelas falas espontâneas, pois, segundo Chacon (1998) e Pacheco (2006), a leitura e falas monitoradas podem fazer com que o interlocutor improvise sua entoação, e o objetivo desta pesquisa é distinguir marcas dialetais. Assim sendo, frases específicas que contivessem elementos comuns (como a presença de retroflexos em coda silábica, sílabas tônicas nasais, entre outras) foram coletadas e colocadas no programa SFS (Speech Filing System) para automatização dos dados, e computadas pela rotina do ExProsódia – aplicativo desenvolvido pelo Prof. Dr. Waldemar Ferreira Netto (2008), que tem por objetivo a análise automática de frequência, intensidade e duração de segmentos de frases dados na forma de texto. Desta forma, primeiramente percebeu-se que o dialeto caipira não é plano e igual ou sem variedade de inflexões, conforme descrito por Amaral, pois os resultados obtidos pela rotina demonstram que há variações de frequência e intensidade que não se distanciam do dialeto paulistano: medindo e comparando o tom médio (TM) e tendo como base o teste ANOVA, gera-se um valor de p>0,19, ou seja, a diferença entre ambos não é significativa. Tanto que, transformando a formação prosódica numa sequência melódica (FERREIRA NETTO et al, 2009), é possível perceber em ambos dialetos uma semelhança, diferenciando-se apenas em tons. Deste modo, pela execução de dados, é possível afirmar que no dialeto caipira haja um ritmo linguístico tal qual é possível observar nos demais dialetos.