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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: O registro de unidades léxicas tabus nos dicionários Aurélio, Aulete e Houaiss
Autor(es): Vivian Orsi. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Lxico Tabu,Dicionrios,Rubricas
Resumo Ao léxico atribuem-se valores que só se alteram, ao longo dos anos, com a mudança de hábitos da sociedade. Na linguagem proibida, à qual nos dedicamos nesta pesquisa, encontram-se unidades léxicas censuradas e condenadas pela sociedade, razão pela qual se transformaram em tabus linguísticos. Estes consistem na proibição do uso de certas expressões concebidas como vulgares ou imorais. Especificamente, o tabu linguístico é a proibição de dizer certo nome ou certa palavra aos quais se atribui poder natural, e cuja infração causa infelicidade ou desgraça. O tabu linguístico é, enfim, decorrente das sanções, restrições e escrúpulos sociais; atua na não permissão ou na interdição de se pronunciar ou dizer certos itens lexicais aos quais se atribui algum poder e que, se violados, poderão trazer perseguições e castigos para quem os emprega. No âmbito deste trabalho fizemos a seleção de alguns itens que possuem uma de suas acepções considerada tabu e, portanto, negativa. São eles 'madrasta', 'baiano', 'cigano', 'perereca' e 'banana', e atentamos ao modo como estão registrados (e se o estão) nos dicionários Houaiss (2009) Aurélio (2011) e iDicionário Aulete, disponível online gratuitamente. Verificamos que os dicionários mencionados registram as unidades lexicais elencadas com a carga metafórica pejorativa ou chula que lhes é atribuída culturalmente no Brasil, acompanhadas da rubrica informal, figurado, vulgar e outras, alocada antes das definições ou dentro de uma definição. Essa rubrica delimita o uso em que o item lexical é empregado com aquele determinado significado metafórico. O que se percebe é a grande incongruência no momento de marcar as unidades dentro dos verbetes, sem nenhuma uniformidade e justificativa, conforme já atestaram Zavaglia e Orsi (2008) com o léxico erótico-obsceno. Ademais, procuramos debater o questionamento existente entre alguns pesquisadores e estudiosos da área de Lexicografia sobre a permissão ou proibição da entrada dessas unidades ou de sua acepção tabuizada em dicionários, com ou sem marcas. Acreditamos que a decisão de incluir ou excluir unidades léxicas tabus em um dicionário depende dos objetivos com que a obra é elaborada. A inclusão de chulismos ou itens tabus em geral em dicionários deveria ser repensada pois inúmeras crianças e jovens acabam por repeti-los muitas vezes sem saber o exatamente o que significam, impossibilitando a autonomia do consulente. Enfatizamos ainda que, como cientistas das palavras, devemos ter um papel crítico ante todos os fenômenos linguísticos sem emitir juízo de valor, apenas registrando-os e incluindo-os em nossas pesquisas.