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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: As orações concessivas introduzidas por “embora” à luz da Gramática Discursivo-Funcional
Autor(es): Talita Storti Garcia. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Gramtica Discursivo-Funcional,Concesso,Embora
Resumo Este estudo investiga as orações concessivas introduzidas por “embora” no português falado no noroeste paulista à luz da Gramática Discursivo-Funcional (HENGEVELD e MACKENZIE, 2008) a fim de descrever o comportamento sintático, semântico e pragmático dessas estruturas. A conjunção “embora”, em sua origem, no inglês antigo, era a única que podia ser empregada com significado concessivo (KÖNIG, 1984). No português, essa conjunção origina-se de “em boa hora” e é considerada uma conjunção subordinativa prototípica pela Gramática Tradicional (BUENO (1963), CEGALLA (1985) e CUNHA e CINTRA (1985, 2001)). Este estudo revela que essa conjunção pode introduzir orações que atuam em diferentes Níveis e camadas postulados pela teoria. “Embora” pode introduzir orações que constituem Atos Discursivos, quando a relação de concessão ocorre no Nível Interpessoal (relacionado aos aspectos pragmáticos da interação), ou pode introduzir orações que constituem Conteúdos Comunicados, quando a concessão se dá no Nível Representacional (relacionado aos aspectos semânticos da interação). Essa diferença se reflete no Nível Morfossintático, mais especificamente na ordenação dessas orações, que podem ocorrer antepostas ou pospostas à oração principal. Nesses dois casos, as orações concessivas tendem a apresentar verbos no subjuntivo, mas também podem ocorrer com verbos no indicativo, o que sinaliza menos dependência entre as orações envolvidas. Os dados revelam uma tendência dessa conjunção a introduzir orações concessivas que se estabelecem na fala apenas por meio de uma relação discursiva com o contexto precedente, isto é, não apresentam outra oração como escopo, são as denominadas “concessivas independentes” (GARCIA, 2010), cujos verbos predominam no indicativo, um reflexo de dessentencialização (LEHMANN, 1988), conforme exemplificado pela seguinte ocorrência: (...) mas aconteceu a gente encarou a gravidez né?… ham:: eh:: eh:: fiquei:: tive a gestação perfei::ta né? meus pais embora não aceitaram MUI::to né? mas eles impuseram a condição de que eu fosse morar com ele ou casar… (AC-40-NE,10). Os resultados apontam, portanto, que “embora” pode introduzir orações de diferentes naturezas; algumas características morfossintáticas, semânticas e pragmáticas sinalizam que essa conjunção está se especializando em introduzir orações que apresentam menor grau de integração.