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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Ditongação de /e/ nasal no português paulistano
Autor(es): Livia Oushiro. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave /e/ nasal,ditongao,portugus paulistano
Resumo Dentro do quadro teórico-metodológico da Sociolinguística Variacionista, esta comunicação apresenta análises sobre a realização variável de /e/ nasal (em palavras como “fazenda” e “entendo”) como monotongo ou ditongo, com o objetivo de discutir o encaixamento social da variante ditongada. O corpus de análise compreende 102 entrevistas sociolinguísticas com falantes paulistanos, estratificados de acordo com seu sexo/gênero, três faixas etárias, dois níveis de escolaridade e duas regiões de residência na cidade. Análises sociolinguísticas prévias de /e/ nasal debruçaram-se sobre os processos de desnasalização (p.ex. “comem” ~ “comi” – Guy 1981, Battisti 2002), assimilação (p.ex. “fazendo” ~ “fazeno” – Martins 2001) e alçamento vocálico (p.ex. “engravidar” ~ “ingravidar” – Celia 2004). Para além de análises fonéticas (Demasi 2009), a ditongação de /e/ nasal em São Paulo não havia sido estudada com relação a seu encaixamento social. A variante parece ser tipicamente associada com o português paulistano (Medeiros 2007), mas uma análise qualitativa do discurso dos informantes do corpus sugere que a maioria dos paulistanos não tem consciência desse fenômeno variável. As análises multivariadas mostram que a ditongação, que ocorre em 41% dos casos de /e/ nasal, é favorecida em palavras de conteúdo (verbos e substantivos), com menor número de sílabas e quando o segmento precede consoantes (pós)alveolares. Por outro lado, verificam-se correlações mais fortes com grupos de fatores sociais: a ditongação é favorecida pelas mulheres, falantes mais jovens, com nível superior de escolaridade, residentes de bairros de classe média-alta e no estilo de leitura. Os resultados, em princípio, conformam-se àqueles esperados para uma mudança de baixo (Labov 2001) – i.e. favorecimento da variante inovadora por mulheres e falantes de classes mais altas. Contudo, há alguns contextos em que o padrão é revertido e a ditongação é favorecida por certos subgrupos de homens e falantes de classe social mais baixa. Ao cruzar o grupo de fatores faixa etária com outras variáveis sociais, nota-se que: (i) enquanto as mulheres exibem variação estável, são os homens que de fato apresentam estratificação etária e que atualmente têm conduzido a mudança em tempo aparente; e (ii) entre os mais jovens, aqueles de periferia favorecem a variante relativamente mais do que os de bairros mais centrais. Ao mostrar a interação entre certos grupos de fatores sociais, esta comunicação discute suas implicações para o entendimento do significado social da variação e da mudança linguística.