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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Ambiguidade nas construções binominais do tipo (X) N1 de N2.
Autor(es): Carolina Piechotta Martins Santos. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave construo binominal,Lingustica Baseada no uso,quantidade / qualidade
Resumo O objetivo do presente projeto é descrever o comportamento de construções binominais, a exemplo de uma taça de vinho, quilos de arroz, o pote de vidro, etc. Ou seja, pretende-se estudar, portanto, uma unidade entendida como um pareamento de forma e sentido (Goldberg, 1995; 2006) composta por (a) um elemento chamado de X, que pode ou não estar expresso; (b) por um nome; (c) pela preposição de e (d) por um segundo nome. Dessa forma, poder-se-ia tomar uma descrição do tipo (X) N1 de N2 como a contra-parte formal das construções em foco. Supõe-se que a possibilidade de leitura qualitativa das construções binominais se deve à relação parte-todo entre os nomes que instanciam a construção. Por exemplo, considerando a expressão uma taça de vinho, é possível sugerir que, em contextos de leitura quantitativa, há uma relação parte-todo entre taça e vinho, em que taça refere-se à parte de vinho, que representa o todo. Essa relação parte-todo também pode ser observada em quilos (parte) de arroz (todo), por exemplo; contudo, em o pote de vidro, não, uma vez que a relação entre pote e vidro não é uma relação parte-todo, mas algo como produto-matéria. A partir dessas colocações, entende-se que será possível, através da análise de dados de crônicas e receitas, encontrar outros fatores de cunho semântico-pragmático que justifiquem a flutuação entre os domínios da quantidade e da qualidade na interpretação de construções binominais. Assim também, entende-se que os corpora fornecerão argumentos para ratificar a hipótese da manutenção da relação parte-todo como um dos fatores condicionantes para a leitura qualitativa dessas construções. No presente projeto, são adotados os pressupostos teóricos da Linguística Baseada no Uso (BARLOW & KEMMER, 2000), a partir dos quais se compreende que a estrutura linguística é fruto de processos cognitivos mais gerais, bem como de frequência de uso. Tomaremos também como referencial teórico os estudos em gramática das construções, por entendermos que a gramática de uma língua não consiste de um conjunto de regras, mas é caracterizada por uma série de construções entrelaçadas no formato de uma rede. Assim, toma-se como objetivo geral deste estudo a tarefa de entender como construções binominais de valor quantitativo podem se relacionar, em termos dos aspectos formais e semântico-pragmáticos que as caracterizam, com as de valor qualitativo. Ainda, considerar essa relação, a partir de uma concepção de gramática como uma rede de unidades simbólicas, denominadas construções gramaticais (Goldberg, 1985).