logo

Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: A semiologia das afasias à luz das teorias de base sócio-histórico-cultural: análise a partir de estudos de casos
Autor(es): Amanda Bastos Amorim de Amorim, Rosana do Carmo Novaes Pinto. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave Afasia,Estudos de casos,Semiologia
Resumo Introdução: Desde a criação, em meados da década de 80, da área de Neurolinguística e do Centro de Convivência de Afásicos (CCA), no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), inúmeros trabalhos acadêmicos têm sido realizados sobre o impacto do episódio neurológico sobre o funcionamento da linguagem, gerando, dentre outros quadros possíveis, a afasia. Dezenas de dissertações e teses já foram produzidas nessa temática, tendo a Linguística como posto de observação privilegiado, contribuindo para a reflexão da semiologia afasiológica, sobretudo acerca de fenômenos como agramatismo, automatismo/estereotipia, circunlóquio/confabulação/digressão, jargonafasia, parafasia e perseveração, dentre tantos outros. Um breve percurso teórico-metodológico da construção desse saber foi objeto da pesquisa de Mestrado realizada recentemente e que visamos compartilhar nesta apresentação. Quadro teórico-metodológico: A semiologia tradicional se caracteriza pela patologização de fenômenos observados na chamada “normalidade”. Diversas pesquisas têm questionado e indicado opções a tal abordagem, com o respaldo das análises linguísticas dos enunciados de sujeitos afásicos, atreladas a bases epistemológicas sócio-histórico culturais. Tais pesquisas tomam como corpora dados que emergem em episódios dialógicos nas sessões do CCA (Coudry, 1986/1988; Morato & Novaes-Pinto, 1997; Novaes-Pinto, 1999; Morato, 2011). Se, por um lado, os itens semiológicos são necessários para uma comunicação entre profissionais de uma mesma área ou de áreas afins – como terminologias científicas ou moedas linguísticas (Porter, 1997) – por outro, marcam posições muitas vezes preconceituosas com relação à produção linguística de sujeitos acometidos por patologias. Como Sacks (1995) afirma, a semiologia predominante nos manuais neuropsicológicos frequentemente empregam “a” ou “dis”, indicando sempre a ausência, a falta, algo “para menos”, como muitos dos termos acima mencionados. Com base nesses pressupostos e nos enunciados dos sujeitos afásicos, muitos desses itens semiológicos são questionados na ampla maioria dos trabalhos da área e alguns deles serão trazidos na apresentação. Objetivos: (i) apresentar uma síntese das pesquisas que se dedicaram aos itens semiológicos das afasias no âmbito da Neurolinguística desenvolvida no Instituto de Estudos da Linguagem, desde a década de 80; (ii) apresentar as principais contribuições dessas pesquisas neurolinguísticas, sobretudo as propostas de ressignificações de termos ou mesmo de alterações terminológicas; (iii) discutir a relevância das pesquisas de natureza qualitativa, com predomínio dos estudos de caso longitudinais das pesquisas da área e (iv) discutir a natureza dessas posições em relação ao conceito de resistência (Foucault, 2009; Kuhn, 2011, Orlandi, 2007).