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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Instâncias da língua na fala da criança
Autor(es): Irani Rodrigues Maldonade. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave aquisio da linguagem,erros,reflexividade
Resumo Uma das dificuldades enfrentadas pelo quadro teórico interacionista desenvolvido por De Lemos e colaboradoras foi tecer uma explicação de como seria possível chegar à ordem da língua na fala da criança a partir das estruturas dialógicas (consideradas também discursivas), já que nesta perspectiva rejeita-se a simples transferência das categorias da descrição linguística para a fala da criança. Em etapa anterior desta pesquisa, duas situações em que a língua foi colocada em destaque na fala de M (uma criança brasileira gravada de 1:6 a 4:6 anos de idade) foram analisadas: 1) aquela em que a mensagem se refere à própria mensagem e 2) aquela em que a mensagem se refere ao código, nos termos de Jakobson (1974). Essas duas situações relacionam-se ao deslocamento do sujeito no processo de aquisição da linguagem, porém de formas diferentes. Na primeira situação, a análise de dados mostrou que a criança se encontra frequentemente, na primeira posição da criança no processo de aquisição da linguagem de acordo com a proposta de De Lemos (2002), enquanto que na segunda situação, a criança se encontra na segunda ou terceira posição em seu trajeto de aquisição da linguagem. Segundo Stump (2011), a terceira posição corresponderia ao que, na literatura em aquisição da linguagem, relaciona-se à “capacidade metalinguística” da criança. Neste sentido, as autocorreções são dados preciosos para análise, uma vez que é a própria criança que ao escutar-se, reconhece uma diferença entre a fala do outro e sua própria fala, mostrando relacionar-se de modo diferente com a língua. Desta forma, este trabalho tem como objetivo refletir sobre as instâncias da língua na fala de M, ao analisar ocorrências em que erros e/ou autocorreções acontecem em dois níveis diferentes de análise linguística: fonológicos e morfológicos. Revelariam elas aspectos ou níveis diferentes da “propriedade reflexiva da linguagem”, ou até do que se tem chamado de “capacidade metalinguística da criança”? Os resultados indicam que a explicitação das relações linguísticas pela criança não parece ser um passo necessário no processo de aquisição da linguagem, podendo esta acontecer ou não. Muito menos, se mostra evidente que elas “amadureçam” com o simples passar do tempo ou que ocorram conforme os níveis de descrição linguística. As ocorrências mostraram que não é possível tratar língua e sujeito separadamente, assim como a subjetividade está sempre inscrita no trabalho do sujeito com a língua/linguagem.