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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Aspectos gramaticais das construções denominativas no Português Médio
Autor(es): Gilclia de Menezes da Silva. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave Portugus Mdio,Valncia Verbal,Verbo Chamar
Resumo Discutiremos aspectos sintáticos e semânticos das construções denominativas em narrativas portuguesas dos séculos XV a XVII, e as implicações gramaticais das mudanças atestadas em sua diacronia. Em MENEZES DA SILVA (2010), mostrou-se que no início do século XV o verbo chamar transformou-se no principal predicador das construções denominativas substituindo outros predicadores denominativos: dar (nome), pôr (nome), etc. Nas estativas, construções com chamar-se (Chamam-se Aimorés, Gandavo-n.1502) substituíram construções com haver nome (E este cavalleiro avya nome dom Rodrigo, CGE-1344). A partir do século XVI, o chamar passará por alterações na estrutura argumental, reduzindo sua valência de três para dois, com a supressão do argumento com papel temático de agente. PAIXÃO DE SOUSA (2009) explicam essa alteração através das mudanças gerais na gramática do Português Médio (PM), representada em textos portugueses escritos entre os séculos XV e XVII. No PM, a posição à esquerda do verbo é ocupada pelo constituinte discursivamente proeminente, e o Sujeito é predominantemente nulo (Y-V-(X-sujeito-nulo)-Z). No caso de chamar, a proeminência recaia sobretudo no argumento com papel temático de Designando (Y), sendo a sequência mais frequente Y chama (X-sujeito-nulo) Z. Essa estrutura sofreu uma reanálise diacrônica, com supressão do agente, fazendo emergir a construção estativa característica do Português Brasileiro - Y chama Z. As construções com chamar apresentam outras características peculiares. O Designando (Y) pode ser expresso por SN ou SP, como nas atuais estruturas em PB, acarretando estrutura com dois complementos não-preposicionados X-chama-Y-SN-Z-SN e estrutura com dois complementos preposicionados X-chama-aY-SP-de Z-SP. Nas estativas, torna-se também interessante analisar construções com chamar-se, devido ao estatuto de se e sua interpretação como passivo, nominativo, ou indeterminador, já que a análise de se-passivo no PM ultrapassa a mera concordância, pois, até o século XVI, encontram-se construções com se, com o argumento interno em posição de sujeito, e o argumento externo como Agente da Passiva; para CAVALCANTE (2006), o se-passivo transforma-se em se-indefinido no Português Europeu (após o século XVIII) porque o argumento externo do verbo não era mais expresso como um PP agente da passiva. Assim, nos dados do PM, a concordância entre verbo e argumento interno não é suficiente para determinar o estatuto de se. Mostraremos, assim, como a análise da complexidade sintática e semântica das construções denominativas contribui para os estudos diacrônicos do Português.