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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: “Aluguei um escritório d’um amigo meu”: descrição prosódica da preposição “de”
Autor(es): Fernanda Marcato. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Portugus Brasileiro,Prosdia,Preposio
Resumo Nesta comunicação, o objetivo é descrever o comportamento prosódico da preposição monossilábica “de” e de suas formas “do” e “da” do Português Brasileiro falado na variedade do Noroeste Paulista (SP), a fim de buscar evidências do fenômeno da cliticização dessas preposições. Para tanto, investigam-se, particularmente, os contextos em que há juntura dessas preposições com o elemento seguinte, como em “d[ua]luno”. Nos termos de Camara Jr. (1970), do ponto de vista sintático, as preposições em análise são consideradas formas dependentes de outras, como verbos e nomes, não sendo livres ou presas, uma vez que apresentam uma autonomia intermediária. Do ponto de vista fonológico, são partículas átonas, isto é, elementos clíticos, que não têm estatuto de vocábulo fonológico e a esse se ligam. Para a análise prosódica dos dados, neste trabalho, toma-se por base a teoria de Nespor e Vogel (1986), sobre os domínios prosódicos, e assumem-se os argumentos de Bisol (2005), sobre o comportamento dos clíticos no Português do Brasil. Como córpus de pesquisa, são utilizados 32 inquéritos de fala espontânea selecionados da amostra censo do banco de dados IBORUNA, resultado do projeto “Amostra Linguística do Interior Paulista” - (FAPESP 03/08058-6), em função das variáveis extralinguísticas controladas nesse banco de dados, a saber: (i) faixa etária; (ii) grau de escolaridade; e (iii) sexo/gênero. No que concerne à metodologia de pesquisa adotada, é feita uma análise de oitiva das preposições em questão, bem como analisado fatores linguísticos que possam contribuir para a aplicação de fenômenos fonético-fonológicos entre esses itens e os seus hospedeiros. Dos vários processos segmentais observados na análise de oitiva desses elementos, tratar-se-á, nesta apresentação, daqueles de juntura, denominados de sândi vocálico externo, que interessarem a essa investigação. Para a preposição “de”, verificou-se que há, em ordem decrescente de porcentagem de aplicação dos processos: (i) degeminação, “d[eu]”; (ii) ditongação, “d[ia]dministração”; e (iii) elisão, “d[u]ns”. Para a preposição “do”: (i) ditongação, “d[ua]vião”; e (ii) degeminação, “d[o]utro”. Por fim, para a preposição “da”: (i) ditongação, “d[ai]maginação”; e (ii) hiato, “d[aE]poca”. Não ocorreu para os itens “do” e “da” o fenômeno da elisão. A partir dos resultados encontrados, busca-se: (i) contribuir para a caracterização e ampliação da descrição do Português falado na região do Noroeste Paulista; (ii) proporcionar uma reflexão a respeito do “status” prosódico das preposições “de”, “do” e “da”; e (iii) discutir questões acerca da configuração de domínios prosódicos no Português Brasileiro. (Apoio: FAPESP – Processo 2011/02239-5)